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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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...

por Vieira do Mar, em 05.07.07
Ontem (ou terá sido anteontem?), assisti a um dos momentos mais baixos da política portuguesa dos últimos anos. De visita a uma Docapesca algures, o Ministro da Agricultura e Pescas mais o Comissário europeu respectivo (acho), ladeados pelo habitual obsequioso séquito de inúteis, foi abordado por um pescador que se queixava do tratamento dado à questão pela União Europeia. Resposta do ministro, em modo escarninho, frente a dezenas de câmaras e microfones: “Olhe, se não gosta, peça para Portugal sair da União Europeia. Peça, peça!”. Tal como o pescador, que não respondeu, fiquei estupefacta. Nunca jamais vi tamanho desrespeito por parte de um político contra um representante do “povo” que, supostamente , representa, e que o elegeu. Foi o equivalente a um alto e sonoro “Vai à merda”, “Estou-me a cagar para ti, insecto miserável, não és digno de me dirigires a palavra”. Pior, porque com um insulto directo saberia lidar o pescador, que teria enfiado, seguramente, um pêro entre os olhos do ministro. Assim, limitou-se a ficar momentaneamente confuso e, depois de digerir a escarreta ministerial, a insurgir-se perante as câmaras: se aquilo era coisa para um ministro dizer, francamente. Já este, seguiu sorridente, mantendo a pose inchada de palhacinho rico. Foi de tal modo vergonhoso, que o próprio Comissário se sentiu - depois de lhe ter sido explicada a situação, presumo – na obrigação de dizer que compreendia o pescador, que a redução de quotas era para o bem deste porque, se não reduzissem as quotas hoje, não haveria nada para pescar amanhã… Embora, é claro que todos (a começar pelo ministro) saibamos que não é assim, que as nossas quotas diminuem, mas as dos espanhóis, para pescarem na nossa costa, aumentam, etc., etc., mas, pronto, sempre repôs um bocadinho a dignidade da coisa pública. No fundo, o que aquele fez foi dizer ao pescador “Eh pá, desculpa lá o teu ministro, que é um energúmeno; fica sabendo que nós, lá na Europa, não somos assim nem dizemos coisas daquelas às pessoas, ouviste? Deixa, que vamos tratar de ti”. Ao menos, uma aparência de cuidado, de defesa dos interesses das pessoas, de decência governativa, de pudor. Sim, um pingo de decência, já é só o que se pede. Porque não se aguenta, tanta perna aberta, tanta ordinarice, rasquice, lambuzice, venalidade e falta de respeito por quem os ouve. Já não há pachorra para as gafes nem para os erros de casting nem, muito menos, para uma encenação tão pobre e diálogos tão maus. Este é, sem dúvida, o governo mais pornográfico que Portugal já conheceu.

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