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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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...

por Vieira do Mar, em 27.11.07
pois eu gosto da ASAE

e não concordo, nem com as acusações de excesso de zelo, nem com as vozes de indignação generalizada. Ou há moralidade, ou comem todos. Donde, em havendo moralidade, não deve comer nenhum. A moralidade, neste caso, traduz-se na simples aplicação da lei, independentemente de a quem tal chateia, incomoda ou prejudica (subjectivamente falando, claro). Uma lei que visa proteger-nos, a nós, consumidores (repito: a nós, consumidores). E que deve ser aplicada sem excepções. Eu até entendo esta inquietação, de urbanos asseados que somos, apreciadores da “tradição” e do “típico” de fim-de-semana. Só que a tradição é algo, por definição, muito antigo e assim, referindo-se geralmente a quando as pessoas e as coisas mal se lavavam, a desinfecção era um conceito desconhecido e as salmonelas, uma série de sintomas desagradáveis sem um nome específico. Eu não me importo, e até agradeço, que as bolas de Berlim que, na minha infância, eram passeadas ao sol de Verão dentro de cestos abertos, hoje me sejam entregues com pinças, de dentro um recipiente refrigerado; nem que fechem a ginginha, um sítio bedunguento onde se roçavam os bêbados e os drogados que infestam o Rossio, e que só era very tipical, basicamente, para os incautos turistas, que ali sentiam frémitos com o atrevimento de partilharem os hábitos sujos dos nativos (a propósito, ler este post , com o qual discordo em absoluto); que fechem temporariamente o Galeto porque tem baratas na cozinha ( e que se mantém ainda hoje o melhor e mais útil restaurante de Lisboa); que as castanhas sejam assadas em fornos bonitos de inox e servidas num papel limpinho; que os ciganos engordem um bocadinho menos à conta do desplante e da violação indecente dos direitos de autor de quem faz roupas e filmes; nem que o dono de um restaurante tenha de apresentar facturas de compra e transporte dos bens que adquiriu (com as respectivas datas) e que me pretende servir - a mim -, de forma a que eu saiba que não estou a comer perca do Nilo em vez de cherne. Se, com isso, não puder servir os grelos que plantou no quintal nem fritar os ovos das suas galinhas do campo, azar: este é um mal menor, é o preço a pagar pela lisura das relações entre os agentes económicos. Além de que, se os outros profissonais da restauração servem ovos estrelados e grelos salteados sobre os quais pagaram imposto, porque razão hei-de eu (que pago ao Estado até quando como) contribuir para alimentar uma economia paralela que beneficia apenas alguns? Por isso, não: não me importo, e até prefiro. Gosto da ASAE e, para mais, trabalho diariamente com os seus inspectores: não vejo na sua actividade nenhuma cruzada fundamentalista, mas apenas uma eficiência empenhada que não olha a quem nem faz distinções. Coisa a que este Portugal, meio badalhoco e um bocadinho feudal (e que ainda vê os privilégios de alguns como coisa natural), não está habituado.

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