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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

já vai tarde

por Vieira do Mar, em 20.06.08

Scolari prestou um péssimo serviço ao futebol português; não que o futebol português me interesse especialmente, mas chateia,  ter visto tudo e todos sujeitos aos desmandos, às embirrações e aos coups de coeur da insuportável criatura. À sombra protectora desse outro inenarrável que é o Madaíl, não houve quem lhe exigisse fosse o que fosse ou quem lhe impusesse quaisquer condições.  Fez o que quis, e fez mal. É incompetente, desagradável, parvo, e já vai tarde, lá para onde vai. Estou com o Francisco:

"(...) Quanto ao resto, espero que Stamford Bridge conheça em breve Roberto Leal, a N. S. do Caravaggio, e o guarda-redes Ricardo."

 

...

por Vieira do Mar, em 19.06.08

Receita rápida para criar um pequeno monstro.

 

 

O mais estapafúrdio, ainda, são os comentários de apoio, tipo “LOL”, “Muito bom!”, “Fantástico!” e “Muito bem!”. Há até uma senhora que diz que trabalha na "área da educação" e que vai aproveitar certas coisas escritas no post em questão porque são “exemplares”. Juro, assim mesmo. O único exemplo de lucidez vem de uma tal de “Diabba” que às tantas, escreve: "E umas nalgadas, não?". 

 

 

com netos amigos destes...

por Vieira do Mar, em 19.06.08
O João fica a dormir em casa da avó. À noite, enquanto ele veste o pijama, a avó despe-se e veste a camisa de noite. Ao vê-la em trajes menores, exclama, convencido de que está a dizer uma grande coisa: "Ó Vó, tu vestida és bem mais magra!".

a melhor amiga

por Vieira do Mar, em 19.06.08

Andei a actualizar o  Passeai com posts antigos que estavam por publicar e encontrei este de 2005 que, não sei porquê, me deu vontade de trazer para aqui:

 

"A minha filha anda triste - de uma tristeza miudinha, inconfessada: zangou-se com a melhor amiga. E eu lembro-me bem - foi há tão poucos anos! - do drama que era, uma briga com a minha melhor amiga, razão de tanta fungadela nocturna abafada na almofada e de tanta angústia matinal no caminho da escola.
Nas idades pré-adolescentes, uma melhor amiga é muito mais do que um namorado ou uma irmã: é a alma gémea, é aquela presença constante, é tudo. Vivemos em estado de paixão pela melhor amiga, o que nos leva a ter ciúmes das atenções que dispensa a terceiros, principalmente às outras amigas - que não são as melhores, mas também são boas amigas. Porque , a melhor amiga, não a queremos partilhar com ninguém e estamos atentas à menor manifestação de desatenção e descuido por parte dela, que não toleramos. É a nossa primeira manifestação de vontade de posse absoluta (fora do seio familiar), este desejo de guardarmos a melhor amiga no bolso.
Quando eu era miúda (e a minha melhor amiga, também), a gestão das confidências e dos desentendimentos era feita através de cartas, bilhetes e , às vezes, de telefonemas curtos; hoje, elas trocam-se acusações por email e pedidos de perdão no MSN; de resto, os afectos são os mesmos.
Podemos ter muitas outras amigas ao longo da vida - e mais do que uma melhor amiga-, mas, seja no singular ou no plural, anos depois, ainda sorrimos com carinho, à lembrança daquelas intimidades e risinhos partilhados numa cama para um, e das conversas sussurradas sobre o sabor e a forma dos primeiros beijos. E temos músicas, que associamos para sempre às cumplicidades vividas meio em segredo.
Às vezes, as melhores amigas são-no pela vida fora; outras, deixam de o ser num segundo, naquele segundo em que o nosso universo se desfaz numa espécie de poeira atómica e nós temos a certeza de que não mais conseguiremos ser felizes. Zangarmo-nos com a melhor amiga é a primeira verdadeira sensação de perda, a primeira cicatriz.
Na maior parte dos casos, afastamo-nos da melhor amiga aos poucos e sem bem sabermos porquê; um dia, os segredos passam a ser partilhados com outros e as camas para um, também. Na pior das hipóteses, a melhor amiga transforma-se numa maçada anual à mesa de um café ou de um restaurante e, então, só nos resta recordar, com um sorriso nostálgico, a amiga que foi de outros tempos e deitar fora o seu número de telemóvel.


No fundo, a nossa melhor amiga é o nosso primeiro amor. Melhor: cada melhor amiga é sempre um primeiro amor."

oito anos, pá, oito anos...

por Vieira do Mar, em 19.06.08


Adenda: o dinossauro MagMag Frascatti:

>



(entretanto, só para dizer que acrescentei ali em baixo vários posts de 2005 que estavam no passeai inicial - só é pena terem-se perdido os comentários; alguns, verdadeiras tertúlias de mães amalucadas)

não estou a achar grande piada

por Vieira do Mar, em 18.06.08

a este europeu. Para tanto, têm contribuído:

 

- a mera existência do cretino do Scolari, que nos detesta quase tanto como nós a ele;

 

- os relatos daqueles senhores da TVI,  que são de uma eficácia anti-tusa absolutamente impressionante, conseguindo a proeza de transformar uma partida supostamente entusiasmante e emotiva,  que decorre entre os melhores jogadores do mundo,  num acontecimento suporífero que nunca mais acaba;

 

