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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

promete

por Vieira do Mar, em 14.01.10

...

por Vieira do Mar, em 13.01.10

Primeiro, chegam-me os cheiros: o da lenha no ar  a aconchegar as alvoradas, o da alfazema roxa junto à porta, o da relva fresca acabada de cortar e o dos oregãos, que salpicam aos molhos o terreno do lado. E o cheiro dos meus próprios cozinhados, a janela um tudo nada aberta a travar o atrevimento dos gatos, e o aroma do refogado a fugir para o exterior e a perturbar os cães, que farejam sem descanso uma possibilidade de entrada. Depois vem o resto: os miúdos a rebolarem no jardim com o cão à rabia, de bola presa na boca babada, as hortênsias que namoram o musgo agarrado aos muros de pedra molhados, as citronelas acesas no alpendre, os amigos acampados na antiga vinha, o som da guitarra de alguém, os mergulhos na água fresca, a hera que cobre o azulejo antigo, o santo de gesso esboroado que nos benze à passagem para a casa-de- banho, o quadro cubano no pano da lareira -  uma lareira a sério, com capitéis em pedra, e o ninho de corujas que todos os anos entope a saída do fumo, coitadinhas das crias, houve um inverno que nem lume fizemos nem nada. Mas, principalmente, os miúdos, felizes; felizes, os miúdos, o sol a lambê-los com alegria, é Verão (por ali é sempre Verão). Então ele pergunta-me, com um sorriso virginal, se não quero voltar, se não quero tudo aquilo outra vez, e eu sim, claro que quero,  os nossos alperces são tão doces, e os pares de melros que nos orquestram as manhãs de domingo enquanto  nós na cama, a espreguiçar o tempo. Sejamos exactos: eu na cama e ele noutro lado qualquer, talvez noutra cama, no sofá; ou então eu no sofá: afinal, este sonho é uma reprodução exacta daquilo que foi e é por isso que lhe digo que sim, porque tenho saudades do que tive. Aceito, sim, quero, e entro de chofre na minha vida antiga, a pensar como te hei-de dizer que te troquei por uma promessa de relva fresca; preocupada, com medo de que fiques doente, que me morras, sei lá. É aqui que tu entras, portanto. Não exactamente a tua pessoa, ou a imagem da tua pessoa, mas antes uma intuição de ti, um sentir-te por cima de todos os cheiros. De repente, não sei porquê, acordo, e dou contigo ao meu lado. Enrosco-me um bocadinho mais no teu calor e sorrio no escuro, que bom ser Inverno e estar tanto frio lá fora.

gente estúpida

por Vieira do Mar, em 12.01.10

um tigre matou o dono,  que o mantinha captivo numa jaula. Vejo na tevê que a pessoa em questão era "coleccionadora" de espécies salvagens, enquanto um amigo diz para as câmaras que os animais eram "família" para ele. Estranho conceito de família, este, em que os parentes são presos e criados  em jaulas onde mal se podem mexer. A permissão legal de criação doméstica de espécies selvagens é um sinal de atraso, neste caso, do Canadá, mas podia ser dos EUA,  ambos grandes países com paradoxos culturais chocantes, como toda a gente sabe (embora o Canadá seja mais chato e tenha menos piada). O desprezo pela natureza selvagem de um animal, apanágio dos respectivos donos (bem como  do Estado que sanciona a sua prática), ou seja,  o pretender que aquele se comporte como nós, com suposta civilidade, é de uma arrogância e estupidez muito pouco civilizadas, na verdade.

de mansinho

por Vieira do Mar, em 07.01.10

 

 

 

 Entro de mansinho em 2010, são ainda muitos, os ecos de 2009. Foi um ano importante para mim, quase comparável aos anos em que nasceram os meus filhos. Aconteceu-me toda uma vida; aliás, olhando para trás, custa a perceber como é que tanta coisa encaixou e se arrumou em apenas doze meses. Vi o melhor e o pior da natureza humana e, felizmente, acabei o ano apenas com o melhor. Sobrevivi à ganância, ao ressaibo, à desconfiança, à paixão funesta, à obsessão, à culpa, ao desengano. Sobrevivi ao mês de Agosto. E ao Natal. E entrei com um pé a puxar para o feliz em 2010. Aprendi o valor do recato, que as primeiras impressões são sempre as mais certas, que aguentamos mais do que aquilo que achamos e que as coisas boas nos acontecem quando deixamos de as procurar.  Mas, também, que o instinto nem sempre funciona e que uma cabeça com a mania que é inteligente pode ser tão tola como qualquer outra, fazer figuras tristes e não reconhecer o mal quando este lhe bate à porta, toca e foge. Mas, mais importante do que tudo, aprendi a estar sozinha, comigo apenas. E a gostar do silêncio que a princípio me estrangulava, a apreciar a minha companhia. Um dia de cada vez.  Fiz amigos, em especial, homens. Percebi que são todos diferentes uns dos outros, como as mulheres e o resto, afinal: único e singular, numa escala que pode ir do péssimo ao excelente. Há que saber escolher, deitar o lixo fora, prezar o que presta. Tornei-me menos preconceituosa, alarguei o meu poder de encaixe, levei na cabeça, chorei que me fartei, mas também me senti desejada, querida, amada, como há muito não me sentia: houve uma espécie de cegueira enevoada que se dissipou e entretanto abriram-se caminhos. E é por eles que agora vou (entro de mansinho em 2010).

doing stuff

por Vieira do Mar, em 07.01.10

ano novo vida nova

por Vieira do Mar, em 05.01.10

os sítios são o que menos interessa

por Vieira do Mar, em 03.01.10

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