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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

divã precisa-se, já!

por Vieira do Mar, em 29.12.09

A noite passada tive um sonho lésbico, Foi uma coisa assim tipo fantasia colegial, ao melhor estilo manga japonesa, com direito ao kit todo, incluindo meninas de uniformes reduzidos pelas cuecas (não, esperem: elas estavam sem cuecas), No sonho, eu proporcionava-lhes, com brio e afinco, momentos de felicidade, sendo que não me lembro das caras delas mas recordo outros pormenores fisiológicos que se iam transformando ao meu toque mágico. Quando chegou a altura de entrarem em accção as regras básicas  da retribuição, infelizmente acordei, sem qualquer possibilidade de provar do meu próprio remédio. É preciso ter em conta que eu, que adoro marisco, não como mexilhões porque me parecem vulvas. O que torna tudo isto ainda mais estranho.


Já agora: porque é que os nossos maridos/namorados/amantes/amigos coloridos/homem do tallho, quando dizemos que tivemos um sonho erótico com outro homem, ficam com vontade de se divorciar, de nos ofender, de nos degredar, de nos vender bifes fora de prazo, a achar que somos umas putas sem perdão mas, quando dizemos que tivemos um desses sonhos com mulheres, querem sempre saber mais, os pormenores todos, conta lá, conta, o que é que ela te fez? onde é que te tocou? e depois, o que fizeram depois? conta mais, vá...

 

Haja divã e, já agora, que chegue para todos.

boxing day

por Vieira do Mar, em 26.12.09

sobrevivi. :)

Natal

por Vieira do Mar, em 24.12.09

 

 

 

Tu és o meu Natal.

dois estranhos

por Vieira do Mar, em 21.12.09

atraso de vida

por Vieira do Mar, em 17.12.09

Só mesmo num país atrasado e bacoco como o nosso, com uns media nivelados por baixo onde pontifica uma horrorosa TVI, é que o facto de uma juíza retirar uma criança de uma instituição para a entregar a um tio - que por acaso é homossexual e vive com outro homem  -, se torna notícia quase principal de um telejornal no prime time.

a árvore perfeita

por Vieira do Mar, em 17.12.09

 

Fazia sempre uma árvore perfeita, que impressionava devidamente família e amigos. Mudava de decoração todos os anos. No fim de cada quadra, lá pelos reis, desfazia a obra de arte e empacotava os enfeites por cores, que depois atirava para um canto da cave e que, caso não fizessem pandam com os do ano seguinte, não mais usava. Por vezes repetia as luzes, e o presépio era na verdade  sempre o mesmo, embora todos os anos lhe acrescentasse uma igreja iluminada, meia dúzia de figuras a caminho do menino, um ou outro pai natal animado ou mais um comboio em círculo, movido a pilhas, misturando o sagrado e o pagão numa histeria exibicionista de feira. Um ano depois, escolhia nova cor predominante e novo tema (consoante pendia mais para um natal sofisticado ou rústico), e percorria as lojas da especialidade, renovando o pinheiro gigante  que lhes custara um balúrdio com bolas e fitas e estrelas novinhas em folha, ora tudo azul e dourado um ano, ora tudo verde e encarnado no outro. O seu bom gosto era indiscutível, e irrepreensível o apelo aos pormenores, ao detalhe. Nada ficava fora do lugar: as bolas eram milimetricamente dispostas, separadas por cores e tamanhos, as mais pequenas em cima, as maiores em baixo; havia ali uma noção perfeita do equilíbrio e da estética; poderia ter sido decoradora de interiores ou de montras, tal o aprumo e a harmonia do resultado final. Escusado será dizer que era uma tarefa solitária. As crianças apareciam no fim e apreciavam o efeito com ahs e ohs pouco interessados, olha desta vez a cor é diferente, há uns bonecos novos, a mãe tem mesmo jeito para isto. Durante a decoração propriamente dita eram gentilmente escorraçadas por ela, que não podia permitir que a espontaneidade infantil trocasse o lugar às estrelas, entortasse os ramos do pinheiro ou partisse as bolas de vidro soprado (caríssimas). Só no fim deixava que uma delas pusesse a estrela grande no cimo, e sempre sob a sua cuidadosa supervisão, pois o resultado não podia nunca ser menos do que perfeito. Mesmo assim, quando as crianças viravam costas, ia lá e compunha-a à sua maneira, dando-lhe toques para a direita e para a esquerda até a achar perfeitamente alinhada com qualquer outra coisa importante. Entretanto, a vida mudou-se-lhe e os enfeites dos anos anteriores foram-se acumulando na cave,  fantasmas de natais passados, desperdícios empoeirados sem cor nem brilho (se uma luz se iluminar na noite e ninguém estiver lá para a ver, será que essa luz existe mesmo?). E o Natal voltou a chegar. Desta vez, não houve figurinhas acrescentadas ao presépio, nem enfeites milimetricamente dispostos, aliás, nem sequer houve presépio: a vida enrodilhara-se-lhe, dera voltas e mais voltas,  e ela de cabeça para baixo a repensar as prioridades, o lugar das coisas e das não-coisas. Atiçara-se-lhe no espírito o cliché mais velho de todos e questionava-se com fervor sobre o verdadeiro significado do Natal. Ainda pensou comprar uma briga para rever os enfeites antigos e empoeirados, mas depois percebeu que não tinha lugar para eles em lado nenhum. Agarrou nos miúdos, entrou na loja chinesa mais próxima, comprou um pinheiro pequeno e barato cujas hastes pareciam piaçabas, de um verde enjoativo e brilhante, e deixou-os escolher bolas e fitas e estrelas. E eles escolheram-nas: amarelas, roxas, prateadas e azuis. E até umas pretas, sinistras, que pretendiam seguramente  evocar qualquer coisa de design moderno mas que começavam a lascar mal se lhes tocava, deixando à mostra um dourado duvidoso. Compraram bonecos alusivos à quadra, figuras mal acabadas com o recheio de poliester  à mostra, luzinhas de arroz e uma estrela amarela de plástico, que parecia feita a partir  de um taparuere.  Vieram para casa cheios de sacos e, todos juntos, compuseram uma polimorfia alegre e desastrada, uma erupção cromática sem lei nem ordem. Quando acabaram foram fazer panquecas. E ela não sabia nem quando nem como tal acontecera mas, num repente que afinal durara um ano inteiro, o caos e a desordem que se seguiram à perda  haviam posto a descoberto o Amor.
 
