Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

...

por Vieira do Mar, em 24.04.06
Eu também quero!

...falar sobre os comentadores anónimos e o artigo do JPP, que não sou menos que os outros.

Questão prévia.

A fauna dos comentadores nos blogues é um nano-assunto, que interessa a muito poucos portugueses, verdade se diga. Por vezes, esquecemo-nos de que isto dos blogues é uma micro-esfera; o país real não sabe o que são blogues nem quer saber, a maior parte dos que compram jornais nunca sequer leu um blogue. É verdade que, volta e meia, se fala da coisa nos media, mas é um falar infinitésimo, que os nossos blogger-ouvidos ampliam como um aparelho da casa sonotone: a tribo está especialmente atenta a tudo o que diz respeito à tribo, é óbvio. O que, no mar de informação global em que vivemos é pouco, muito pouco. Muitos dos meus amigos não sabem o que é um blogue e usam a net apenas para pesquisas científicas, sacar músicas e o Gato Fedorento, e para espreitarem pornografia, estando-se positivamente nas tintas para esta nouvel literacia nascida nos blogues, fervilhantes de brilhantismo político, artístico, poético, literário, filosófico e humorístico. E olhem que os meus amigos, como os vossos, até são gajos instruídos, apenas acham isto dos blogues uma coisa esquisita, demasiado esquizóide e umbiguista, de contornos alienígenas. Eu compreendo. Quando quero que leiam algo que eu ou outros escrevemos, uso o email, e é assim que lhes chego. Neste contexto, o facto de JPP usar uma página de um jornal nacional com a tiragem do Público, em semana de coisas tão importantes como, por exo., o pogrom, parece-me um enorme desperdício. É claro que tal juízo de valor respeita apenas a JPP e a quem para tanto lhe paga. A ser eu a directora do dito diário, e não gostaria que um dos meus principais e mais conceituados colunistas escrevesse para o país inteiro sobre uma coisa que interessa e respeita a uma mini-minoria, passe o pleonasmo. Mas isso sou eu, que não escrevo em jornal nem mando em nenhum, portanto, who cares?, perguntam-me vocês e com razão.

Feita esta não-tão-pequena-quanto-eu-gostaria-ressalva, passemos ao conteúdo.

Divergindo um bocadinho da minha querida Cat, como ela bem sabe, não me parece que o facto de os comentadores anónimos, que têm como modo de vida o acto de aborrecer e ofender os outros com as suas extensas e antipáticas opiniões sobre tudo, terem blogue, altere alguma coisa, ou seja merecedor de especial referência. Porque a questão não é serem ou não anónimos, ou terem ou não blogues enquanto anónimos: é serem chatos comócaraças e persistentemente desagradáveis. O anonimato faz parte da natureza livre da blogoesfera e é saudável: esta é a minha singela opinião e a de muita gente que já escreveu e bem sobre o assunto, pelo que não adianta bater mais no ceguinho. O problema é outro e reconduz-se sempre ao mesmo: o facto de a maior parte das pessoas estarem aqui criando e/ou expondo e debatendo as ideias que têm sobre o que as rodeia, e cair-lhes em cima, sistematicamente, uma espécie de má-onda kamikaze, filha da falta de ocupação e prima da férrea determinação em chatear o alheio. A maior parte das pessoas normais, quando não gostam do que lêem, ou discordam educadamente ou passam em frente e não lêem mais, não voltam. É em nome desta maneira de estar na vida, logicamente a mais saudável, que me absterei de dizer aqui o que penso, designadamente, de alguns dos comentadores anónimos a que JPP se refere no seu artigo. Apenas direi que gente ressabiada e com demasiado tempo entre mãos, que gosta de chatear quem não conhece de lado nenhum, merece ser paga na mesma moeda, pelo que até é bom que tenham blogue (de preferência com caixas de comentários aberta e não sujeita à sua aprovação, como aquelas onde habitualmente abancam dias a fio).

Concluindo, no fundo, JPP tem razão. Se o referido artigo de jornal fosse apenas um post, seria um excelente post. Assim, e da perspectiva do público em geral, foi só um mau artigo de jornal.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2007
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2006
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2005
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2004
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D