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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

por Vieira do Mar, em 08.04.10

                                                                                                                                     

 

Volto ao blogue, só eu e com os meus botões. Dantes desconfiava, mas agora tenho a certeza: as pessoas que persistem nisto, diária e profusamente, são criaturas solitárias, por necessidade ou por vontade. Aqui não há ninguém para ninguém: há um talvez alguém que aparece, alguém que não seja doido, nem troll e que até perceba os nossos pontos de vista - esquizóides, deformados, fora deste mundo, cheios de rancor por só meia dúzia nos lerem enquanto achamos que temos toda a razão do mundo, mas não há quem nos ligue, foda-se. Volto só, mas agora tenho a certeza, pois enquanto o amor tomou conta de mim como uma ama-de-leite: extremoso e excessivo, a alimentar-me o corpo como a loba de roma, eu não tive nada para vos dizer. Nada. Aqui corre-se só: maratonas de palavras, noites insones, bilhetes privados, bocas, espadalhadas políticas, amorosas, familiares. Ninguém nos segura o ombro enquanto, pela noite fora, achamos que escrevemos o melhor e mais interessante post do universo. Quando perdemos tempo aqui, há alguém que nos perde noutro lado. Que não se diverte como nós, que nos esmiuça a gramática a tentar conhecer aquela ou aquele que lhe escapa sorrateiro aos lençóis para vir fazer-se ler. Para estar só. Por isso voltar a escrever não é bom. Volta com isto a puta da melancolia que se esfrega no focinho dos desasados e volta a ironia, que a enxota temporariamente para longe. Sinceramente, o que eu queria era cama suada pela noite dentro e espreguiçadeiras alancadas do ikea, o mar a perder a vista e eu a fingir que era da maré vazia e não da etar subdimensionada. Preferia não ter nada para vos dizer, levar a minha desinformada opinião a outros quadrantes, e ser toda uma alegria que não se escreve nem sequer se menciona para não estragar, tratada nas palminhas, com vozes baixas de monges reclusos, só pequenos ecos nas paredes de pedra,  a ser docemente mexida, mexida, mexida, sempre na mesma direcção para não talhar. infelizmente, volto ao blogue porque estou só e quando se está só ganha-se esse vício doentio da auto-análise, de se olhar para dentro, de procurar nas entranhas alguma justificação para a vida, motivos de riso. Parece pois, minha pouca meia dúzia de leitores inexplicavelmente ferrenhos que ainda por aí pululais, à mingua da minha escrita, que estareis com sorte. Neste momento, preciso da companhia das palavras como de pão para a boca. E de um bom bloody mary, mas isso está mais difícil.
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