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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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tenho dias

por Vieira do Mar, em 04.03.11

Os homens são cobardes na sua relação com as mulheres - têm um medo delas que se pelam, fazem qualquer coisa para não as chatear. Porque chatear nunca é exactamente apenas isso - incomodar, aborrecer -, mas sim despertar a ira dos infernos. Não há nada que mais detestem do que uma boa contenda; as explicações, guardam-nas para depois sempre que podem. Para eles, a insatisfação generalizada (mesmo que espalhada a cada uma das extremidades do corpo) é um mal menor: é o preço que têm de pagar para serem por nós deixados em paz. Querem sopas e descanso por isso estão sempre à defesa. Acham-nos agitadoras, reivindicativas e barulhentas. Os homens são o ministro que assobia para o lado e que só em último caso envia a carga policial - evitam o confronto a todo o custo, não vá algo mudar, estragar o seu status quo e obrigá-los a mexerem-se. Escondem-nos coisas pequenas - como terem-se cruzado com a ex-namorada - sem perceberem que (ao fazê-lo) estão a transformá-las em coisas grandes. Detestam generalizações de género e, quando lêem textos como este, enchem-se de súbita indignação filosófica e concluem que as mulheres não sabem nada sobre eles e que às vezes são todas um bocadinho louras burras, sim (os homens acham-se sempre diferentes e melhores do que os outros, pois vêm com um chip compara-pilinhas instalado de nascença no cérebro - não raras vezes defeituoso). Por muito que nos amem loucamente, não têm de nós grande opinião, tomam-nos por arruaceiras,  teimosas e irredutíveis como os gauleses, e não apreciam que só desistamos quando temos a certeza de que já ganhámos. Porque do seu ponto de vista nós ganhamos sempre - embora eles nunca percam: resignam-se. Não se esforçam especialmente porque entendem que, façam o que fizerem, o resultado final ficará sempre na nossa disponibilidade - como a cor dos cortinados. Estão convictos de que lhes pedimos a opinião quando não queremos saber dela para nada. Acham-nos umas pirralhas mimadas, mesmo que nos tenham ido buscar ao orfanato. Somos queixosas e queixinhas, raramente estóicas. Irracionais, ilógicas, umas doidas varridas que se exprimem essencialmente pela linguagem hormonal. Cata-ventos afectivos. Às vezes precisam de nós para as tarefas mais simples - como os miúdos para atarem os sapatos -, mas roem-se se têm de nos pedir ajuda com receio de despoletarem temíveis factores imponderáveis. Somos terreno minado. Querem estar de bem com todas as mulheres (passadas, presentes e futuras) ignorando que é impossível estar-se de bem com deus e com o diabo. E estão cem por cento seguros de que somos sempre vulneráveis a qualquer estímulo exterior, em especial se vindo de outro homem: os homens confiam pouco no discernimento sexual das mulheres. Mas são graxistas e aduladores: para eles nunca estamos erradas,  mais velhas ou mais gordas,  e a sinceridade desabrida é sempre o seu último reduto (por via das dúvidas). Julgam que preferimos falinhas mansas, rosas e anéis, embrulhinhos e embalagens, à pura e simples verdade. E desconfiam de mulheres audazes que se oferecem, apenas porque acham que alguém não as quis. Confundem desespero com desejo e necessidade com vontade de escolha. E este é sem dúvida um dos seus piores equívocos.

 

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