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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

crónicas dos pequenos delitos

por Vieira do Mar, em 06.10.08

 

 

 

 

                                           a romena das nossas senhoras

 

 

o doutor do grupo pestana

por Vieira do Mar, em 03.10.08

Há uns tempos, recebi um telefonema (era sábado de manhã) de um doutor qualquer coisa que vinha da parte do Grupo Pestana. Parece que alguém com a mesma profissão que eu (embora eu nem conhecesse tal pessoa) me havia recomendado para fazer parte de um exclusivíssimo clube que dá inúmeras vantagens aos frequentadores dos hotéis e pousadas do Grupo Pestana. Apesar do timbre saloio de vendedor de aspiradores ao domicílio, resolvi ouvir o que o doutor tinha para me oferecer, dado que sempre fui  adepta das escapadinhas de fim-de-semana nas antigas pousadas da Enatur (what else?, com três filhos nunca se pode fugir por muito tempo nem para muito longe). Depois de alguma conversa fiada em que me introduziu aos fabulosos descontos e vantagens de que poderia usufruir a troco de uma anuidade de 150 euros (?!), pediu-me os meus dados pessoais. Comecei por lhe dizer o básico, nada que não pudesse encontrar na lista telefónica ou numa dessas bases de dados que ilegalmente passam de empresa para empresa, até que ele me pede os dados do cartão de crédito para debitar a anuidade. Assim mesmo. Pergunto-lhe se está a falar a sério, se acha que  vou dar os dados do meu cartão pelo telefone a alguém que não imagino quem seja, que terei de comprovar primeiro que ele é quem diz, etc. . Depois de muita lamúria pseudo-indignada (que já me começava seriamente a chatear), lá concordou em enviar-me por mail um formulário que eu preencheria e devolveria, depois de confirmar a morada. Passaram-se dois ou três dias, e foi então que o assédio começou. Como o doutor me ligara do Funchal, foi-me fácil saber, pelo indicativo, quando era ele (ou alguém a mando dele) que me ligava. E ele ligava. Ligava de manhã, à tarde, ao almoço, ao jantar, várias vezes por dia (cheguei a contar oito vezes num dia). Nas primeiras vezes ainda atendi, explicando que não tivera tempo de analisar nem de preencher aquilo, que tinha de pensar melhor, falar com o meu marido, afinal ainda eram 150 euros que teria de largar por ano. De nada valeu. Interrompia-me reuniões, jantares, acordava-me aos sábados às nove da manhã. Um dia, por fim, atendi e disse-lhe que, devido à forma agressiva e inconveniente da abordagem,  já não estava interessada. Pediu muitas desculpas mas mesmo assim insistiu, afirmando que as coisas seriam diferentes, que a culpa era da secretária e o camandro. Tive que penar para conseguir desligar, pensando que nem nos gloriosos tempos das vendas   em time-share  fora alguma vez  assim atacada.

 
Hoje de manhã, meses depois, eu pronta para sair de casa e recebo  nova chamada (de número desconhecido):
 
- Doutora Sofia Alves?
- Sou Sofia  mas não sou Alves, esse é o nome do meu marido.
- Ah, então já não é Alves, vou riscar aqui...
-  Não: nunca fui Alves, eu não tenho o nome do meu marido.
- Ah, então foi alguém que…
- Importa-se de dizer o que deseja? Tenho que sair para ir trabalhar.
- Daqui fala Diogo Moura, do Grupo Pestana e…
- Obrigada mas não estou interessada. Hás uns meses, um seu colega…
- Mas eu não sou o meu colega! Eu sou Diogo Moura e é a primeira vez que contacto com a doutora!
 - Sim, mês eu já sei o que querem. Há uns meses, como eu dizia, fui  assediada por um seu colega de forma muito insistente e desagradável, a quem acabei por dizer que não por causa de…
- Mas isso é que não! Com assédio também não concordo! O meu colega fez mal, mas se a doutora me deixar explicar...
- Não, obrigada, já sei o que me querem vender e eu não quero comprar.
- Mas  aposto que não sabe…
- Sei, é o cartão das Pousadas, não estou interessada.
- Se calhar não é bem isso, doutora Sofia, se me der só uns minut…
 
Click.
 
 
Sempre que puder – juro – ficarei em hotéis de charme, pensões, estalagens, farei  turismo de habitação e turismo rural, dormirei numa tenda e ao relento, mas tão depressa ninguém me apanha numa baiuca do Grupo Pestana, disso podem ter a certeza. Então agora, com a ideia peregrina da pousada no Forte de Peniche, ainda menos.  Tenho a ideia de que são, basicamente, uns parolos venais que comercializam alojamento  como quem vende panelas.  

parem as máquinas!

por Vieira do Mar, em 02.10.08

"A crise financeira trocada em moedas de cinco cêntimos", III parte.

eflúvios

por Vieira do Mar, em 02.10.08

 

