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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

olha que dois! uma pérola, isto.

por Vieira do Mar, em 26.01.12

a mamificação das massas (ou a massificação das mamas)

por Vieira do Mar, em 25.01.12

Aligeirando, vamos à lingerie. Mais propriamente ao sutiã. Ainda outro dia estava numa grande superfície (sempre quis usar esta palavra: grande superfície); uma loja daquelas para gajas, que são na verdade hipermercados de roupa mas que não envergonham ninguém porque até já fizeram nome e têm cenas com estilo e tal. Dirigi-me à lingerie, porque rebentara-se-me uma alça do sutiã. Saltaram-me logo à vista os ditos,  esponjosos por dentro e artificialmente sobredotados. Eu, que sou do antigamente e que, para além do mais,  não preciso de reforços de enchimento, vagueei, vagueei, à procura de sutiãs normais, daqueles de renda ou de algodão, sem engrossanços supérfluos. Debalde. Reparei que um sutiã copa B, por exemplo, nos faz parecer ter copa C ou D. No meu caso, copa EE (rapazes, googlai, nisto das copas). Comprei um dos insuflados porque não havia de outros e aquele até tinha umas florzinhas queridas. Um inferno. Quando saí da loja já parecia a Pamela Anderson, mas sem o resto do pacote (cintura 22, lábios grossos, longos cabelos oxigenados, prancha de salvamento, etc.). Antes de entrar em qualquer sítio, primeiro entravam as minhas mamas, como que a pedir licença. Ainda por cima,  os desgraçados são curtos em cima (para serem usados com grandes decotes), pelo que  as ditas estão sempre a saltar para fora e a pessoa a revirar-se, a esconder-se, a torcer-se,  para enfiar aquilo para dentro e  acomodá-las como deve ser, por entre camisola interior, camisolão, cachecol e casaco. Devorada por tudo quanto era trolha, balconista-não-gay (uma minoria, é certo) e bancário na hora do almoço, consegui chegar a casa viva. E concluí  três coisas: primeiro, que hoje em dia nenhum exemplar do sexo feminino se contenta com aquilo que Deus lhe deu; segundo, que quem desenha aquilo só pode ser homem; terceiro, que as secções de lingerie das grandes superfícies são mais sex shops camufladas cujo objectivo é transformarem as teenagers em miúdas bregas e oferecidas, aspirantes a calendário de oficina,  e as mulheres de quarenta, em matronas igualmente oferecidas - mas sem direito a calendário, aparentemente acabadas de sair da clínica de implantes, em desespero de causa.

 

 

o divórcio

por Vieira do Mar, em 24.01.12

Quase todos os meus amigos já se divorciaram; alguns, mais do que uma vez. Uns dizem que é como morrer alguém próximo, há que fazer o luto, pelo menos dois anos. Tretas. Há quem saia de um divórcio cantando e rindo e quem sofra penas por longos e largos anos. Por vezes quem mais sofre foi quem o quis; e não por arrependimento, mas porque sim. Porque sem esperar se perde demais, e a esperança, insuflada pela noção de liberdade, só nos incute a ideia de ganhos. Um divórcio é doloroso; dói de facto como a morte de um ente querido; ou melhor, de uma vida querida que acarinhámos até se transformar num inferno ou num nada, num vazio. E tem momentos de volta atrás, se decorre de um casamento que, em tempos, até foi feliz. Temos que nos esforçar por nos mantermos nas partes más, se não estamos aqui e estamos no mesmo. Um divórcio provoca truques na nossa cabeça, que continua casada mesmo depois dos papéis assinados;  porque é uma cabeça que, para lá do desinteresse do corpo,  continua casada com a vida que tivemos, a única que conhecemos, e não com a pessoa em si. Muitas vezes, o outro  é o menos importante e o mais fácil de esquecer. O luto pode estender-se por anos; num lágrima a despropósito que corre pela cara  de  um filho, que só nós sabemos porque está lá, numa torneira por arranjar, numa ceia de Natal partida ao meio, numa viagem só para quatro, numa cama king size só para um. É  um processo de libertação e, ao mesmo tempo, de desconfiança. Interrogamo-nos muitas vezes para que serve a liberdade que ganhámos  - e que nos sabe tão bem – mas  desconfiamos do futuro, e se poderá alguma vez bater o passado, quando ainda era bom.  Um divórcio é um compasso de espera para os optimistas e uma experiência a não repetir, para os pessimistas. O acto de assinar os papéis é absolutamente simbólico; o que todos guardam é quando um deles  sai de casa de malas na mão, para não voltar. Consoante as situações, instala-se o vazio, o alívio ou o desespero. Às vezes, as três coisas juntas. Toda a casa nos lembra quem partiu, mesmo que tenhamos sido nós a desejar a partida (...quando vem o teu cheiro, dentro de um livro). A culpabilização é enorme, quando existem filhos, mesmo quando foi o outro a sacanear-nos por todos os meios. Os filhos de um divórcio, nos primeiros tempos,  são o fracasso a olhar-nos nos olhos, e esta impressão desvanece-se lentamente. Eu acredito que quando as pessoas se casam é porque se amam. E que, se se divorciam é porque se deixam de amar, apagando  nos filhos o selo de garantia que lhes estampámos quando nasceram: “Aqui está o fruto do nosso amor. Marca registada”. Dizem-me, vezes sem conta,  os miúdos adaptam-se, os meus estão óptimos, são os maiores amigos do meu novo companheiro, têm boas notas, nunca deram trabalho, não precisaram de psicólogo, eu e o meu ex damo-nos bem o que é bom para eles, gostam muito do novo irmãozinho. Mas, não esquecer: para eles, até em adultos, o pai era para ter ficado com a mãe e a mãe com o pai. Que tinham obrigação de se ter entendido. Por eles, que não pediram para vir ao mundo. A nossa sorte é que os nossos filhos gostam muito de nós, independentemente dos disparates que façamos, e fingem que se fartam só para verem em nós uma centelha da felicidade de que se lembram de quando os pais ainda eram casados, mesmo que estejamos com outras pessoas,  eternos estranhos para eles.

