Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
faking

Sempre achei que na televisão se fode mal - e não me refiro a pornografia (embora aí por vezes também). A maior parte das actrizes não sabem fingir um orgasmo e muitos actores não conseguem sequer fingir que estão tesos. Neles, pouco convictos, existe uma patética falta de pontaria, parece que acertam sempre ao lado. Quanto a elas, aflige um bocado a inépcia, porque é tão fácil fingir um orgasmo. Eu fingi  alguns orgasmos, em especial quando queria que aquilo acabasse depressa. Qualquer dona de casa insatisfeita, mal amada ou apenas cansada, finge orgasmos melhor que a sharon stone: é uma questão de sobrevivência, de prioridades momentâneas, de aliviar a pressão. Uma mulher que diga que nunca fingiu um orgasmo, mente, a não ser que seja ninfomaníaca ou tenha vinte anos (mas nenhuma o admite, claro: todas temos vidas sexuais plenas, satisfeitas e irrepreensíveis). É claro que para se ser eficaz há regras e, ao contrário do que se pensa, a gritaria estilo meg ryan não só não é muito convincente como distrai, o que pode atrasar aquilo que queremos que acabe depressa. Tem de haver uma pretensão de contenção, um aparente desejo de prolongamento seguido de uma cedência quase contrariada ao êxtase, porque este traz o fim do prazer,  pelo que só finge bem quem já teve dos verdadeiros. É usar a memória sensorial, recordar e aplicarmo-nos com alguma convicção (nem é preciso muita: eles estão noutra). Por exemplo, fingir que se abafa o grito, o suposto incontrolável grito gerado por uma torrente que não vem, que não virá nunca porque não está lá. Foi assim contigo, muitas vezes, ficas agora a sabê-lo. Um frete.



publicado por Vieira do Mar às 18:51
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