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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

carne assada

por Vieira do Mar, em 28.02.10

Temos, então, os amantes. Amantes no sentido literal do termo e não no clandestino. Ele debruçado nela, num vaivém espacial,  cada vez mais rápido, frenético, ele o homem bala, o senhor incrível, o inspector gadget. Por fim, dá-se o big bang e há um universo que se expande, uma explosão nuclear no atol, um meteorito que cai e extingue os dinossauros, crateras no corpo que se abrem, a pele rasgada de gozo e tudo neles bate palmas, plateias inteiras de pé. E há gritos que rasam a pintura da parede nova, deslizam pelo chão, escoam-se pelas frinchas e abafam um trrrriiiiiiim metálico, de alarme, que se ouve por uns segundos na casa, noutro lado da casa, talvez na cozinha.  Momentos depois, e o corpo dele amolece, agora tombado no dela; as mãos de ambos descolam-se a custo e, aos poucos, o olhar circula em volta, preguiçoso: ali uma meia caída, uma bota amarfanhada no canto, o jornal da uma na televisão, a porta da rua a bater, o telemóvel que acende a luz de mensagem. Há a consciência a desemaranhar-se e há um latejar que esmorece. Regressa a visão periférica: o mundo já não é só o outro. As coisas reclamam de novo os seus lugares. E é então que ele, quando ela ainda se esfrega e desenrosca, lhe apanha o ouvido a jeito e lhe diz: "Bom, acabámos ao mesmo tempo que a carne assada."

ontem estava assim

por Vieira do Mar, em 28.02.10

o fotojornalismo pornográfico

por Vieira do Mar, em 27.02.10

Os desastres naturais em sítios com uma população (ou parte dela) pobre, são sempre um maná para os fotógrafos de ocasião -  e para os outros. Há sempre algures uma criança orfã ou desalojada com olhos tristes e cara suja cujo desalento sobressai por entre os escombros. Sob a capa do "fotojornalismo" dito sério, na onda World Press Photo, o sofrimento humano extremo transforma-se, através da câmara, num evento triste mas delicodoce - tristezinho, vá -, que suscita por um lado a piedade alheia, mas, por outro lado, a admiração pela sensibilidade e sentido de oportunidade do fotógrafo em questão. Que, com um bocado de sorte, ganhará um prémio qualquer e o concomitante reconhecimento público. E, embora qualquer imagem comovente que se preste a metáforas lamechas seja de todo preferível à brutalidade  frontal da última capa da Visão - Madeira (que mostra em grande plano um corpo enlameado em posição fetal - um pai, uma mãe, um filho de alguém - a ser retirado dos escombros), ambos os modos de "olhar" a tragédia debitam um exibicionismo pornográfico e um pressuposto venal que me repugnam. Ao invés de prazer, falamos de sofrimento, mas o princípio é o mesmo: descontextualizar, mostrar... e vender.

à atenção de todos, em especial dos madeirenses:

por Vieira do Mar, em 25.02.10

...

por Vieira do Mar, em 25.02.10

    © sofia vieira

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por Vieira do Mar, em 25.02.10

    © sofia vieira

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por Vieira do Mar, em 25.02.10

                     © sofia vieira

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por Vieira do Mar, em 24.02.10

                     © sofia vieira

em todo o lado vejo o mar

por Vieira do Mar, em 24.02.10

© sofia vieira

o masoquismo jornalístico em nome das audiências

por Vieira do Mar, em 22.02.10

Sinceramente, não percebo porque é que os jornalistas insistem em entrevistar Sócrates; o resultado é sempre uma farsa patética da qual ninguém sai a ganhar. É óbvio que o homem não sabe (ou não lhe interessa saber) o significado de entrevista em democracia,  entrando invariavelmente em estúdio  para o seu habitual monólogo de defesa propagandístico,  e pouco mais. Mas o que me espanta é que ainda o levem a sério e lhe dêem tempo de antena para ele espraiar o seu mau génio e fazer-se de vítima . E que um indivíduo esperto como MST tenha a ingenuidade de pensar que vai tirar-lhe nabos da púcara ou levá-lo a dar-lhe explicações sobre o que quer que seja. Que desperdício de energia, de meios técnicos, de mão-de-obra,  da atenção dos outros... de tudo. Desistam, porra. Isto só lá vai com moção de censura ou com eleições daqui a quatro anos. No entretanto, evitem dar-lhe mais  tempo de antena.

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