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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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...

por Vieira do Mar, em 06.09.07
A ROSA, de Chico Buarque (aqui, com Djavan)
(passar logo para o meio do vídeo)



Arrasa o meu projeto de vida

Querida, estrela do meu caminho

Espinho cravado em minha garganta

Garganta

A santa às vezes troca meu nome

E some

E some nas altas da madrugada

Coitada, trabalha de plantonista

Artista, é doida pela Portela

Ói ela, vestida de verde e rosa

A Rosa garante que é sempre minha

Quietinha, saiu pra comprar cigarro

Que sarro, trouxe umas coisas do Norte

Que sorte

Que sorte, voltou toda sorridente

Demente, inventa cada carícia

Egípcia, me encontra e me vira a cara

Odara, gravou meu nome na blusa

Abusa, me acusa

Revista os bolsos da calça

A falsa limpou a minha carteira

Maneira, pagou a nossa despesa

Beleza, na hora do bom me deixa, se queixa

A gueixa

Que coisa mais amorosa

A Rosa

Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?

Bandida, cadê minha estrela guia

Vadia, me esquece na noite escura

Mas jura

Me jura que um dia volta pra casa

Arrasa o meu projeto de vida

Querida, estrela do meu caminho

Espinho cravado em minha garganta

Garganta

A santa às vezes me chama Alberto

Alberto

Decerto sonhou com alguma novela

Penélope, espera por mim bordando

Suando, ficou de cama com febre

Que febre

A lebre, como é que ela é tão fogosa

A Rosa

A Rosa jurou seu amor eterno

Meu terno ficou na tinturaria

Um dia me trouxe uma roupa justa

Me gusta, me gusta

Cismou de dançar um tango

Meu rango sumiu lá da geladeira

Caseira, seu molho é uma maravilha

Que filha, visita a família em Sampa

Às pampa, às pampa

Voltou toda descascada

A fada, acaba com a minha lira

A gira, esgota a minha laringe

Esfinge, devora a minha pessoa

À toa, a boa

Que coisa mais saborosa

A Rosa

Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?

Bandida, cadê minha estrela guia?

Vadia, me esquece na noite escura

Mas jura

Me jura que um dia volta pra casa.


A cada vez que ouço esta delícia, dou por mim a pensar qual dos versos é o meu preferido; consoante o meu estado de espírito, a minha escolha muda. Hoje, posso dizer sem grande margem para dúvidas de que o "Egípcia, me encontra e me vira a cara" e o "A santa às vezes me chama Alberto, decerto sonhou com alguma novela", ganham o prémio de irresistíveis da noite. A ouvir, com uma atenção miudinha e fervorosa, quase religiosa, aqui ao lado. Ou a ouvir e a ver, ali em cima, a musculatura franzina de Chico, transpirando génio e graça. E vem-me à cabeça aquela história do Luís Fernando Veríssimo sobre nós (mulheres) e Chico, no elevador. Ah, pois, perdoa meu amor, vai, perdoa: afinal, é o chico. Nem era preciso elevador: um cooper, já seria decerto pecado, pela parte que me tocasse. Afinal, como disse o escritor, "diante de Chico Buarque todo homem é um corno em potencial." Ámen.



(aqui ao lado, a versão mp3)

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