(como um despojo arqueológico na maré vazia.  um despojo de incalculável valor)

dona do castelo

por Vieira do Mar, em 02.12.09

Amor perfeito
Amor quase perfeito
Amor de perdição paixão que cobre
Todo o meu pobre peito pela vida fora
Vou-me embora, embromadora
Você para mim agora
Passa como jogadora
Sem graça nem surpresa
Diga que perdi a cabeça
Se eu me levantar da mesa e partir
Antes do final do jogo
Louco seria prosseguir essa partida
Peça falsa que se enraíza
E faz negro todo meu desejo pela vida fora
Vou-me embora, embromadora
E quando eu saltar de banda
E quando eu saltar de lado
Vou desabar seu castelo de cartas marcadas
E tramas variadas
Sim
Seu castelo de baralho vai se desmanchar
Desmantelado
Decifrado
Sobre o borralho da sarjeta
Chegou o inverno

 
(adriana calcanhotto, quase quase chico buarque)

 

esta mulher tem uma pinta descomunal

por Vieira do Mar, em 01.12.09

o frigorífico

por Vieira do Mar, em 01.12.09

 

 

 O amor é feito de coisas pequeninas, microscópicas mesmo. É preciso perdermos a noção do todo,  alijarmo-nos da grandiosidade meio saloia da paixão para darmos de caras com ele em nano momentos preciosos. O amor não é toda a vida, nem do tamanho do mundo, nem promessas impossíveis de cumprir. O amor não é sempre tudo. É rirmo-nos da mesma piada quando todos os outros se calam, é termos a mesma cor preferida. Mas é, acima de tudo, abastecermos o frigorífico com os mesmos essenciais, como becel de cozinha, água tónica, água das pedras,  caldos knorr e limões. Isto não é apenas coincidência, é uma aleivosia kármica, é uma maldade  cósmica que nos prende ao outro como se um oráculo qualquer no-lo ordenasse. Afinal há alguém que, como nós, só bebe leite vigor do dia e insiste em comprar manteiga milhafre dos açores. Os grandes planos são sempre os mais ínfimos: escondem-se na prateleira lateral de uma porta e selam futuros como lacre derretido.

entretanto é só para dizer

por Vieira do Mar, em 01.12.09

que a controvertida marmota agradece a distinção e acrescenta que também a lê a ela.

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