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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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"Casse-toi pauvre con"

por Vieira do Mar, em 28.02.08
 
A postura histriónica de Sarcozy veio reacender a eterna questão dos limites da moral na política: terá o político que foi democraticamente eleito para presidir aos destinos de um país, o direito a fazer aquilo que muito bem entender (incluindo figura de parvo) na sua vida privada, desde que tal não configure crime? Façamos um paralelo com Clinton (embora este não tenha sido tanto aquilo a que se atreveu publicamente, mas mais o que fez escondido e em privado): o problema não foi o broche (algo normal e saudável, se consentido e entre, vá lá, adultos), mas sim as circunstâncias de tempo e de lugar e o que revelaram ao mundo sobre a personalidade de Clinton: um acto sexual adúltero, praticado num local com o peso institucional, histórico, político que é a Casa Branca, mais especificamente a sala oval.  Neste contexto, a atitude de Clinton pode ser considerada desrespeitosa, fútil e leviana, e revelar no mínimo imaturidade e falta de sentido de Estado,  atendendo ao cargo que então ocupava. Ora,  por via disso, não se poderão transportar tais defeitos de carácter para a actuação política de Clinton e entendê-los susceptíveis de influenciar negativamente as suas decisões, chegado que fosse o momento? Claro que sim. Mais: tais comportamentos, não em si mesmos mas pelo que permitem extrapolar quanto ao carácter de quem os tem, podem e devem ter efeitos, depois,  nas urnas. Tomemos agora Sarcozy. O que é que havemos de pensar de um presidente que, um mês depois de se divorciar da mulher com quem mantivera uma relação turbulenta e apaixonada, se confessa estupidamente caído por outra, deixando a França em convulsão social enquanto se desfaz em amplexos amorosos pelos quatro cantos do mundo? Poderão os franceses confiar na sua racionalidade e bom-senso para, por exemplo, gerir situações de crise, face à manifesta falta de ponderação, de senso e de  auto-domínio da criatura? Não, não se trata de um ataque conservador ao comportamento amoroso do presidente per se, como se a liberdade sexual e afectiva  de cada um  fosse um mal em si mesmo (como é óbvio, não é), mas sim da forma como ele lidou e lida com a questão e do muito que isso diz sobre a sua personalidade. Tal como não é facto de ele estar bêbado, mas de o estar numa conferência de imprensa na Cimeira dos G8. Aliás, a prova de como o comportamento desbragado de Sarkosy (amoroso e não só) deve interessar aos franceses e ser por estes rapidamente sancionado, por ser revelador do  cretino que ele é,  está por exemplo aqui:
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