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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

o anónimo sexy que não quer ser erótico

por Vieira do Mar, em 05.01.09

 Os homens por vezes são de uma ingenuidade alarmante, mesmo aqueles que, supostamente, conheceram/comeram dezenas de mulheres. Há um blogue sobre sexo que despertou a minha curiosidade. O autor escreve bem, com fluidez e graça e, nalguns casos, consegue aquele que deve ser o objectivo último da escrita sobre sexo: dá-nos vontade de o ir fazer. É claro que, confessando ele (em itálico, que isto nunca fiando) ser alguém conhecido na blogoesfera que optou por um outro registo (já conheci eufemismos melhores)  e havendo qualquer coisa no estilo que me soou familiar, meti-me com ele por mail, na brincadeira, tentando sacar nabos da púcara. A resposta veio anónima,  séria, educada e fria, mantendo a distância que (julgou) eu estava a tentar transpor. Igualmente frias e educadas  são as respostas aos comentários libidinosos que começaram já a aparecer por lá. E é aqui, a par com a boa educação,  que entra a ingenuidade. Que é a da pressupor que basta um homem assumir-se casado e pai de filhos, no perfil, para manter as malucas ao largo. Achará ele que tal declaração de interesses o protegerá como um escudo mágico contra as investidas furiosas das centenas de fêmeas solitárias e mal comidas que aguardam pacientemente  por uma amostra de romance proibido nas suas vidas e que, de caminho, alguém lhes ensine o kanguru perneta? Ainda por cima, resolve separar as águas entre foder e fazer amor:  se as putativas já suspiravam em frémito com as gráficas descrições que faz dos vislumbres de vaginas,  com tal distinção deixa-as definitivamente de quatro, ora aqui está um homem bom na cama  que ainda por cima sabe amar (suspiros). Provavelmente vem de um blogue sério, talvez político e de centro-direita, habituado ao exercício polido do contraditório;  para ele, “selvagem” só mesmo o capitalismo, que se calhar defende. Mas vê-se que não está familiarizado com a selvajaria que o anonimato sempre arrasta atrás de si, nem com a ferocidade da punhetice virtual,  achando que não está aqui para engordar o filão da memorabilia erótica dos nerds da net, até porque não se considera um nerd. Mas é; aliás, somos todos tendencialmente nerds, pelamordedeus. Perguntem lá a alguém de fora dos blogues o que é que acha de estarmos aqui horas, em frente a um ecrã, a escrevermos uns para os outros sem nos conhecermos, a vermos sitemeters e technoratis e a comentarmo-nos como se não houvesse amanhã… Tão nerd, que se sentiu na necessidade de explicar o porquê do anonimato (como se este fosse uma doença que contraiu voluntariamente e por necessidade) e de elencar que, apesar de ir escrever sobre sexo, nunca utilizará certas expressões de mau gosto. As if. Quanto à sua escrita, espera que nenhuma doméstica ou professora em greve a considere erótica, que disparate!,  e que não se ponha a lê-lo de dildo na mão, pois esse não é o seu objectivo. Aqui, a ingenuidade atinge os píncaros: achar que aquilo que escreve vai ser entendido exactamente de acordo com a intenção que se teve quando se escreveu. Been there, done that. A maior parte das pessoas não distingue entre O meu pipi e aquele boçal do Porto que só arrota e vomita caralhadas. Enformada por pressupostos morais e religiosos e/ou por uma estupidez inata, ou acha que é ordinário e ri muito, ou acha que é ordinário e que por isso não tem graça nenhuma.  A maior parte das pessoas, acha  que um tipo casado que desfila para um blogue experiências sexuais passadas, preferências e parafilias, quer é conversa, por isso vamos dar-lha . E a conversa vai seguramente baixar de nível e subir de interesse. Fala quem já cá está há quase cinco anos (agora ando com esta mania: acho que a antiguidade no posto me confere autoridade, por isso não me lixem) e já escreveu sobre sexo puro e duro, como anónima e com o nome próprio (na verdade, desbronco-me sempre), em especial num blogue colectivo que tinha comentários abertos.  Selvajaria. Desconfio que, muito em breve, ou se lhe vai a polidez e a educação ou se acaba o blogue. Sim, sim, já sei: estão desejosos de saber de que blogue falo, não é, seus marotos? Ah, mas isso deixo que descubram por vós - sim, que eu também tenho os meus momentos de interactividade galhofeira com os leitores.