Esta noite sonhei que ia casar com o José Miguel Júdice. Era um daqueles casamentos combinados pelas famílias e nós nem sequer havíamos sido apresentados, embora eu obviamente soubesse quem ele era. Estava num gabinete de provas da defunta Boutique Ayer na Avenida da Liberdade e, com os meus pais à minha volta, experimentava um vestido da Vivienne Westwood de cor púrpura (era mais para o roxo, enfim). Aquilo não me estava a agradar nada e, às tantas, digo aos meus pais que afinal não me caso porque  o Júdice é um velho tonto e não me apetece. Já não me lembro se saí dali para fora ou não, num repente consentâneo com a minha súbita decisão; só sei que, na cena seguinte, estou na assistência de um espectáculo qualquer que ainda não começara (ou que já acabara, pois não se ouvia nada) e uma ex-amiga desanca-me aos gritos por causa de uma ninharia, enquanto eu penso que o melhor é ficar calada porque, se abro a boca e lhe dou troco, arraso com ela. Entre nós, confortavelmente sentado e com ar de gozo, João Pereira Coutinho (o colunista), abana ligeiramente a cabeça como quem diz “Tsc, tsc, mulheres...”.
 
Tenho que ter cuidado com os eflúvios do Cillit bang, não o posso misturar com água muito quente.

fiquei sem empregada

por Vieira do Mar, em 02.10.08

 

 

 

 

 

Eu e Cillit Bang: o  início de uma bela amizade.

lei das armas

por Vieira do Mar, em 01.10.08

Outra piada. A actual Lei das Armas (Lei n.º 5/2006) é um diploma absurdo que, entre outras coisas, prevê a posse e o uso de objectos como os "aerossóis" ou as "bestas", mas que não prevê especicamente, em nenhuma das suas intermináveis alíneas, a arma mais comum usada pelos agentes de crimes contra a propriedade em Portugal: a pistola de alarme transformada numa letal 6.35 mm pelo engenho e carolice da rapaziada,  e que é vendida quase às claras em todas as feiras do relógio deste país. Agora, esta ideia peregrina da prisão preventiva. E eu só gostava que me explicassem - para começo de conversa - como, levando o Laboratório de Polícia Científica da PJ cerca de dois a três anos para proceder ao exame pericial de uma arma apreendida (ou seja, dois a três anos para nos dizer quais as especificações e características da mesma,  por forma a sabermos em qual das alíneas se enquadra, pois a punição varia), como, dizia eu, é que isso se vai coadunar com as quarenta e oito horas que um juiz tem para imputar a prática de um dos crimes previstos na dita lei a um arguido,  e de  seguida aplicar-lhe a prisão preventiva.

 

serviço público

por Vieira do Mar, em 01.10.08

A Catarina explica aqui e aqui, de forma brilhante, as origens e razões da crise económica actual, prestando um serviço público tão bom que devia ser bestialmente paga para o fazer.  Eu, uma verdadeira totó em economia  cujo racicínio matemático-financeiro se esgota no acto de saber o montante do saldo negativo, agradeço-lhe  penhoradamente a explicação inteligente, concisa e muito engraçada.  É nestas alturas que me reconcilio com os blogs, que ultimamente me irritam com tanta politiquice, pedantice, redundância e falta de humor.   Como diria a minha querida Rititas, os meus amigos são muito mas muito melhores que os teus

a recém... artista

por Vieira do Mar, em 01.10.08

 

"A minha filha mais velha saiu do confortável casulo/colégio particular em que sempre andou, para ingressar numa escola pública, na vertente "Artes Visuais". Começou pela sandalucha de missanga no dedo, avançou para a calça balão dos indianos e as túnicas étnicas com decotes violentos; depois vieram os brincos compridos a chocalhar, um diferente em cada orelha, mais dois ou três furos por aí acima e uma espécie de anel na parte superior da cartilagem (sem furo, por enquanto). Os cabelos já lhe vão a meio das costas, as pontas demasiado espigadas e, enrolados ao pescoço, aqueles horrorosos lenços aos quadrados do hezbolah. Toma dois banhos por dia mas não parece e já me fala em piercings no umbigo e num brilhantezinho – daqueles pequeninos, vá lá mãe! – na narina esquerda.
 
Declaração de interesses: eu sou basicamente uma beta. Uma beta hippy-chique, mas uma beta. Simpatizante dos norte-americanos, da causa judaica, da sociedade de consumo, da Vanity Fair, da Net a Porter e das botas Prada, pois há muito que me habituei a usar luvas nos pés. Sei que é bastante saudável e até desejável,  isto de os adolescente cultivarem a sua individualidade afirmando as diferenças e por aí fora,  mas também sei que  terei de me submeter rapidamente a uma cirurgia para alargar o esófago: só assim conseguirei engolir os sapos que aí vêm."
 
No meu teen-blog.

dia mundial da música (III)

por Vieira do Mar, em 01.10.08

Suite para violoncelo N.º 1 de Bach (Prelúdio), Rostropovich.

 

(o embedding está desactivado, daí o link)

dia mundial da música (II)

por Vieira do Mar, em 01.10.08

Cry me a River, Dinah Washington.

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