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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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...

por Vieira do Mar, em 16.04.07
Progestrona ruleZ!


"Uma semana antes, somos assim uma espécie de kim jong-Ilsizinhas prestes a despejar as nossas ogivas nucleares shocking pink sobre a humanidade só porque alguém sussurrou que somos curtas de perna e exageramos no cognac. Ficamos ditadoras loucas. Poderosíssimas e insanas. Tão depressa somos capazes de matar, com gosto, o povo que nos rodeia, à fome, como de lhe atirar rebuçados ao pés, por entre soluços de dó que nos turvam os sentidos.

Quando chega o dia propriamente dito, rebolamo-nos que nem croquetes fotofóbicos, afogamo-nos em trifenes num quarto escuro e entregamo-nos às cãibras, que mais parecem pontapés certeiros de Deus nosso senhor, apostado em relembrar-nos a cada vinte e oito dias que é nossa a culpa do pecado original.

Debalde, perguntamo-nos por que becos e vielas do corpo da nossa mãezinha terá andado o cabrão do cromossoma Y, para se ter perdido no exacto dia em que fomos concebidas...

Na semana que segue, a puta da retenção de líquidos que faz com que pareçamos aquários ambulantes a despejar devagarinho, com uma fuga algures lá no meio.
Como uma desgraça nunca vem só, finda a mesma e vazados os líquidos, acordamos enxutas, espernéticas, energéticas e prontas para acasalar com qualquer macho sem evidentes deficiências físicas, desde o trolha da esquina ao eng. Macário Correia, cujas imagens vagamente distorcidas nos surgem como hipóteses viáveis para a propagação urgentíssima da espécie humana.

O nosso amigo cio, esse ganda maluco, sempre divertido, tilinta-nos aos ouvidos que o ovolozinho está maduro, que já caiu e que vai a caminho, como uma pêra fresquinha numa camioneta de caixa aberta a caminho do mercado abastecedor da região de Lisboa.

De ventas coladas ao chão de asfalto, farejamos os trilhos deixados pelos machos incautos e saímos atrás deles, tratando de assegurar que estejam posicionados bem à porta quando o supermercado abrir, com a pêra em exposição, chamativa e reluzente.

Nesses poucos dias em que dura o estado de exultação física, a prioridade é apanhá-los a jeito e não ter medo de utilizar drogas, algemas ou mesmo as descrições eróticas do Paulo Coelho, porque para a propagação urgente da espécie vale tudo, mesmo tirar olhos (apêndices que, no caso, se mostram dispensáveis). Quem tem marido, por princípio (há excepções - e que divertidas devem ser!) salta esta fase da escolha, do un-dó-li-tá (whatever!) e aterra logo em cima do dito, assim tipo medalha de ouro na modalidade estafetas.

Na terceira semana (a que antecede a primeira), estabilizamos os níveis, ficamos quase, quase, serenas e é então que devemos aproveitar para pedir perdão, devolver as coisas roubadas e pagar os estragos e as contas de hospital. Enfim, para sermos encantadoras e equilibradas, e impingirmos aos outros o nosso efémero EU cor-de-rosa, feminil, meigo, carinhoso e sensato. Há que mimar com empenho e desinteresse os nossos homens, provando-lhes que eles são algo mais para nós do que repositórios gigantes de espermatozóides sub-aproveitados, aproveitando para mimar também os amigos e restante família, tentando convencer todos eles que, afinal, apesar do que possamos ter feito ou dito durante uma semana em cada quatro, não queremos nada que eles morram todos por asfixia com um penso higiénico entalado na garganta.

Porque, a bem dizer, só temos uma semana, mais coisa menos coisa, para tentar causar uma impressão aceitável no nosso semelhante, apagando a memória fresca das bombas atómicas que detonámos à nossa volta, tudo porque os nossos fluídos corporais seguem à risca o timing lunar. Com uma pontualidade britânica, damn it!"


(repost, e bem a propósito...ai!)

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