Domingo, 30 de Dezembro de 2007
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todos os anos,

a feira de Novembro aqui na santa terrinha onde me encontro vem acoplada de uma excrescência: uma miserável tenda de circo, rodeada de jaulas fétidas e lamacentas, onde animais de todos os tipos e latitudes, desde camelos a elefantes e tigres, despojados de espaço, saúde e dignidade, vegetam tristemente. O circo com animais selvagens é um espectáculo medieval, cruel e degradante, e esconde todo o tipo de sevícias contra os bichos, que mereciam ter sido deixados na paz do senhor lá no seu habitat natural, em vez de sujeitos a um mimetismo forçado e ridículo para gáudio de umas centenas de labregos que riem muito, muito, quando a macaca levanta o saiote, o elefante diz adeus com a tromba ou a morsa bate palmas. Temos que defender estes animais, porque eles não o podem fazer sozinhos - é tão simples quanto isto. Os direitos dos animais, fomos nós, seres humanos, que os criámos, porque somos civilizados e percebemos que eles são criaturas em desvantagem que têm de ser protegidas, como as crianças ou os deficientes. Por isso, quando a violação desses direitos é tão flagrante que nos entra pelos olhos dentro, como é o caso, temos mais é que assinar petições e levá-las à assembleia, fazer muito barulho, indignarmo-nos publicamente, denunciarmos, cuspirmos na cara dos chen e dos cardinalis deste mundo e recusarmo-nos a servir-lhes bicas nos cafés. Mas, mais do que isso, temos todos de deixar de ir ao circo, cortando de vez com o seu sustento até serem obrigados a procurar trabalho nas obras. E temos também de ensinar aos nossos miúdos que aquilo não é diversão coisa nenhuma, para que nas próximas gerações já não seja preciso proibir nada, porque a coisa entretanto morreu de morte natural. E que eles saibam que existe uma hierarquia de seres humanos, sendo que os que maltratam animais estão na base da pirâmide.

Para ataques incontroláveis de fúria ou de choro, consoante o estado de espírito, vão aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui.




E, já que estamos no tema, aqui fica uma homenagem à Lucky (que se foi embora neste Natal), a única cadelinha que conheço que dedicou a sua vida a criar ninhadas sucessivas de gatinhos órfãos. Espero que aí no ceú dos cães onde te encontras, minha querida, haja muitas galinhas para perseguires e seres feliz.




publicado por Vieira do Mar às 20:00
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