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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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analyze this (or not... who cares?)

por Vieira do Mar, em 13.05.13

Esta noite sonhei que havia uma revolução. Uma revolução de um povo irado, mesmo, nada de chaimites, nem cravos, nem soldados sorridentes com criancinhas às cavalitas. À porta da minha rua,  os polícias, que eram todos robocops dotados de uma força sobre-humana, atiravam pessoas à distância como anões bala e disparavam cenas de borracha que mais pareciam bolas de beach ball, mas doíam, segundo os ais. De repente, vejo-me de pendura num motard (estes hiatos nos sonhos que resolvem as partes absurdas dão sempre jeito), cuja cara não vi mas que era seguramente giro, porque até nos meus sonhos mais alucinados existe alguma coerência, calma aí. Estranhamente, a ideia era partir os bancos todos, e não derrubar o governo (por bancos, leia-se instituições bancárias e não bancos de jardim embora esses também já voassem). O meu motard não dizia uma palavra, mas voávamos em fúria para o covil do lobo; ele era túneis, corta-mato e saltos em ghost rider mode, a caminho da Av. da Liberdade. Lembro-me que ia cheia de medo, mas determinada em partir aquela merda toda. Quando lá chegámos, o ambiente era de pura  guerrilha urbana. Às tantas, começo a pensar, agarrada ao motard, tipo coelho da Alice: “Ai que estou atrasada, estou atrasada, tenho que ir trabalhar!”. No momento seguinte (mais um hiato que deu jeito) estava num táxi (partilhado com outra revolucionária desistente, sendo que o que eu queria era outro revolucionário giro com idêntico dilema existencial,  mas hey!, nos sonhos não se pode escolher), a implorar ao taxista  que me levasse ao serviço;  e ele, “Menina, já não dá para voltar ao Marquês, aquilo está cheio de gente à tareia!, mais vale seguir até à 24 de Julho”, e eu “siga, siga, mas despache-se!”, com mais medo de não picar o ponto na repartição do que levar com uma das balas que zuniam sobre a minha cabeça. Infelizmente, isto diz muito sobre mim.

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