- os anúncios da TMN, em que os jogadores se mostram au naturel. Eu explico: quando a gente não os ouve falar, nem manifestarem-se por qualquer forma, ainda somos capazes de nos entusiasmarmos quando marcam golos  e gritarmos absurdos como:  " Ronaldo, és o maior! Grande Deco! Boa trivela, ó Quaresma!". Agora, como endeusar, mesmo que por um cacagésimo de segundo, um tipo destes, depois de o ver aos pulinhos em frente a um telemóvel, com ar de  descerebrado, a dizer olé olé para um outro descerebrado que está do lado de lá?  Assim não dá, santa paciência.

paris e futebol

por Vieira do Mar, em 17.06.08

No dia do primeiro jogo de Portugal estávamos em Paris e  resolvemos assistir ao jogo num restaurante onde habitualmente se reúne a “comunidade portuguesa”. Rapidamente concluímos que tínhamos poucas saudades das febras, dos frangos assados, das mines, do carrascão e dos empregados a servirem-nos por especial favor, e optámos por uma brasserie lá perto,  com um ecrã gigante. Onde, é claro, também havia  um empregado português, mas este já sujeito às regras de bem servir francesas, pelo que não tivemos de lhe implorar pela comida,  nem que nos matasse a sede. Depois da vitória, começámos a ouvir buzinas e gritos cá fora; nada de estranho, afinal, estávamos numa espécie de cantão português. Mas, a caminho dos Campos Elíseos, o barulho, em vez de diminuir, aumentava. Em menos de uma hora, a principal avenida  francesa estava apinhada com milhares de portugueses, de carro e a pé, que pura e simplesmente pararam o trânsito e comemoraram como se Portugal tivesse ganho o campeonato. Eram maioritariamente portugueses de segunda geração, miudagem que não sabe sequer dizer “Portugal” e diz “Pórtiugale”. Paravam os carros quitados em segunda fila, abriam o porta bagagens, de onde saíam duas colunas de som gigantes, e punham no máximo coisas como o bacalhau quer alho e o arrebita, arrebita, arrebita, bem em frente a uma das lojas mais bonitas e luxuosas do mundo, a da sede da Louis Vuitton, num estranho paradoxo sonoro e visual. A reacção à polícia que, impávida e serena, ia passando, era de alguma provocação, mas sempre aquém de quaisquer excessos que pudessem levar à intervenção desta. Tudo soft e à boa maneira portuguesa, portanto. Aliás, a polícia francesa (pelo menos a parisiense) tem esta atitude que me parece admirável, que é a de só intervir quando as liberdades dos outros estão em causa. O trânsito em Paris, por exemplo, é uma eficiente contravenção em todas as direcções, porque só assim é possível a circulação simultânea de alguns milhões de pessoas: uma gestão de bom-senso, portanto. Bom, mas retomando o que estava a dizer: os poucos franceses, e os restantes estrangeiros, que conseguiam furar as barreiras formadas pelas bandeiras, a gritaria e a péssima selecção musical, respondiam com “Morue! Morue!” e “Ronaldô”, olhando os portugueses com aquela curiosidade divertida que se dispensa a uma cultura alienígena. Estranho, aquilo,  ver cidadãos franceses, nascidos em França, alegando súbita pertença  a um outro país que, se calhar, nem conhecem, exprimindo-se numa língua que falam mal, e fiéis a tradições que já só o são fora desse outro país, como os ranchos folclóricos ou o vira. Fiquei com a sensação de que ser português, lá fora, continua a ser o sonho de um dia deixar de ser português, embora não se saiba bem como.  Já aqui o disse, eu sei, mas mais uma vez  a ideia assaltou-me em força: parece que não há maneira de nos livrarmos disto, desta mediocridade endémica que nos faz sermos sempre iguais à caricatura que os outros fazem de nós.

tatuagem/esse cara

por Vieira do Mar, em 16.06.08

 

“Essas mulheres de dentro de você são lindas!”

steel magnolias

por Vieira do Mar, em 16.06.08

 

 

Uma maravilha.

 

haveria muito para dizer

por Vieira do Mar, em 12.06.08
Como (por exemplo), que a nossa sociedade está organizada de forma tão frágil e periclitante que, por causa de umas dúzias de camionistas musculados, ontem não comprei leite para os miúdos e quase não tinha gasolina para chegar a casa. Ou como os portugueses jogaram bem que se fartaram e o modo convicto como desprezo a filosofia subjacente a frases como “ganharam mas não foram brilhantes”. Só que chegou o Verão. E eu sempre achei que muito sol a brilhar é intrinsecamente incompatível com a actividade do bloganço intensivo, tenham lá paciência. Aliás, tenho um profundo preconceito contra quem continua a blogar ao ritmo da invernia, apesar da maravilha que é os dias lá fora. Acho mesmo um tudo nada anormal. Também haveria muito a dizer sobre essas pessoas, mas lá está. Ou sobre outras, como as que me irritam profundamente pelo simples facto de postarem um monossílabo, quiçá de existirem (há uma certa gaja, então, que nem vos conto). Mas não vale a pena perdermos tempo com as minhas fraquezas. Isto, agora, qualquer coisa de jeito, desconfio que só lá para os idos de Setembro. Talvez antes, se a equipa portuguesa me der razões (ou se a gaja se voltar a atravessar no meu caminho e a minha carne for fraca, fraca).

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