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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

le mépris

por Vieira do Mar, em 07.04.11

Tróia & Comporta

por Vieira do Mar, em 07.04.11

The Color Clash.

parece que é, dizem

por Vieira do Mar, em 04.04.11

 

Escrever com cuidado. Medir as palavras, antever as tensões. Pegar nas sílabas e sopesá-las, a nossa cabeça dois fiéis de balança. Estar atento à ficção desbragada, para que não possa nalgum canto aparentar verdade.  Fazer bem a distinção, exigem-nos. Portarmo-nos bem, andar na linha, mostrá-lo ostensivamente. Perder a piada quando na mentira, deixarmo-nos de confusões, de equívocos propositados, de mundos de cabeça pra baixo. Não fantasiar, não vá a fantasia ser confundida com um desejo insatisfeito, um estaria bem melhor noutro lado. Com outro qualquer. Atentar nos parágrafos, que tenham pouco de passado, se possível nada de nada, algo de presente e muito de futuro. Um radioso e em comum, para que a confiança não se perca e a dúvida não se instale. Coisas tristes se discutimos, alegres se nos reconciliamos. Os sentimentos no devido lugar, em perfeita coordenação com o momento e o local, como se de cortinados. Não deixar fugir dos dedos desinquietações nem tremuras, muito menos indecisões. Nunca o credo na boca ou o sangue à cabeça, ainda sai algo que não queremos. Que não pretenderamos. Pior: no qual nem sequer acreditamos. Escrever de mansinho e à cautela, sem subtilezas nem palavras dúbias, muitos significantes, nada de significados, e parágrafos seguros, com a assertividade de um telex quando ainda os havia. Poucos sentimentos, não vá o Diabo tecê-las. Sentir é dualidade, é errância, é instinto - e nós não queremos nada disso, não não, que se começamos a puxar a alma pra fora (a nossa ou a dos outros) sabe-se lá onde vamos parar. Falar de política, do tempo. Se do sexo oposto, só generalidades e, mesmo assim, há que não deixar ninguém mal na fotografia. Senão pessoaliza. Amua. Esgravata o texto, à procura de si nas palavras. E garanto-vos que se encontra. Sexo propriamente dito, então, nem pensar, muito menos em modo de memória descritiva. De qualquer modo, para o outro, todo o sexo é em modo de memória descritiva, mesmo o que nunca aconteceu, mesmo o que nem teríamos tido vontade de experimentar. Melhor é política, mesmo. Ou televisão. Ou política em televisão. Parece que isto é Amor, dizem.

(foto minha)

regresso a casa

por Vieira do Mar, em 04.04.11

vieiradomar@gmail.com

pnetbosta

por Vieira do Mar, em 02.04.11

Há uns anos bons, fiz parte de uma rede chamada PNET, acto do qual rapidamente me arrependi por razões que não cabe aqui explicar mas que tinham, também, a ver com o facto de o "dono" da rede passar por cima dos direitos mais básicos de personalidade, como o direito à imagem, à criação artística e ao nome, apropriando-se subtilmente nos seus sites do trabalho de terceiros sem o consentimento destes (e sem lhes pagar). Anos depois, a pessoa em questão não aprendeu nada. Via sitemeter, deparo-me com isto. Ou seja, o senhor dá a entender que eu ainda sou uma das suas cronistas (ler mais textos desta cronista) e apropria-se da imagem que consta no meu perfil do Facebook. Inacreditável. E eu só me pergunto como é que alguém pode levar a sério qualquer um dos tentáculos desta funesta rede, que se estendem blogoesfera fora (embora cada vez menos, é certo, e percebe-se bem porquê).

