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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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eu sou uma vampira

por Vieira do Mar, em 24.01.10

Na rádio, anunciam uma série original e inovadora, ao que parece composta por vampiros adolescentes. A dada altura, ouve-se uma criatura geração morangos-com-açucar dizer, com a voz carregada de emoção, "sou uma vampira". Se ela dissesse que era uma prateleira de supermercado, talvez acreditássemos. O absurdo risível abancou em definitivo na "ficção nacional".  Não sei quantos anos depois de Entrevistas com o Vampiro, de Crepúsculos, de filmes baseados na saga, de livros a imitar a saga, de séries americanas baseadas na saga... eis que chega agora uma inovadora e original série portuguesa... inspirada na saga. Eu não vejo novelas portuguesas por uma razão: a da credibilidade (ou melhor, a da falta dela). Nas séries portuguesas, jovens rebeldes sacados das ruas fazem sempre de jovens rebeldes, jovens gays tentam parecer hetero e fingem babar-se para cima das protagonistas, engradaçaditas mas invariavelmente sem glamour. E os actores conceituados fazem sempre de eles próprios:  por exemplo, a Helena Isabel faz sempre de Helena Isabel. O que vemos no ecrã são actores portugueses que aparecem nas revistas porque trairam a namorada ou afinfaram uma murraça num paparazzo, a debitarem textos em que tentam passar por outras pessoas. As novelas portuguesas são um desfile de gente com pouco  talento mas de grandes egos que só sabem fazer bem de si próprios. Quando a personagem é radicalmente diferente do actor e implica algum "trabalho de composição",  socorrem-se do estilo revisteiro, assente na gritaria, no espalhafato e na mão na anca, para conseguirem distanciar-se de si próprios. Por isso uma série de vampiros em português, para mim, desce os níveis da credibilidade artística para pârametros nunca vistos. A certeza é tanta que falo sem ter assistido a um único episódio, apenas ao trailer. É certo que a icnografia vampírica me irrita sobremaneira desde sempre (quase tanto como esta palavra: sobremaneira). Só um vampiro mexeu comigo até hoje, e esse foi o Dracula de Bram Stoker, há muitos anos atrás, pela mão do Copolla, mas isso é outra história - uma história para adultos.  O mais engraçado é que esta parvoíce colectiva é desdenhada por muitos adolescentes que conheço (que a acham risível) mas idolatrada por outros tantos adultos, muitos deles gente magoada que perdeu a fé no real e que se alimenta da línguagem virtual dos amores impossíveis.

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