ganda maluca
Tenho achado alguma piada às patéticas tentativas, por parte da direita portuguesa (incluindo a dos blogues) em tentar legitimar e conferir alguma seriedade a esse desastre ambulante que é Sarah Palin. Algumas delas estranhamente ingénuas, como a de considerar a ida da criatura ao Saturday Night Live uma demonstração estóica do seu sentido de humor, e não aquilo que na verdade foi: um exemplo de boa propaganda, ditado pelas audiências americanas, feitas de votantes em busca do melhor espectáculo. Até porque o humor é uma manifestação de inteligência, não tendo Sarah nem uma coisa nem outra, como se comprova pela já famosa (e deliciosa) partida telefónica que lhe pregaram dois humoristas canadianos. Eu compreendo a direita: vistos isoladamente, sem o desespero histérico do mundo a dourar a pilula Obama, McCain é melhor candidato, e por quase todas as razões (o facto de ser experiente e ter ar de boa pessoa são duas das mais importantes). Para mais, se rasparmos a superfície das coisas, sentimos que Obama - cujos propósitos vagos e ar pastoral parecem ter apenas em vista agradar ao maior número possível de pessoas - não inspira grande confiança. A mim pelo menos não inspira - embora isso agora não interesse nada, não só porque eu não voto e o mundo se está nas tintas para o que penso como, a partir do momento em que Sarah entrou em cena, os republicanos perderam. Ninguém gosta de mulheres estúpidas e descompensadas, que vivem estranhos paradoxos, matando ursos e alces com tiros entre os olhos, enquanto defendem a vida como valor absoluto, mesmo a que resulta de gravidezes adolescentes e de violações incestuosas. No fundo, só interessa o que já toda a gente percebeu: a mulher ri muito porque é estúpida, e não porque esteja a perceber a piada.