 

mais do melhor

por Vieira do Mar, em 01.01.09

"(...) Eu, eu vivo (como direi?) esta minha vida, dia a dia, sem floreados nem rodriguinhos. Sem fins-de-semana em Nova Iorque, sem jantares no Grambrinus, sem o Coetze, a cagar-me para o centenário do Manoel de Oliveira, a pensar em votar PCP em 2009 só para foder a governabilidade da nação, a viver umas vezes com a loucura temporária - e mensal, porque cara - de fazer um jantar de sushi até regurgitar arroz e algas pelos olhos, outras vezes a tentar esticar o dinheiro que nunca chega para tudo até ao dia 24, 25 do mês, a tentar não adiar os inadiáveis, a falhar irremediavelmente prazos e compromissos inamoviveis, a cansar-me inexorável e inelutavelmente, dia após dia, noite após noite, a repetir a litania inconsequente do preciso de férias vezes sem conta.(...)"
 

Já o Alexandre Monteiro, quando aparece, é um dos meus favoritos de sempre.

um dos melhores bloggers de 2008

por Vieira do Mar, em 01.01.09

Sempre me repugnou um bocadinho o afagamento mútuo de egos em que se traduzem as listas de linques. Tu lincas-me aqui, eu linco-te ali; tu destacas-me e eu dedico-te um post, agradeço-te muito e linco-te acolá. A questão é que o acto de agradecimento decorre  da elementar boa educação e as coisas às vezes confundem-se: eu própria já dei por mim a endossar quem na realidade nunca me interessou muito ler. Tirando estas pequenas amarras que resultam da mera cortesia, sou individualista e não me interessa especialmente o que dizem de mim: não escrevo para ninguém, não mando recados, não estou aqui para fazer amigos (embora tenha feito alguns, bestiais), digo o que penso, ignoro indecorosamente correntes e prémios, e jogo alegremente ao linca-deslinca como qualquer outra criatura que anda nisto há mais anos do que os que gostaria de admitir. Mas, neste momento,  tenho de lidar com uma pequena, pequenina frustação: a de um dos meus bloggers favoritos (e são muito poucos, que eu sou esquisita) não me ter incluído na sua lista de bloggers que marcaram 2008: Eduardo Pitta. Sim, porque eu leio diariamente o Da Literatura e tenho em enorme consideração (coisa rara...) as opiniões de Eduardo Pitta (EP) sobre Portugal e o mundo, das quais quase nunca discordo (coisa ainda mais rara). EP é para mim o blogger, digamos ideal: oscilando entre o sarcasmo e a erudição, opina com propriedade sobre quaisquer generalidades, sabe do que escreve, é snobe e pedante q.b. (eu gosto assim) mas tem muito bom-senso - qualidade que me é muito cara, o bom-senso. Passo a parte da crítica literária, pois não saberia aquilatar da bondade da mesma, já que não é exactamente a minha área, mas confesso que já  li alguns livros à conta das suas recensões e sugestões. Em resumo:  aprendo quase todos os dias com o que escreve e isso dá-me gozo, por isso, para mim, Eduardo Pitta é um dos melhores  bloggers de 2008.

...

por Vieira do Mar, em 01.01.09

 

"(...) É evidente que se os desgostos amorosos, o envelhecimento, o luto, a sedução, a chacota, a saudade, a raiva ou as angústias metafísicas não interessam nada, então a blogosfera é de facto pouco interessante. Só que, ao contrário do que diz Pacheco, a blogosfera «pessoal» (que não necessariamente confessional ou intimista)é bem interessante. (...)"
 
Pedro Mexia zurze, com toda a propriedade, em Pacheco Pereira, num post magnífico.

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