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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Soneto do Amor Total

por Vieira do Mar, em 15.10.09

 

Amo-te tanto, meu amor ... não cante

O humano coração com mais verdade ...

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
 
Vinícius de Moraes
 

perdas, ganhos, o natal e a verdade

por Vieira do Mar, em 13.10.09

Durante anos enfiada no meu mundinho de privilégios a brincar às casinhas, nunca percebi muito bem porque é que certas pessoas detestam o Natal. Vejo agora, depois da perda que sofri este ano (mesmo que uma perda auto-infligida e deliberada que trouxe consigo o perfume de ganhos futuros), que faz sentido não se gostar do Natal, querer passar por ele como num sono e acordar já no ano novo, onde nos restam onze meses pela frente até querermos dormir outra vez. Onze não, dez, que agora o Natal começa em Outubro, como se vê pelas montras, fodido isto. Quando a gente se impõe uma perda, tudo na vida muda de repente. A diferença em relação às outras perdas, àquelas que nos são impostas, é que quando somos nós que as queremos, ao princípio tudo são ganhos, vantagens, benesses futuras. Como se, por mudarmos, mudássemos imediatamente para melhor. Perdemos uma vida mas ganhamos logo outra; abdicamos do nosso lugar numa hierarquia familiar estruturada segundo regras de anos e fazemo-nos à vida lá fora. De repente, uma perda  é parecida com estarmos de férias, tudo é fresco, tudo é novo, a liberdade é quase eufórica, o mundo espera-nos e acolhe-nos. Mas, passados alguns meses sem que nada de extraordinário aconteça, as férias começam a prolongar-se para além do desejável. E a gente sente um apelo desgraçado pela rotina que perdemos, pelo rame rame de que fugimos, e começamos a ter saudades das pessoas  e de tudo o que um dia, resolvemos - depois de muito pensarmos e sopesarmos - deixar para trás. É como se, depois de algum tempo a olharmos em frente e só em frente, começássemos como quem não quer a coisa a espreitar à socapa por cima do ombro. Será que fiz bem? São perigosos, estes estádios intermédios, de limbo, tenho perfeita noção disso. O canto da sereia que é o regresso ao status quo é muito poderoso e alimenta-se das incertezas e das pequenas desilusões. Felizmente, a minha memória longínqua é bem mais eficaz do que a imediata, que já nem me lembro do que almocei hoje. Mas lembro-me bem, dos rios de insatisfação que corriam fundo por debaixo dos presépios gigantes, das árvores e das decorações imaculadas, das fogueiras de Natal e das missas do galo. Lembro-me, principalmente, das palavras que, nos últimos anos,  ficavam sempre por dizer. Por isso sei que, apesar das alegrias que tive e que foram muitas, não quereria voltar àqueles natais tão perfeitos. Se calhar, este ano os enfeites serão diminutos, haverá poucas estrelas, azevinhos e singalongs;  e se calhar, o rat pack e o king´s college choir nem chegarão a este blogue: a perda que me impus (e que se estendeu a todos aqueles de  que mais gosto, o que é a parte fodida) torná-los-ia insuportáveis. E a liberdade, mesmo que agora me pareça sobrevalorizada,  trouxe-me ao menos uma coisa de que já não abdico: a verdade.  Só entende isto quem já perdeu pessoas, momentos, partes importantes da sua vida. No fundo, o que eu queria dizer é uma coisa que nunca ninguém pensou em ouvir-me dizer: christmas sucks e temos pena.
 

seguramente levou com os pés do sousa tavares

por Vieira do Mar, em 13.10.09

excelente,

por Vieira do Mar, em 12.10.09

a maioria absoluta de Costa em Lisboa.

not a very strange love

por Vieira do Mar, em 11.10.09

" Eu podia ser uma história má daquelas que se têm que repetir a toda a gente que aparece. Como um desastre em que toda a família quer saber pormenores. Só que há um filho que se ri demasiadas vezes para ser infeliz. Sou capaz de me aguentar anos a fio para lhe encher os olhos de boas recordações. Para isso e para lhe dizer o que vale a pena, ou não, guardar lá de casa. (...)"

