Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

...

por Vieira do Mar, em 22.01.08


Uma coisa engraçada que concluo da recolha de testemunhos vários: já repararam que os homens não respondem por aí além aos nossos espirituosos mails? Quantas de nós não viram já as suas afectuosas mensagens caírem no saco roto do lixo virtual ou do centro de mensagens da plebe masculina? Estou em crer que isto é porque eles nos temem um bocadinho. A sério. Medo. Miúfa. Cagacinho. A maior parte dos homens acha que não nos compreende, a nós mulheres, e que está a milhas de conseguir prever as nossas absurdas reacções, por isso tem terror de nos enviar sinais que possamos interpretar de forma errada. A mensagem mais inocente por nós enviada é amiúde entendida como provocação/convite/estímulo/rejeição/desagrado (riscar o que não interessa), pelo que (pensam eles) o melhor é não dizer nada para não acicatar o animal. Aliás, para os homens, mulheres e inocência é uma contradição nos termos. Um espécime médio masculino, quando recebe um mail de uma mulher, descodifica o texto, analisa sumariamente os potenciais riscos e, se puder, arruma a coisa a um canto. Ou porque acha mesmo que está tudo dito e que qualquer resposta da sua parte seria desnecessária, ou porque o que quer que dissesse poderia induzi-la em erro e depois teria de ficar com ela à perna uma data de tempo, a entupir-lhe o correio, o telemóvel, a vida. É que quase todos os homens se relacionam com as mulheres que vão conhecendo com uma cautela e caldos de galinha que lhes advém de, em determinada altura das suas vidas, terem ficado traumatizados com o assédio bruto de uma fêmea descompensada. O que faz com que todas as mulheres com quem mantêm uma relação a respeitosa distância, sejam malucas em potência (pois quanto às que lhes estão perto, têm a certeza de que o são). Nós corremos poucos riscos de, perante um simples convite para um café, um deles nos responder de volta, “Sim, também estou louco por ti”. O mais certo é eles pensarem que, perante o nosso convite, o que queremos dizer é que estamos loucas por eles. Ou, pior ainda, que sabemos que eles estão loucos por nós. Mas, na verdade, os homens até têm a sua razão. Nós não nos ensaiamos muito para dispararmos entre dois sorvos de delta platina que sim, estamos loucas por eles, se estivermos na altura exacta do TPM (antes, durante ou depois, consoante o mapa hormonal de cada uma); só para desdizermos tudo uma semana depois. E, quando recebemos uma mensagem deles (ou de uma amiga ou mesmo do enlarge you penis), ficamos derramadinhas para responder, com os dedinhos logo a fibrilar em direcção ao teclado. Esta compulsão é a mesma que nos faz responder aos SMS's no meio de um cruzamento e sair do banho a correr quando o telefone toca. Porque nós adoramos responder, dar troco, retorquir: está na nossa natureza. Repugna-nos deixar os interlocutores sem resposta, adoramos alimentar o fogacho da converseta e somos capazes de passar horas naquela marmelada do desliga tu!, não, desliga tu! - e isto sem estarmos apaixonadas por ninguém. Até nos damos ao trabalho de confabular (ai o que nós adoramos confabular!) e de responder aos silêncios deles, tipo, não me respondeste porque isto, mas eu sei que querias dizer aquilo, sendo que o que eu acho sobre o assunto é aqueloutro. Chegamos a ficar a escrevinhar sozinhas enquanto eles se limitam a monossílabos que rezam para que soem ao menor comprometimento possível. É claro que, por esta altura, já muitas de vós estareis a pensar, ah mas eu não sou nada assim, para o que adianto muito rapidamente uma razão: se não sentem a compulsão de correr para atender, responder, porem-se a adivinhar ou retorquir em geral, talvez isso seja ou progesterona a menos ou testosterona a mais (e se calhar até um bocadinho de buço, não?). Há uma outra hipótese, claro: a de a falta de resposta ser apenas o resultado da falta de educação - sendo que esta atravessa qualquer género e manifesta-se de idêntica e desagradável forma em pipis e pilinhas.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D