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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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...

por Vieira do Mar, em 14.09.07
o eduardo sá é uma borbulha (III)


Hoje fiz uma descoberta assustadora. Parece que a borbulha e uma sua irmã gémea de nome Isabel Stilwell, têm um programa na Antena 1. Movida por um dos impulsos mais primários do ser humano, o da atracção pelo horrível, cliquei num dos podcasts (o do caso Maddie), curiosa. Eis o que ouvi (sim, temei!).

Stilwell: "(…) fui ao site da PJ (…) acredita que não há um comunicado, uma informação, uma nota (…) não há nada excepto a fotografia da Maddie no site das crianças desaparecidas. Como é que se poderia ter cortado neste momento tanta especulação e tanta maldade (…) um comunicado a dizer simplesmente, não sei quem não sei quem foi constituído arguido, ponto. Não sei quem não sei quem vai sair de Portugal hoje às oito e quinze da manhã. Cortavam a especulação e eu acho que isto não é maldade da polícia judiciária mas é ainda não terem compreendido que tem de haver uma diferença entre a parte da polícia que faz a comunicação e que dá o melhor de si e a parte que comunica para fora (…) porque já não estamos no tempo do antigamente em que aceitamos que não nos informem pelo menos do elementar sobre as coisas.(…) Eu às vezes até propositadamente parece que continuamos a gostar de privilegiar uns com uma informação aqui, outros com uma informação ali (…) que acaba por descredibilizar um trabalho que se calhar não tem nada que descredibilizar(…).
O texto é dito assim mesmo, num tom simultaneamente afectado e sedado, e num português desconexo que prima pela total desconformidade entre tempos verbais, sujeitos, predicados e complementos (como se dizia no meu tempo). Num disparate pegado, a senhora afasta a hipótese de "maldade" da polícia judiciária (ufa!), faz tábua rasa do propaladíssimo princípio do segredo de justiça (que até já os miúdos conhecem) e considera ser informação relevante e “elementar” , o sermos antecipadamente informados da hora de partida para Inglaterra dos McCann. Mais do que uma borbulha, isto é um ponto negro.

Eduardo Sá intervém, para, no seu habitual tom de sacristia, enunciar vários aspectos de que nos estamos a esquecer: "Primeiro, há uma criança que desapareceu e que pode estar morta”. Pasmo com a revelação, pois foi hipótese que não se me ocorrera (ou que, pelo menos, já havia esquecido: obrigada, pimple). "(…) Segundo, houve uma campanha fantástica que tem de ser repetida muitas mais vezes em função de muitas outras crianças e eu acho que nós temos que assumir que nós não podemos ser coniventes com as pessoas que fazem mal às crianças”". Portanto, note to self (repetir muitas vezes): não ser conivente com as pessoas que fazem mal às crianças (usar um silício apertado se a simples mnemónica não resultar e tiver muita muita vontade de ser conivente). Faço um esforço para levar a borbulha a sério e tento contrariar-lhe os argumentos (??): o facto de chamar à "campanha", “fantástica”, é no mínimo discutível. Vou ser crua e dura: apontar os holofotes mediáticos para um suposto raptor e para a criança que transporta consigo, tornando-os procurados nos quatro cantos do mundo, é o mesmo que transformar esta última numa espécie de “batata quente”. E todos sabemos o que se faz às batatas quentes quando as temos nas mãos. Portanto, e até ver, não terá resultado em nada de "bom", para a criança desaparecida, a mediatização excessiva do caso e a tal da "campanha fantástica".

A conversa continua alucinada, misturando conceitos como tribunal popular, olhos de vidro e derbies de futebol, mas eu fico por aqui (não aguento mais, dói-me a cabeça). Consta que este martírio é diário. Uma espécie de acne radiofónico, portanto.

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