 

 

João, que distribui pérolas com uma parcimónia intolerável.

peace, obama, mamen!

por Vieira do Mar, em 11.10.09

Ainda não li nenhuma reacção blogoesférica ao Nobel de Obama, parece que há muita gente contra. Eu, que se fosse norte-americana provavelmente nem teria votado nele,  achei bem. Independentemente daquilo que ainda não fez,  porque não pode, porque não teve tempo ou  porque mudou entretanto de ideias, o homem criou uma vontade unânime de paz, uma boa onda universal, uma consciência colectiva momentaneamente dirigida para o bem. E isso é mais do que alguns dos que já ganharam este prémio se podem gabar.

livros

por Vieira do Mar, em 11.10.09

Entretanto, o Dan Brown (DB) Já foi. O tom pró-americano que perpassa todo o livro é francamente irritante; os monumentos são os melhores do mundo, os museus têm mais obras de arte do que todos os outros juntos no mundo, os obeliscos  são os mais altos do mundo, os avanços científicos os mais importantes do mundo, e por aí fora. Em cerca de umas boas centenas de páginas, DB reduz a Europa a uma res nullius histórica. Parece que, depois das aventuras europeias, há que acarinhar especialmente o leitor norte-americano, intrinsecamente patriótico e ignorante além-fronteiras. O livro começa bem e agarra, mas rapidamente se torna, em vários aspectos fulcrais, demasiado previsível. E depois há as incongruências do argumento; detectei algumas, mas não as vou revelar agora, para não ser spoiler, o livro ainda nem sequer saíu em português, poucos o devem ter lido. Lê-se de um trago, é certo, mas só porque estamos até ao fim à espera de uma reviravolta, de uma surpresa, ná, não pode ser só isto. Mas é. Fraquito, portanto. Agora já estou agarrada ao Bolaño, embora a volumetria me desanime, tanta página, credo. Sim, porque eu embarco totalmente nas modas e sou demasiado cusca e influencável para não querer meter o bedelho naquilo de que os outros tanto falam. Pelo sim pelo não, comprei também o último do Lobo Antunes, a ver se é desta que consigo ler um livro dele até ao fim e abstrair-me da criatura insuportavelmente vaidosa que o escreve.

estranha forma de vida

por Vieira do Mar, em 11.10.09

Costumo detestar versões das músicas de Amália; de repente, sintonizo a RTP 1 e ouço a Teresa Salgueiro a cantar Estranha Forma de Vida, o fado mais bonito de sempre. E gosto. Teresa Salgueiro continua a ter uma das vozes portuguesas mais bonitas que conheço, apurada, doce e cristalina E é bonita, ela mesma, quando canta. A milhas das feias caretas de Mariza, que me distraem da sua magnífica voz, que eu não sei porquê me agride a sensibilidade, em especial quando grita e espalha a boca pela cara. Ouço a Mariza e só penso na sua feiúra, naquela cara angulosa e espetada. Não gosto dela, aliás, não gosto de fado nem de nenhuma daquelas miúdas queques, meninas-família de apelidos sonantes, que usam e abusam dos chailes, brincos e de toda a  farafernália fadista em geral,  esgares tortuosos em especial. Gosto da Carminho, a Carminho é diferente, aquilo é o coração na boca; já me pôs a chorar, como a Amália põe. A Amália põe-me sempre a chorar, quando vou no carro e calha em sintonizá-la, mudo de estação, não consigo ouvi-la assim, a seco, por entre a cacofonia da cidade que me entra pela janela. E de olhos mareados a condução torna-se perigosa. Não sou purista, sou a favor de versões novas de coisas antigas, de versões novas de coisas novas, há lugar para tudo e para todos. Mas quando se reinventa a perfeição o que se consegue é, invariavelmente, ficar uns degraus abaixo dela. Alguns ficam mais abaixo do que outros, no entanto. Aquela coisa do Amália Hoje, por exemplo, que já vendeu não sei quantos milhares e até trás orquestra sinfónica e tudo, está no subsolo.

private post

por Vieira do Mar, em 07.10.09

This Woman, Sean Riley & the Slowriders

este blogue

por Vieira do Mar, em 06.10.09

vai passar a ser escrito em código e a estar ao alcance só de alguns (poucos) iluminados.

 

(sim, estou agarrada ao dan brown, já cá volto)

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