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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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...

por Vieira do Mar, em 24.08.06
a amiga elsa



Olá. O meu nome é Vieira e, nestas férias, estou viciada na miséria espiritual das celebridades em geral e na da Elsa Raposo, em especial. Eu sei que há muita coisa edificante para ler, para absorver; tantos prémios Pulitzer, Nobel, Pessoa.... Nada. Quando chega a hora do galão com a bola ou da sandocha na praia, só me interessa saber o que anda a aprontar a amiga Elsa. Aquilo que dantes era um passatempo semanal de cabeleireiro, tornou-se, desgraçadamente, uma obrigação quase diária. Até já sei que a VIP sai à segunda, a Lux à terça e a Caras à quarta; corro para a papelaria à procura dela por entre as automotores, as pais e filhos, as melhores dietas, as como deixá-lo louco na cama e os lavores croché. Para quem não está dentro do fascinante drama pessoal da "apresentadora e empresária" (alguém???), um breve resumo: a Elsa, uma rapariga gira muito dada aos homens, aos pós e à bebida, mãe de três filhos pequenos (cuja custódia está entregue ao pai e que têm um ar triste de partir o coração, quando com ela aparecem em funções sociais), ganha dinheiro por aparecer: nas revistas, na televisão, nas festas, nas inaugurações. Durante 15 meses (não brinquem, olhem-me a tristeza do detalhe cronológico), e após a participação numa quinta das celebridades em que aparecia permanentemente desapossada das suas faculdades mentais e de voz entaramelada, a amiga Elsa namorou com o Gonçalo Diniz, um presunto actor, também ele concorrente no lixo televisivo em questão. Acabado o tempo de antena, apressaram-se a exibir a paixão, os carros e os novos projectos empresariais por tudo quanto era revista; ela, com ar de cama requentada e ele, de corno manso (já então). Até aqui, tudo bem, seriam apenas mais um casal patético, a braços com uma associação de conveniência a tresandar a falso, daquelas que dão a cacha em troca do cachê. A coisa só começa a raiar o refluxo gástrico, quando a amiga Elsa vem bolsar para as revistas que gostava de ter mais filhos. Não sei se estão a ver: num país em que a palavra mãe continua a ser a mais linda que o mundo tem, um juiz atribui a custódia ao pai. Ao pai. Mas a rapariga, que aparece quase sempre sem os miúdos e atracada a vários homens por ano, quer ter mais filhos. Sem comentários.

Bom, mas parece que a apresentadora e empresária acabou mesmo por engravidar, supostamente do actor e empresário, mas abortaria espontaneamente logo de seguida. É claro que a dor compungente do casal e o consolo mútuo que se devotaram, foram de imediato capa de muitas revistas (de todas, aliás). Após este desaire comercial (sem bebé, quantas capas de revista se perderam...), o casalinho inscreveu-se numas aulas de surf em Carcavelos e a nossa Elsa, farta de lamúrias mútuas, entusiasmou-se com os bíceps do instrutor, cuja boca resolveu devorar numa esplanada pública. Ora beijava o Çalinho no areal, ora lambiscava o badocha no restaurante por cima do areal, onde por acaso é relações públicas (ser relações públicas é a actual profissão dos invertebrados com um palminho de cara, mamas ou rabo). Pois parece que o pobre Çalinho descobriu a traição quando a viu escarrapachada numa das revistas que já tanto lhe dera de comer e foi para a varanda chorar as mágoas, local onde uma outra dessas revistas (ou seria a mesma?) lhe captou as lágrimas para a posteridade (pelos menos, para as 24 horas seguintes). Seguramente desconhecendo que os fotógrafos estariam à coca (quem diria?), a amiga Elsa apareceu na mesma varanda pouco tempo depois (ou antes, sei lá) com sangue na camisola, um ar desgrenhado e os pulsos enfaixados de uma tentativa de sucídio (digam lá se a minha obsessão não é justificada.)

A improbabilidade da história é tal, de tão deprimente, cretina e patética, que já atingiu contornos de mito urbano, correndo pelo país, em especial pelo submundo das cabeleireiras e esteticistas, várias versões alternativas. Certo é que a amiga Elsa apressou-se a prestar umas declarações exclusivas: que o çalinho era um mauzão que a agrediae que o badocha do surf, esse sim, era um homem a sério, embora o beijo na boca tivesse sido uma cena de amigos, algo muito comum no Brasil e estranho a este nosso Portugal antiquado (e sem poder de encaixe para as Elsas deste mundo, selvagens e livres, com o sexo à flor da pele). O pai do Çalinho, entretanto, veio lançar mais uma acha para a fogueira, afirmando publicamente que o filho, coitado, ia em retiro para o Brasil e que a Elsa se tinha agredido a si própria para o incriminar, a malvadona. Poucos dias passados, e a relação entre Elsa ("visivelmente debilitada") e o badocha dos bíceps "consolida-se cada vez mais", ao ponto de , na VIP desta segunda-feira, aparecerem os dois (ai, que até me custa escrevê-lo...) sentados e abraçados na escadaria do santuário de Fátima, onde foram rezar pelo seu amor. Juro. Rezar pelo seu amor perante Nossa Senhora. Francamente, isto é quase mais ofensivo para os católicos do que dizer que Jesus teve um rancho de putos ranhosos da Maria Madalena... Portanto, socorro! Ajudem-me. Eu bem sei que, ao comprar e ler este lixo, estou a alimentar a descompensada da Elsa, o cornudo do Çalinho , o Badocha emergente e todos os afins que babujam na miséria espiritual, alheados de qualquer verdade, moralidade ou integridade, mas é superior a mim, esta atracção pelo horrível. Eu dantes não era assim, a sério, isto é das férias, só pode ser das férias. Preciso de trabalho, de responsabilidades muito importantes, de prazos para ontem, da chefa a dar-me na cabeça porque da minha competência profissional depende o futuro da humanidade. É que já nem eu mesma me aguento, de tão silly nesta season.


Adenda: quando parece que não é possível descer-se mais baixo, eis que a Elsa consegue surpreender-nos: hoje, a TVMais apresenta-a, "em exclusivo", a ser operada com o fim de retirar a tatuagem com o nome "gonçalo" que terá feito no braço. Aparece na capa com ar de vítima, o braço atrapado e sentada numa cama de hospital. Resisti e não comprei. Embora não pareça, tenho os meus limtes.

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