merda para os telejornais

por Vieira do Mar, em 02.04.11

Ligo a tevê nas notícias e só ouço falar em FMI, crise, taxas de juro, ratings, os raspanetes da Merkel, o gozo dos ingleses, os conselhos dos irlandeses, que somos o "lixo" da Europa, que vamos falir, soçobrar, desaparecer do mapa, kaput. Os jornalistas falam da crise económica como se noticiassem o tsunami no Japão, uma horrível desgraça natural da qual não vão restar sobreviventes, embora por enquanto  esbracejemos vivos por entre os escombros da derrocada, e apareçamos em directos escabrosos feitos de tripas e sangue. Ora, eu saio à rua e parece-me que a vida continua mais ou menos como sempre. Estamos no geral mais pobres, é certo, temos menor qualidade de vida, compramos casas com menos assoalhadas, mais longe dos sítios onde trabalhamos, levantamo-nos mais cedo. Temos dificuldades, muitos de nós desempregados, alguns porque não querem lavar escadas, outros viciados no subsídio. Na rua, as pessoas continuam a entrar nas lojas, as mulheres a cobiçar o mesmo único top. Compramos menos, compramos pouco, mais marcas brancas, menos gourmet, cortamos nos pequenos luxos. Menos livros, menos revistas, mas os carros continuam a enxamear a cidade nas horas de ponta, apesar dos combustíveis. Gente é despedida mas gente também é contratada; vendem-se casas, arrendam-se outras, menos dinheiro passa entre mãos. O sol nasce e põe-se, os nossos putos vão e vêm das escolas, das creches. Muitas são públicas - e são boas. Os mais velhos têm as mesmas crises vocacionais que tínhamos com a idade deles, mas muito mais escolha e um ministério com computadores que os ajuda a escolher. Têm o Erasmus, os voluntariados, a net que nunca os deixa sozinhos. Vivemos numa democracia e eu não tenho de usar burka nem chador quando saio à rua. Ganho menos, não tenho a vida fácil que tinha há uns anos (por outras razões que não apenas a crise), mas a praia continua lá, o mar, a areia, as arribas e é tudo de graça. Há filmes e séries giras, cada vez mais sítios para sairmos à noite, esplanadas onde podemos beber um café por menos de um euro e gozar a vista, cheirar o sol, rir com um amigo. Continuamos a apaixonar-nos; pelo novo namorado, pela filha que nasce, pelo sobrinho, pela vizinha do lado, pelo cão que trouxemos do canil. Andamos cansados, temos de dar mais de nós para receber o mesmo (ou menos ainda), mas temos hospitais, seguros de saúde, parques infantis, ciclovias. As rádios dão-nos música, chateamo-nos com o chefe, com a puta da colega que nos lixa, saímos à porta para esfumaçar, inspiramos fundo, voltamos a entrar. Trabalhamos em merdas de que não gostamos mas paciência, é assim com quase todos. O manel da tasca continua a servir copos de três e amarguinhas aos agentes da ordem, apesar da carga iminente do FMI. As administrativas continuam a falar do namorado da alexandra lencastre e do cristianinho. E apercebemo-nos de que o histerismo televisivo-jornalístico que nos prevê o armagedão é um bocado apenas isso mesmo: histerismo, obsessão, gritaria, politiquice rasteira à desgarrada, dia após dia e sempre no prime time. Tudo amplificado pelos jovens precários que querem a luta e que se acham únicos e singulares na sua normal incerteza de princípio de vida; e pelos políticos, que incutem no povo  esta novel fobia por abstracções cujo significado este mal entende, feitas de siglas, acrónimos e de estrangeirismos que seguramente nos farão mal, muito mal. Andamos com medo, mas não sabemos exactamente de quê. E eu, apesar de estar quase nas lonas, de lamber as montras e de pouco ou nada poder comprar para além daquilo com que faço questão de mimar os meus, acho que é importante ter isto em perspectiva: não obstante os ai-jesus europeus e do mundo em geral em relação ao suposto lixo que é Portugal (e que nos são diariamente gritados aos ouvidos),  temos carros, ruas, jardins, pessoas, mulheres de mini-saia, bebés nas cadeirinhas, autocarros, mini-pratos, menus do dia, jornais de ontem, salas de cinema, pipocas, imperiais, pão fresco - e  ainda montras para lamber.

não quero isto para primeiro-ministro

por Vieira do Mar, em 01.04.11

Algures no Jornal da SIC. Pedro Passos Coelho, de visita a uma escola,  para uma contínua (ups..."auxiliar de educação") mulata, que lhe disse que ele era "muito bonito":

- A minha mulher também é muito preta.

 

adenda: li a "conversa" reproduzida noutros blogues (designadamente no Corporações) e parece que afinal PPC disse que a mulher era muito "bonita". De qualquer modo, introduzir a mulher naquele contexto é incompreensível: parece estar a resguardar-se do piropo, mostrando que tem dona.  Por outro lado, mente descaradamente perante as câmaras (todos sabemos que, ao contrário do que dizem, o amor não é cego).  Em qualquer dos casos, é mau sinal.

...

por Vieira do Mar, em 01.04.11

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