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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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a experiência das nails de gel ou lá o que era

por Vieira do Mar, em 12.05.11

Odeio unhas de gel e afins. Odeio. Mas uma vez resolvi experimentar uma loja de “nels” aqui na minha rua a ver se acabava de vez com o maldito hábito de roer as naturais. Com uma camada de qualquer coisa em cima talvez me demovesse de ir lá com os dentes. Entrei na salinha, com marcação prévia, tudo overbooked, e parecia-me estar na antecâmara de uma casa de putas. Brasileiras e portuguesas de saias pelo fio dental e botas quase a chegar lá, revezavam-se na cadeira das profissionais, competindo entre si pelos apêndices mais horríveis, mais coloridos e mais enfeitados. Ele eram palmeirinhas, pôres do sol, florzinhas, e até caveiras para as mais góticas, embora fosse difícil distingui-las: a mim, metiam-me todas medo. Chatear-me com uma daquelas, por exemplo, no cais do sodré, implicaria umas belas arranhadelas das quais não sararia tão cedo, seguramente. Não tenho dúvida de que o propósito primeiro daquelas criaturas não era embelezar-se, mas sim armar-se para a guerra. O tamanho das ditas nails era pra lá de descomunal. Aquilo não dá para descascar uma batata, carregar num comando, enviar uma sms, e, last but not least, praticar qualquer tipo de masturbação (credo!). Aquilo são garras gigantes, parecidas com unhacas de águia, embora envernizadas e com cheirinho tropical em vez de cheirarem a coelhos mortos. Quando chegou a minha vez e as mãos secaram lá debaixo de umas luzes, e depois de eu ter garantido que queria verniz natural (olharam-me como se fosse uma pirosa sem qualquer noção de estilo), pedi-lhes que começassem a cortar. E a cortar. E a cortar. Até ficar praticamente junto da ponta do dedo, porque detesto unhas grandes. Foi então que comecei a sentir as atenções das xeenas guerreiras voltadas para mim. A rapariga que me atendeu lá me ia dizendo que não, que não, mas não me conseguiu demover, pois  reparei que a porta ficara entreaberta e que, se necessário, a fuga seria fácil. Quando final saí incólume para o ar livre, depois de largar setenta euros (era uma “primeira vez”) olhei para as mãos e reparei que, mesmo com tantos cortes e recortes, as unhas eram grossas e sobressaiam da mão, bojudas, como excrescências. Voltei imediatamente lá dentro e pedi que me tirassem aquilo. Como me tinham limado as unhas ao limite, para disfarçar a grossura das artificiais, no final da operação  estavam finíssimas e muito fracas. Apeteceu-me largar um fósforo à saída e pegar fogo aqueles materiais altamente inflamáveis que elas usam para tornar as mulheres um mundo pior e muito mais feio. Depois pensei que matava uma data de putas e de sopeiras de uma só vez e que lá se ia o sustento de várias famílias, No fundo, sou uma boa pessoa, até querida, mesmo tendo ficado com umas unhas de merda durante meses, que se dobravam com o vento.

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