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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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a importância do peúgo branco no acasalamento das espécies

por Vieira do Mar, em 05.12.11

É claro que não falo das cabeleireiras, das empregadas domésticas, nem, em geral, das coitadas que têm de fazer o IC 19 todos os dias ou apanhar o cacilheiro da margem sul, essas contentam-se com pouco (shoot me now). Falo das outras, neste caso, de mim, que tenho a fortuna de não ter de ter de fazer nem uma coisa nem outra e ter nascido com o gene do bom gosto (shoot me again, not dead yet).

As mulheres (como eu) têm um scanner embutido que, em poucos segundos, analisa o gajo que acabaram de conhecer, como uma daquelas máquinas do CSI que procura balas nos mortos em projecções 3D. E não me venham com a conversa do “ai, eu primeiro olho para as mãos” e “eu é mais os olhos”;  que treta. É claro que se por azar deparamos com  umas unhacas cheias de porcaria ou um gajo que revira um olho para cada lado, nem passamos da primeira fase. Mas isso nunca acontece porque nós e eles vivemos em mundos paralelos e nunca nos cruzamos.

A questão é outra, e mete pormenores subtis. As peúgas brancas são obviamente um clássico. Nem que o gajo venha com um blusão da Marlboro ou com um fato do Ermenegildo Zegna (googlai), em olhando para o tornozelo imaculado de branco, está riscado. É como o fato de treino ao fim de semana, mesmo que o gajo vá, de facto, treinar. Não interessa. Que use calções com uma t-shirt, se tiver muito frio, um polar por cima e está a andar.

Aliás, coisas com zippers, em geral, dão muito mau aspecto. Até as calças de ganga dão mais pinta se tiverem botões de cobre do que um fecho (embora sejam danadas para desapertar nas horas de maior aflição – a nossa, digo eu).

Da meia ao sapatinho, vai um salto. Coisas com berloques ou fivelas, por exemplo. No primeiro caso, é metê-los numa máquina do tempo e enviá-los directamente para os anos oitenta, sem retorno. No segundo, dá pena que a fivela não seja de cinto;  assim podíamos enforcá-los e ficava o assunto logo arrumado.

Mocassins, sapatos de vela, sapatos clássicos tipo Tod´s (em geral, tudo o que tenha sido desenhado antes de terem nascido), botas timberland ou equivalentes, tudo bem. Ténis à preto jogador de basquete, é encestá-lo de imediato no caixote do lixo. Não podemos admitir ténis com mais de duas cores e a segunda já é uma borla.

Isto para não falar dos mata-baratas, que agora são cortados, fazendo assim uma espécie de finalização quadrada à frente, nos quais se vê perfeitamente que o pé acaba três centímetros mais atrás. Parece que andam com o pato donald nos pés. Horrível.

Gravatinhas, às vezes tem de ser, mas não há nada pior que a gravatinha fininha ton-sur-ton, tão de moda nos vendedores de produto. Aquele cetim lilás brilhante sobre a camisa igualmente lilás (cor-de-rosa também está a dar), a cheirar a casório suburbano, ali no pôr-do-sol II à saída de aveiras de cima. Era uma lata de gasolina e um fósforo.

O que nos leva à questão da xanata. Ah!, a xanata, a havaiana, ou como lhe queiram chamar. Porque, convenhamos: há poucas partes da anatomia mais feias do que um pé masculino. Que não tem direito a andar por aí a mostrar-se, a ferir a vista às incautas, pelas ruas da cidade. Homens de havaianas fora da praia, não pode ser, não pode! Devia haver uma PDH, uma polícia das havaianas, que obrigasse os homens a mudar de calçado à saída da praia, logo ali, onde acaba a areia e começa o asfalto.

O cabelinho também pode ser problemático. Evitem-se as patilhas, por favor! Poupa com gel, empinada tipo guggenheim de bilbao, ou seja, à cristiano ronaldo, não merece uma nega, mas antes uma bazucada, caso o gajo tenha o atrevimento de se aproximar de nós a menos de um metro.

E barba de três dias a uma semana só fica bem ao clive owen. Repitam comigo: só fica bem ao clive owen. Para compensar o picar e os arranhões nos preliminares (a parte dos beijos e do esfreganço cara-a-cara) só se for com o clive owen ou similar (como o russel crowe mais magro, ou assim). Para se usar barba de uma semana, é preciso ter-se cara para levar um estalo e dar de volta. E não ficar a parecer um camionista, um sem-abrigo ou um fashionista de duvidosa inclinação sexual.

Os portugueses, em geral, quando têm este tipo de barba ou são, de facto, camionistas, ou metrosexuais magrinhos que passam horas ao espelho a aparar o pintelho de um centímetro que lhes nasceu na nuca. Out, em ambos os casos. Até preferia o camionista,  se fosse para fins exclusivamente medicinais.

Aliás, e a propósito de metrosexuais: homens vaidosos em geral são de vomitar. Seguros de si é uma coisa (embora alguma insegurança até dê charme), galináceos vaidosões, outra completamente diferente. Riem-se sempre com a boca ao lado, já repararam? (esperem aí que vou ali fazer um bloody mary e já continuo: a propósito, gajo que não saiba o que é um bloody mary é pô-lo em frente ao espelho a rodar e a dizer o nome em questão três vezes, a ver se aparece o fantasma em questão e o come).

E depois usam aqueles clichés de engate  como se não soubessem que as mulheres são homo sapiens sapiens,  falam entre si (LOL) e que tiveram uma vida antes deles – geralmente, entremeada de outros como eles.

Podem usar coisas de marca, mas quanto menos se reparar qual é a marca que usam, melhor. Não há gajo mais giro que o da t shirt branca com as levis surradas. Logos pequeninos e escondidinhos, para manter a classe e para  só nós, quando nos chegarmos demasiado perto, repararmos  (por exo. na etiqueta), quando estivermos a lamber-lhes o pescoço ou a despi-los.

A profissão também é importante. Como não há CEO´s para todas, podem ser quase qualquer coisa, menos engenheiros (engenheiro parolo é um silogismo), advogados que só sabem falar do cu da petição inicial  e que não podem dar-nos atenção porque “têm um prazo que acaba amanhã”, ou aqueles  com cursos tirados nas “novas oportunidades” (one last chance to shoot me). De resto, sou muito liberal, desde que me dêem converseta e boa música.

A propósito de música, desconfiem dos que só gostam de blues e de jazz, por exemplo: toda a gente gosta de pop, só que esses gostam em segredo e, em público, desprezam-na, fingindo que nunca ouviram a M80. São pedantes e mentirosos. Ou então nasceram na altura e rondam os vinte agora, e aí já é uma questão de gosto. Há muitas que gostam de exercitar o desmame, o que não é o meu caso.

Quanto ao resto, se vos aparecer um que diz saber qual é o vosso perfume como se tivesse a tirar um coelho da cartola, esqueçam: é porque o reconheceu de alguma antiga namorada e o mais seguro é passar a noite a falar-vos dela. E convém, mais que tudo - mais que as peúgas brancas, as suiças, as xanatas - , evitar os que vêm com excesso de bagagem. São geralmente bens defeituosos. E é nessa altura que convém olhar bem fundo para os olhinhos: e não é para lhes ver a cor.

 

 

PS: Obrigada ao SAPO pelo destaque, embora não sei se deva considerá-lo um elogio. ;)

 

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