Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

o rancor do rústico

por Vieira do Mar, em 07.02.08
O inenarrável Moita Flores persiste nas prestações televisivas carregadas daquele seu inexplicável rancor contra os McCann. Hoje, na SIC, parecia o taxista de Rogério Alves. Este, ao lado, transpirava inteligência e pedigree jurídico. Moita Flores é um rústico, mas um rústico perigoso, que fala ao coração do povo e o acicata. E o povo, já se sabe, quer sangue e quer que aqueles pais sejam culpados de, com um bocadinho de sorte, terem infligido uma morte o mais atroz possível à filha. O povo é assim e Moita Flores é, ele próprio, muito povo (e até um bocadinho mais). Aquele ar desdenhoso de quem conhece os misterious ways da polícia judiciária, de quem sabe  das obscuras razões da culpabilidade dos Mc Cann mas não diz. Só que não sabe nada. É um balofo, que se limita a verbalizar uma raiva estranha e mal-contida contra gente que não conhece de lado nenhum - e a verbalizá-la mal. Além disso, tem um emprego: é Presidente de uma Câmara que deve dar algum trabalho, a de Santarém, pelo que não percebo como consegue estar nos estúdios da  televisão, pelo menos, duas vezes por semana, de manhã (segundo me contou uma insuspeita cabeleireira), em pleno horário de expediente, a vomitar postas de pescada para domésticas deslumbradas e reformados desatentos. Portanto,  Moita Flores, presidente da Câmara de Santarém, faz da luta contra o casal McCann uma espécie de modo de vida e, pelos vistos, pagam-lhe para isso. Não se aplicará aqui uma qualquer lei das incompatibilidades? Uminha? Não haverá aqui um artiguinho,  um só, que se aplique a esta bandalheira e o pulverize de vez, legítima e legalmente, para fora dos ecrãs? Ou então, pronto, está bem: bastava-me que um munícipe scalabitano descesse a Lisboa, lhe enfiasse um bom pontapé no rabo e o recambiasse para casa, a ver se ele fazia qualquer coisa e animava aquela cidade, que francamente parece um túmulo.

...

por Vieira do Mar, em 06.02.08
"O facto de o director nacional da PJ continuar em funções significa tudo o que penso sobre esssa matéria",disse hoje Alberto Costa ao ser questionado sobre as declarações do director-nacional da Judiciária, Alípio Ribeiro.
 
Há aqui uma confusão de princípios  por parte do Ministro da Justiça quando diz que, por concordar com as declarações do director da PJ, este se mantém no cargo. Que disparate. O que poderia ter posto em causa a relação de confiança entre o Ministro e o Director da PJ (e ter levado a uma destituição do cargo), foi o facto de este ter vindo expressar publicamente uma opinião pessoal,  questionando a bondade de uma investigação criminal e colocando em cheque a imagem institucional de  todos os que nela intervieram e intervêm: o Ministério Público, a Judiciária e, subindo a pirâmide, o próprio Ministro da Justiça, que terá acompanhado o processo a par e passo e tido a sua quota-parte de intervenção nas decisões que foram sendo tomadas (porque não sejamos ingénuos). Portanto não interessa se, no mais profundo do seu ser, o MJ concorda ou não com o director da PJ (aliás, se concorda, bem que se podem demitir os dois, já que estão a admitir que erraram). O que interessa é que o principal responsável por uma investigação mediática, ainda em funções, veio a público miná-la pela base e descredibilizá-la, o que trará custos futuros para o prestígio da Justiça portuguesa e mesmo para a imagem de Portugal. Em política, os erros costumam pagar-se com demissões e destituições, não com palmadinhas nas costas. O pior ainda é que, se subirmos um bocadinho mais na pirâmide do poder, temos Sócrates, o tal que deveria pôr ordem na casa e dar uma vassourada nesta gente. Mas é de Sócrates que estamos a falar, não é? Portanto, esqueçam. Não tarda muito  e lá virá  mais uma palmadinha: a do nosso Primeiro nas costas do seu Ministro, que sim, que achou bem e que concorda com o facto de ele ter concordado. E assunto arrumado. 

...

por Vieira do Mar, em 06.02.08
Vi, na SIC, a reportagem sobre analfabetismo de que fala Eduardo Pitta  e que só não me impressionou particularmente porque é um problema com o qual lido todos os dias (na minha profissão). Confesso que não gosto muito do tom poético deste tipo de reportagens à base de silêncios e de pausas,  que  costumam ganhar muitos prémios (mas isso é outra questão).  Para a maior parte das pessoas letradas, o anlfabetismo é isso mesmo: um objecto de reportagem,  uma coisa lá longe, um problema dos outros,  de avós nascidos no campo durante a monarquia ou o salazarismo.  Muita gente não imagina que vai nos transportes públicos ao lado de pessoas  que não sabem o sinal de trânsito, o nome da rua, o título na capa da revista, o aviso para sair. E não, não são só velhos: são às centenas, as miúdas de vinte anos que assinam de cruz e foram mães aos dezasseis. É a  pobreza física e espiritual de quem vive do subsídio (de maternidade, de nascimento, do rendimento mínimo), almeja pelo subsídio e pouco mais deseja do que o subsídio. Há qualquer coisa de perverso neste Estado Providência que ampara e de certa forma fomenta aberrações como a maternidade na adolescência e o conforto no desemprego, mas deixa cair a educação, a principal ferramenta que permitiria combater tudo o resto.

...

por Vieira do Mar, em 05.02.08
a controversa maresia no sapo


De malas e bagagens para o SAPO! Um ganda beijão à Jonas, à Cláudia e à equipa dos blogs do SAPO em geral, pois foram de uma paciência infinita: ele era o cabeçalho um niquinho mais acima, a letra um tudo nada mais pequena, a sidebar assim e depois afinal assado, e mais uma coisa ali a armar ao engraçadinho e o camandro. Pois aquilo está uma maravilha, é o que vos digo. E assim, pertinho de fazer os quatro anos, deixo esta casa para novas e verdejantes paragens (estou em crer). De caminho, um muito obrigado ao blogger que nunca me deixou mal - excepto uma vez logo ao princípio, em que falharam as defesas e alguém me invadiu o blogue para postar uma publicidade nazi muito fraquinha. Bom, fui. Até já.

Pág. 3/3

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D