porque não escrevo assiduamente neste blogue

por Vieira do Mar, em 19.01.12

A mais velha chega a casa a chorar desalmadamente por causa de mais uma picuinhice com o emplastro. Depois de uma hora de soluços audíveis  e de "não quero falar com ninguém",  chega o emplastro e, presumivelmente,  fazem as pazes. O do meio chega a casa e trás consigo uma matilha de emplastros borbulhentos e espinafrudos que quase batem com a cabeça no tecto. Mochilhas atiradas ao calhas. Baixos, guitarras eléctricas e baterias a serem afinados no quarto. Coisas que caem, gargalhadas alarves, outras que batem contra a parede, não quero nem saber. Do que se passa no quarto da filha mais velha, à porta fechada, ainda quero saber menos. O mais novo chega da escola cheio de fome. Numa hora, uma caixa de cereais e um litro de leite vão à vida. Traz consigo um amigo nerd cuja única qualidade é comer pouco. Os aspirantes a banda de garagem assaltam a cozinha em me vendo de costas. As pizzas congeladas do pingo doce, compradas para uma ocasião de extremo cansaço em que não me apeteça cozinhar, vão todas. Só dou por falta delas muito depois, na tal ocasião de extremo cansaço, claro. Filha mais velha pergunta se namorado emplastro pode cá jantar. E se a amiga que está a chegar, também. Os adolescentes de barriga cheia resolvem descer à garagem para ver a aprilia nova do filho do meio. Não podem sair dali porque ele ainda não tem carta e andam às voltas lá dentro. Vizinhos a queixarem-se de que eles são muitos, fazem muito barulho e que não fecham a porta de acesso à garagem, pondo em causa a segurança do prédio. Voltam a subir, dou-lhes uma esfrega que lhes entra pelo cérebro (que na verdade ainda não têm), lhes atravessa o corpo e sai directamente para a terra, como uma descarga eléctrica sem dor nem consciência. Voltam aos Led Zepellin (que devem estar a rebolar na campa, ou lá no sítio onde estão, coitados). Chega a amiga emplastra, fecham-se os três no quarto a ver um filme. A partir das sete, começa o mantra caseiro, que se repete de cinco em cinco minutos: "Mãe, o jantar já está pronto?". Tapo os ouvidos e entro no hard rock café: "Quem fica para jantar?". "Mãe, se não te importares o castro janta cá e depois vamos às esplanadas". O nerd fica cá a dormir, isso já sei,  está com o mais novo numa outra dimensão, a jogar online com um paquistanês e uns suecos. Faço contas à vida, abro o frigorífico. Sustância, népia. Ao todo, somos oito. Saio à pressa para o  talho, quero 16 hamburgueres. Chego a casa, o mantra a repetir-se vezes sem conta, vindo de todas as partes da casa, as vozes ecoam na minha cabeça, numa onda esquizofrénica. Jantar, jantar, jantaaaaar!...Esparguete para a panela, hamburgueres com cogumelos e natas, 15 minutos (sou mais rápida que uma bimba, acreditem). Cada grupelho quer comer na sua zona de conforto. Tabuleirinhos para todos com os respectivos regrigerantes a gosto, guardanapos, talheres. Uma trabalheira para eles, que têm de vir buscar o seu tabuleiro à cozinha. Como é que é possível, eu não lhes levar a comida aos quartos? Comem em cinco minutos, louça na máquina. mais uma corrida para ver se a aprilia ainda está no lugar e irem às "esplanadas", onde pedem uma jola para todos (isto sou eu em negação, deixem lá). Filho mais novo e amigo nerd mostram resistência à àgua e dá-se início a um complexo processo de negociação que mete banho antes de irem para a cama. Mais meia hora de nerdice no pc, mais uma dúzia de zombies mortos. ok. Amiga da mais velha vai-se embora e os outros dois continuam no quarto, a ver o resto do filme (isto também sou eu em negação, mas pronto). Entra o mais velho às onze, disparado porta dentro (é sempre assim)  com a tropa acneica: vieram buscar as mochilas, de que se esqueceram. Eu,  de roupa interior a vestir o pijama, só tenho tempo de me atirar para a porta do quarto. Já composta, ponho-os a todos na rua, com um ultimato de cinco minutos e mando os nerds para o banho. Bato à porta da mais velha e espero muuuito tempo até a abrir (em negação,  mas não parva). Dou mais meia hora ao emplastro, porque amanhã é dia de faculdade.  "Oh mãe, é só acabar o filme...". Olho para a televisão e estão a ver o Saw III: Já se sabe como acaba: morrem todos cortados aos bocados portanto, dentro de meia hora, andor. Espero que as hordas se retirem enquanto acabo de arrumar a cozinha e penso seriamente em transformar a minha casa numa pousada da juventude. Pode ser que saque alguns fundos comunitários ou isso. Por volta da meia-noite, quando começo a abancar no sofá, dá-lhes para me virem, à vez, contar os problemas do dia. O que normalmente é eufemismo para ceia. Leites com chocolate, "Ficam melhores quando és tu a fazer, mãe!" (sacanas!) e pão com manteiga (quando sobra algum,, o que é raro). À uma já sei que o G chinou o D, que a B voltou a andar com o C, que o  setôr de informática é um retardado mental e que tenho recados para assinar por "falar demais nas aulas". De ambos os rapazes em colégios distintos (deve ser um gene). Isto tudo, portanto, começa depois de um dia de trabalho que acaba às seis. Percebem agora?

