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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

let´s stay together

por Vieira do Mar, em 06.03.08

"It is preety pathetic..."

por Vieira do Mar, em 05.03.08

Jon Stewart & Hillary Clinton

 

 

(gosto dela)

...

por Vieira do Mar, em 04.03.08
o semi-deus


Para muitos, sou uma daquelas mães, tipo, desnaturadas, que não têm a menor paciência para acompanhar os filhos nos progressos escolares. Gosto pouco de preencher os hiatos deixados pela escola e de participar activamente na realização de trabalhos de casa, de trabalhos de grupo, de trabalhos em geral. Acho que, salvo um ou outro conselho ou tira-dúvidas, eles devem fazer as coisas sozinhos, pois a minha escolaridade já a fiz há muito tempo e não me apetece por aí além rememorá-la, além de que grandes ajudas neste domínio fazem mais mal que bem, pois as criancinhas não desenvolvem. Da mesma forma, acompanhá-los nas actividades extra-curriculares, agora tão de moda para os preparar para esta sociedade super-hiper competitiva, é geralmente uma seca. Por exemplo, as aulas de natação num passado ainda recente: um menino de dois anos, outro de cinco e uma menina de oito. Vestir, despir, touquinhas, calções, fato de banho, chinelos, tampões. Guardar tudo no cacifo, enviar um para cada piscina. Correr entre elas durante cinquenta minutos, espreitar no vidro para que cada um, quando olhasse para cima, visse a mãe babada a cada incipiente braçada e espanejadela à ganso (mas na verdade a ansiar por um café e uma revista no restaurante do lado). De repente, eu naquela correria e a aula já acabada. Ir buscá-los, a roupa molhada nos sacos, os duches, secar-lhes o corpo, vesti-los (calçar-lhes as meias, ah! como eu ODEIO calçar-lhes as meias…), secar-lhes o cabelo, tê-los prontos para saírem, por fim, carro, cadeirinhas, cintos. Chegar a casa a achar que poupei numa ida ao ginásio, pois já treinei o suficiente nas duas horas antes. Tenham dó: aquilo era um inferno. Agora já se vestem sozinhos, mas andam sempre a inventar coisas novas às quais é preciso ir pôr e buscar, o que é só por si uma enorme maçada. A algumas, somos até forçados a assistir e a dizer-lhes que são muito bons e que evoluíram imenso, enquanto pedimos mentalmente a Deus perdão pelo pecado da mentira. Assistir aos jogos, aos intermináveis jogos. De futebol, andebol, voleibol. Hoje é o ténis, amanhã o lacrosse. Ainda por cima eu, que detesto desporto em geral, e coisas com bola em particular. Houve, no entanto, uma altura em que a minha filha fez parte da equipa feminina de basquete da escola. Não jogavam nada e iam aos outros colégios levar trepas monumentais das outras equipas. Os jogos eram aos sábados de manhã, altura de ir à pastelaria tomar o pequeno-almoço, ficar a ler o Expresso e depois ir à praça – aquilo não dava jeito nenhum. Mas eu lá estava, indefectível, com a miúda para aqui e para ali, a apoiar, a incentivar, quase uma cheerleader do princípio ao fim dos jogos. É claro que, bom, para tanto, talvez tenha contribuído o facto de o setôr de ginástica (simultaneamente o treinador, o árbitro e o organizador-mor daqueles lamentáveis eventos) ser assim uma espécie de semi-deus. É que nem vos passa, juro.

