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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

post especialmente dedicado ao (liiiiiiink!)

por Vieira do Mar, em 15.07.09

postits sob a forma de iutubes (II)

por Vieira do Mar, em 15.07.09

Não esquecer: repetir este refrão várias vezes ao dia, tipo mantra.

vassap?

por Vieira do Mar, em 15.07.09

 

- How did you find your son?

- I svapped him...

- You swapped him?!

- Swapped the baby for what?!

- For an ipod.

 

(adoro este homem, adoro)

 

 

gavetas

por Vieira do Mar, em 14.07.09

 

A gente acha que tem tudo bem resolvido, arrumado nas gavetas certas, ordenado por cores, afectos e números. A gente pensa que tem tudo sob controlo, que carrega num determinado botão mental e desliga, que carrega num outro mais ao lado e adormece, que se chegar ao botão da ponta, esquece. A gente ensaia malabarismos vários, faz do coração um contorcionista chinês, anestesia o corpo ao cheiro alheio, enevoa o olhar e evita que este poise e se concentre, recita mantras enquanto desvia, dispersa e se distrai da familiaridade invasiva dos pormenores, das pequenas coisas, dos gestos e tiques que um dia tanto quisemos. A gente transmuta os sentimentos, como os vírus que se adaptam em novas estirpes, a paixão reduz-se a fascínio, a tesão a amizade, a amizade a indiferença, a indiferença a incómodo, o incómodo a ódio, tantas são as viagens possíveis, de cá para lá e de lá para cá. E, no entanto, temos tantas certezas sobre aquilo que no momento sentimos ou deixámos de sentir que seríamos capazes de tatuá-lo na pele  para sempre.  Mas de repente qualquer coisa vem. Uma tempestade súbita e brutal que se abate sobre a nossa cabeça, uma palavra, um som, uma imagem:  algo que não devia estar ali, que não faz parte do filme,  um anacronismo emocional de uma violência inusitada que nos pega à sorrelfa e  que nos quebra como se, por dentro,  fossemos  feitos apenas  de pequenos galhos de árvore caídos no chão, daqueles já mortos e espezinháveis. Felizmente, assim que aquilo que nos fez misturar tudo outra vez pelas gavetas todas, como se fossemos penates enlouquecidos,  é  subtraído aos nossos sentidos, as certezas são-nos imediatamente devolvidas. O caos dá  de novo lugar à ordem e ninguém mais sequer pensa na ínfima cicatriz que se nos formou entretanto sob a pele.

pela vossa rica saúde...

por Vieira do Mar, em 13.07.09

... não percam a crónica de hoje do MEC no Público, sobre o cabelo das mulheres. Genial.

feliz

por Vieira do Mar, em 11.07.09

 

A felicidade faz-se assim, cozinha-se nos intervalos das ausências, enquanto vamos largando o lastro de algumas pessoas  e  antecipando outras que chegam, adivinhando-as de expectativas intactas. É também olhar para quem fica e está dentro de nós, é cuidar e ser cuidado, tendo-se prazer na tarefa. A felicidade é um momento aqui e outro acolá, é um vazio preenchido, é a palavra certa sob a luz ideal, é a sensação triunfante  de controlo sobre algo que nos andava a fugir. É o inesperado  exercício da liberdade, e é o alívio de dizer a verdade, de amar apenas a quem o coração manda. E de ser correspondido na dança palaciana do amor, que implica uma coreografia minuciosa e acertada. A felicidade é a sincronia, o emparelhamento, a coincidência e a congeminação dos astros;  é o triunfo do não quando a resposta não pode ser sim, é o alívio de estarmos no caminho certo e  a certeza infantil do pote de ouro no fim do arco-íris,  mesmo quando não vamos em cantigas e não acreditamos em contos de fadas. A felicidade é sabermo-nos libertar das felicidades antigas, velhas e gastas,  e conseguirmos rasgar  fotografias com leveza na alma, em especial as que nunca chegaram a ser tiradas.

 

*  hoje à tarde algures no Algarve

drama 3º ato

por Vieira do Mar, em 10.07.09

esclarecimento

por Vieira do Mar, em 10.07.09

Dois leitores dedicados (não é zero nem um, reparem: são logo dois de uma vez, o que me parece extraordinário) chamaram-me a atenção para a incongruência de, no post anterior, ter escrito “ missionariamente» para logo a seguir escrever que Adão comeu Eva “por trás”. Não é a mesma coisa, pois claro, fiz mau uso da segunda expressão. Na verdade, o que queria dizer é que Adão se virava de lado para Eva quando esta  lhe dava as costas desprezando-o no sono e pronto, era assim que consumavam o pecado original. Na verdade, não por trás, mas de lado, tipo lei do menor esforço. Pronto, imbróglio esclarecido; só maçadas, isto.

