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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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...

por Vieira do Mar, em 13.06.06
brokeback mountain



Toda a razão, querida. E mais: Brokeback Mountain é um daqueles exemplos óbvios que nos permite concluir que a beleza é, de facto, uma poderosa arma de arremesso apontada à nossa sensibilidade e que não há nada como o belo (já lá dizia Platão), para nos fazer baixar as defesas e nos deixar a todos babados e a chorar por mais, seja esse mais de que natureza for. Aposto que, com este filme, Ang Lee fez mais pelo fim dos preconceitos contra os homossexuais do que duzentos desfiles histérico-gays pelas baixas históricas das principais capitais mundiais. Porque, quando o estamos a ver, nem nos lembramos de que ali estão dois homens, mas apenas dois seres humanos que se amam, escondidos de uma sociedade que não os aceita porque. Podiam ser dois indianos de castas diferentes, um judeu e uma árabe ou uma outra dupla qualquer, artificialmente fraccionada pela história e pela cultura dominantes, que os nossos e compreensão não podia ser maiores. Não há preconceito que resista ao sentimento de identificação gerado pela sensação pungente da pena, quando esta nos é devidamente embutida no coração. Tem tudo a ver com a forma como se diz e como se nos é apresentada, a estória, de modo a que não resvale, por um lado, para o exibicionismo panfletário, nem, por outro, para a tentação da tábua rasa. É um difícil equilíbrio, este, plenamente conseguido in casu: a coisa está tão bem feita e tão na medida certa que, não obstante eu ser mulher, heterossexual e saber de antemão que os actores são os dois heterossexuais, ter sentido na pele a carga erótica de algumas cenas supostamente mais arrojadas que, não só não me chocaram de todo como me deram algum gozo, quase como se nelas estivesse a participar (para além de ter chorado do princípio ao fim afundada no sofá, ao mesmo tempo que dava graças por me ter atempadamente poupado a figuras tristes numa sala de cinema em público). Heat Ledger e Anne Hathaway são comoventes até ao limite do desconcertante e Jake Gyllenhaal aprimora aqui o seu habitual registo de desnorte contido. Tudo neste filme é belíssimo, até (e principalmente) o desespero dos amantes e a esperança que se pressente para além dele. O resto, é paisagem. Igualmente bela, por sinal.

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