o salteador dos afectos perdidos

por Vieira do Mar, em 03.03.08
É um tipo de homem que faz alguns estragos. Provoca sentimentalmente as mulheres, da mesma forma que estas (algumas delas) provocam sexualmente os homens: com empenho,  persistência e gozo. Tem geralmente uma vida sem  detalhes amorosos relevantes; não porque não tenha quem goste dele (aliás, é geralmente uma pessoa adorada), mas porque é incapaz de retribuir o amor na mesma medida. Sente-se afectivamente incompleto e sabe que o defeito está nele pelo que, como um vício, alimenta-se da paixão que induz em outras mulheres na esperança de que alguma um dia o preencha. Ateia chamas como um pirómano no pico do Verão; provoca um fogo de cada vez, numa mata criteriosamente escolhida e na qual se insinua, rasteiro. Acende uns fogachos aqui e ali, em várias frentes, até lhes ser difícil, a elas, combaterem o fogo todo de  uma vez. Provoca amiúde verdadeira devastação e um rescaldo que se prolonga no tempo. Porque ele nunca se envolve e sai de cena sempre a meio; e não dá nada de si parecendo que se entrega inteiro (porque tem pouco para dar, na verdade, quase nada). Quando se apercebe da seriedade e empenho do sentimento alheio, retrai-se e tenta várias estratégias. Uma (a mais frequente e cobarde) é recorrer ao humor e à ligeireza: tenta brincar com o monstro que criou, transformá-lo num gatinho inofensivo, para que não se torne numa ameaça. Isto tende a confundir aquela que, enquanto ainda arde, não percebe a razão de tais baldes de água fria. Por forma a manterem a face, elas alinham no jogo e, se não lhe respondem na mesma moeda (porque por enquanto não conseguem: aquilo queima), fingem que ele está efectivamente a conseguir apagá-las e acabam por aceitar o lugar de canto para onde são relegadas. A seguir, dá-lhes a entender que foram elas que interpretaram mal os sinais, numa cerimónia de transferência de culpa. Aceitam-no, por fim, como amigo e renegam quaisquer recordações de algo mais, com vergonha de estarem a ultrapassar a linha invisível que ele lhes traçou. Este tipo de homem é perigoso porque deixa nas mulheres por quem passa um sentimento de pendência que se prolonga no tempo, uma sensação de qualquer coisa por resolver e de incompletude emocional, uma necessidade de encerrar um ciclo, de voltar atrás e de remediar as coisas,  talvez vivenciando-as de facto. Pode tornar-se numa obsessão, sem o saber.  Mas não se pense que as mulheres que seduz são vítimas inocentes, nada disso. Geralmente comprometidas e com filhos (para que fiquem sempre com um pé preso noutro sítio e não se aventurem demais), são, não tanto carentes de afecto, mas mais carentes de um pouco de aventura nas suas vidas planas. Sabem no que se estão a meter e julgam que o risco compensa. Ao princípio, existe de facto uma satisfação mútua que se traduz num fino equilíbrio de vontades e numa consciência comum dos limites. Quando acaba o entusiasmo (através do tal fim subtilmente induzido por ele), resta-lhes geralmente uma amizade distante, à qual de vez em quando aflora a excitação antiga. Só há um azar susceptível de comprometer esse equilíbrio: a perda do sentido de exclusividade, pois cada uma se reconforta no facto de ter sido única . É este sentido, o de último reduto,  de once in a lifetime,  que sustenta o risco e que o justifica, que faz tudo ter valido a pena. Se, por manifesta estupidez ou desleixo dele, elas descobrem que assim não é, que foram apenas uma peça de um jogo que se repete, desmorona-se o precário edifício de afectos que vinham confabulando, o que pode ter consequências imprevisíveis. Isto porque a simples constatação de que o salteador irá uma vez mais ficar impune e passar incólume é pura e simplesmente inaceitável. Aquilo que alguns classificam desdenhosamente de despeito, muitas vezes mais não é do que a vontade de repor a ordem cósmica das coisas. E, convenhamos,  não há melhor combustível para a vingança do que a unilateralidade das lágrimas (mesmo daquelas que já secaram há muito).

não acredito no que estou a ver

por Vieira do Mar, em 02.03.08
A Clara Pinto Correia  no Dança Comigo na RTP. Inacreditável. Que alguma alma caridosa me ponha aquilo no YouTube rapidamente, por favor. (pensando melhor... não ponham nada, é demasiado triste)

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