de regresso ao paraíso

por Vieira do Mar, em 08.07.09

Regressemos então ao Jardim do Éden. No momento em que a câmara se aproxima, vemos que Eva está chateada, mais propriamente a bufar de raiva, enquanto Adão finge que não repara, à toa com a razão de tamanha insatisfação (como sempre). Afinal, continua a cumprir primorosamente com os seus deveres, a caçar diariamente animais variados (entretanto evoluiu para a pesca),  a arranjar os galhos partidos da árvore da vida, a espantar os querubins,  e até a ajudar a mudar as heras-fralda de Caim e Abel. Cumpre igualmente com as suas obrigações carnais quando ambos se deitam no leito de folhas secas sob o céu estrelado – mas fá-lo pudica e missionariamente,  ou não estivessem  sob o olhar directo de Deus, ainda amuado e de beicinho por ter sido desobedecido (o que pode ser um tudo nada inibidor, convenhamos). Na verdade, a vida no Paraíso é chata: há pouca gente, o trabalho é sempre o mesmo, a paisagem que não muda. Adão, como adão que é, arranjou uma defesa: funciona em modo remoto e pré-programado, fazendo parecer que está tudo bem e convencendo-se mesmo disso; o rigoroso  cumprimento dos rituais a que se comprometeu tem nele um efeito de certo modo calmante, ajudando à resignação. Não se permite sentir grande coisa que não seja a saciedade temporária dos seus desejos mais básicos. Mas Eva está a passar-se de tédio – e do pior tipo de tédio, que é o induzido pelo cansaço: Abel não a deixa dormir de noite, Caim passa a vida a tentar matar o irmão, comem todos que nem uns alarves e deixam heras espalhadas por todo o lado. Quanto mais o tédio se apodera dela, mais os pormenores que lhe desagradam se agigantam. É a sunga dele que, se antes era sexy porque lhe aconchegava as protuberâncias, agora lhe parece um adereço foleiro e rançoso; são os seus músculos poderosos, de tanto caçar e desbravar o matagal, que agora o fazem parecer disforme e grotesco. E é a conversa, a mesma conversa de merda de sempre. Então, como foi o teu dia? Ah e tal foi bom, fui até lá abaixo ao vale, mergulhei no Tigre, depois persegui um veado, ele fugiu, eu corri atrás dele, ele fugiu mais um bocado, virou à esquerda, eu… Sim, sim, já percebi, e?... Bom, depois esfreguei-me no tronco de uma árvore porque tive comichão, comparei a minha pila com a de um cavalo selvagem que ia a passar e, para esquecer, fui beber uns néctares proibidos lá para os lados do Eufrates... Agora por acaso estou um bocado mal-disposto, se me arranjasses uma mistura daquelas de ervas não era má ideia. Diz isto tudo sem sequer olhar para ela e nesse dia por acaso Eva pintara o cabelo com uns pigmentos especiais que retirara de umas plantas raras, esfoliara-se com uma mistura de areias do rio e perfumara-se com umas flores especiais. Nem um reparo. Nessa noite, vai-lhe por trás como de costume, adormece logo a seguir e ressona, deixando-a acordada a olhar para as estrelas, preocupada em arranjar um psicólogo que assista Caim, o miúdo não anda bem, ontem foi um pedregulho directo à cabeça do irmão… No dia seguinte, Adão parte de novo para a caça/pesca (riscar o que não interessa) e Eva inicia uma vez mais a lida doméstica, mas, como é mulher e naturalmente capaz de multi-tasking, enquanto estende sungas e fraldas-hera nos ramos e eviscera o salmão, vai pensando na vida.  A falta de atenção de Adão a remoê-la, bem como a perfeita noção de que tudo nele é feito por obrigação, sem qualquer paixão ou devoção. E ela quer paixão, aquela vida não lhe serve.  É claro que Adão, como todos os homens, subestimou os níveis de descontentamento de Eva,  sem perceber que esta começara já a planear ver-se livre dele - o que teria percebido se tivesse atentado nos tubérculos reluzentes com que  brincava sozinha mal ele adormecia. Mas Eva fez ainda pior: subestimou a valia de Adão, que além de cumpridor com os horários, era limpinho, na generalidade bem-disposto, jeitoso com os galhos partidos e de natureza dócil, sendo o seu pecado maior  (não, não é esse)  o de não cumprir com os mínimos olímpicos de veneração da fêmea. Como diria uma sábia descendente de ambos,  milhares de anos depois, de empregada e de marido muda-se sempre para pior.

 
 
 
 

post its sob a forma de iutubes (I)

por Vieira do Mar, em 08.07.09

 

Não esquecer: acolchoar devidamente o coração contra homens  pequenos que respingam testosterona (vd. supra).

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