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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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brain damage

por Vieira do Mar, em 07.03.08
No cinema, como na vida, uma cena de sexo pode provocar prazer, nojo, indiferença ou, apenas, um enorme ataque de riso. Do ponto de vista feminino, o resultado final depende muito da credibilidade da performance masculina (excepto na série L Word, onde até o mobiliário tem pipi e está sempre no cio, sendo bastante provável que, a qualquer altura, as cadeiras saltem para cima das mesas e os plasmas enfiem os dedos nas aparelhagens estéreo). É claro que há cenas em que as mulheres são quase tudo, mesmo para as outras mulheres (até o canastrão do Michael Douglas se torna um símbolo sexual com Sharon Stone por cima...), mas não são a regra.  A tal da credibilidade é difícil de conseguir, na medida em que os homens não fingem lá muito bem essas coisas - ao contrário de nós que, desde que um bocadinho elásticas e ginasticadas, nos contorcemos em gemidos convincentes enquanto pensamos no selo do carro. Cada homem tem uma, digamos, actuação sexual própria, e não há método Strasberg ou outro que o salve quando pura e simplesmente não presta.  Ora, como a eficiência deles se mede pela susceptibilidade do nosso prazer, quando este é o prazer de outras,  basta pormo-nos no lugar delas e dar largas à imaginação. E olhem que mexer (bonito eufemismo, tem qualquer coisa de culinário) com uma mulher sentada numa cadeira de cinema a comer pipocas (ou a ouvir comê-las) e com a testosterona nos níveis normais,  não é para todos. Ainda por cima, e ao contrário do que possa parecer, a eficácia da performance masculina não tem tanto a ver com a rigidez elástica de uns abdominais perfeitos ou com a desenvoltura de certos apêndices,  mas mais com a  linguagem corporal,  esse conjunto de pequenos gestos, de pausas e avanços no momento certo, que fazem toda a diferença. Estou cheia de bons exemplos (como as cenas do L´Amant, do Breathless, do Monster´s Ball), mas para não maçar fico-me pelas más. Aquela que é para mim a mais ridícula cena de sexo da história do cinema dito sério é a de Juliette Binoche com Jeremy Irons no filme Damage (que deveria antes chamar-se Brain Damage), em especial quando estão os dois entrelaçados no chão numa  emulação patética do Last Tango in Paris. Aquilo é uma espécie de comic relief, vá. Aliás, Irons é geralmente tonto nas cenas de sexo, porque treme muito e faz olhares esgazeados, talvez por ser inglês (o sexo dos ingleses, nos filmes, é geralmente um bocadinho esquisito). Mas há situações menos… concretas, digamos assim, de actores que, apesar de giros e bem constituídos, transmitem a sensação difusa de serem maus na cama, como o Tom Cruise e o Mel Gibson, talvez porque sensualidade e fanatismo religioso não combinam (ou se calhar é só porque são matraquilhos). Outros, apesar de demasiado giros, são inquestionavelinevitaldecididamente bons em qualquer papel e em qualquer posição, como o Richard Gere e o Brad Pitt, mas convenhamos que os feios carregados de atitude são ainda melhores (muito melhores), como é o caso do Javier Bardem  ou do Sean Penn.   Por vezes, no entanto,  o logro não resulta tanto deste ou daquele actor, mas  sim do próprio realizador, que não tem jeito nenhum para a poda (trocadilho rasca, mas foi o que se pôde arranjar). É o caso do génio de Steven Spielberg, cujos sindroma de Peter Pan e falta de maturidade (assumida pelo próprio),  talvez o tenham impedido de alguma vez fazer uma cena de sexo minimamente decente.  À excepção do assustador beijo lésbico de Whoopi Goldberg em The Color Purple,  que traumatizou a minha adolescência, as cenas amorosas dos seus filmes são sempre penosamente castas,  como num filme de Bollywood. É preciso não esquecer que o  máximo de tensão erótica que,  até hoje,  conseguiu num filme se deu entre um homem e um tubarão num barco.  
 

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