 

OKUPAS

por Vieira do Mar, em 13.01.12

O Amor Atrevido foi okupado. O antigo Controversa Maresia no blogger, também. Se alguém possui alguns conhecimentos sobre como contornar ataques em blogues da blogger (que não dão qualquer resposta ao problema), agradecia que me ajudassem. Tks.

hell´s kitchen à portuguesa

por Vieira do Mar, em 08.01.12

Não percebo tanto drama à volta dos portugueses maçons. A política portuguesa é uma cadinho de influências e de trocas de favorzinhos, seja coisa de centenas ou de milhões. É do povo, mesmo: somos  a malta do desenrasca aí, dá uma mãozinha acolá, coloca o meu irmão além, toma dinheiro aqui. Um país nepotista onde amigalhaços nomeiam e promovem família e outros amigalhaços e se cultiva a mediocridade. Com ou sem avental.

Não há negociata imoral feita por um gupo de tipos que fizeram meia dúzia de juramentos através de uns rituais tontos, que não possa ser feita por um grupo de gente com interesses comuns,  num jogo de golfe ou numa jantarada regada a copos. O facto de usarem aqueles aventais e de cultivarem o "secretismo" só os torna mais patéticos (embora no caso do Fernando Nobre isso seja impossível, dado que já rebentou a escala do "patético" há muito tempo").

Não entendo o choque de ter vindo à luz  que os gajos no poder e os que já lá estiverem são da maçonaria. Têm que ser "amigos" de alguém, senão, não estavam no poder, certo? Têm de ter prometido favores, feito favores, obtido favores,  para chegarem onde chegaram. Qual a novidade? Porquê levar os maçons mais a sério de que um qualquer outro grupelho de influência e obrigá-los a actos públicos de contrição e de confissão? Em que medida é que a democracia portuguesa se torna assim mais "transparente"? Hello?

Porque, das duas umas: ou este reboliço resulta de hipocrisia ou de ingenuidade. Os grupos de influência estão por todo o lado e reúnem-se nas casas uns dos outros, nos privados dos restaurantes, nos gabinetes das grandes multinacionais, depois de todos desligarem os telemóveis e de lhes removerem as baterias.

É pela dimensão da coisa, pelas ramificações "internacionais das "Lojas"? Deviam querer um néon à porta: Loja do Oriente: compra-se e vende-se favores, fazemos entregas no mundo inteiro. Então e a malta da política em geral,  não tem amigos no estrangeiro? Conhecem-se todos nas cimeiras, nos congressos, planeiam esqueminhas e negociatas nos corredores ou às portas fechadas. o PR nunca viaja sem uma "comitiva" de empresários portugueses, que não vão de certeza para ver a paisagem. E  porque é que vão uns e não outros?

Pretender "clarificar" o papel da maçonaria na "sociedade portuguesa" e identificar todos os políticos que a ela pertencem, como se os marcassem com o ferro do tráfico de influências,  é tão absurdo como pretender "clarificar" as "decisões"  dos nossos governantes - passados e presentes - se descobrirmos quantas vezes e com quem se juntaram no restaurante "Os Arcos", e quantos quilos de gambas e lagosta comeram (porque quem pagou já se sabe quem foi).

 

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