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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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por Vieira do Mar, em 15.11.07
adequação e desproporcionalidade


Um gesto lépido, um encolher de ombros, uma frase. A ela, basta-lhe uma frase, em especial se sincera. Não porque o pretenda ser ou faça por isso, mas porque a verdade circula nos meandros que a compõem. Então ela recolhe-se, como se um corpo estranho. Uma frase simples, que traduza a reacção adequada à provocação sem sentido. Que, de tão normal, mediana (gaussiana), a faz sentir-se diferente, avariada, sem remédio. Que lhe cala as palavras dentro ainda antes que se formem: letras avulsas passarão a correr nela como linfa. A loucura e o desgoverno alimentam-se do excesso que criam; a normalidade é autofágica. Ela preferiria que a razão lhe permitisse ser fugaz (a razão, esse conceito que lhe é longe como o recorte de cordilheiras). Ela quereria não ver a vida na progressão geométrica do desespero. Às vezes, acorda e estremunha, mas nem por isso mais lúcida, apenas mais cansada. Só não é uma criatura sombria porque não se leva a sério. Ela precisa de fazer nada, para sustentar o delírio. Esconde o desvario nas palavras que não escreverá e encaixa num recanto de si a frase normal, como se esta lhe fizesse cócegas para sempre.

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por Vieira do Mar, em 13.11.07
este blogue também não


Marginais, só os de smoking.

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por Vieira do Mar, em 13.11.07
este blogue também não


Marginais, só os de smoking.

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por Vieira do Mar, em 13.11.07
Para mim, a televisão resume-se às séries da Fox e aos programas sobre animais/natureza, em qualquer canal. Hoje, num desprevenido momento de zapping, fiquei paralisada na SIC. Pelo que percebi, há um concurso chamado “Família Superstar”, em que pais/tios/avós/sobrinhos/filhos/netos estão numa casa tipo big brother e têm que cantar/dançar para ganhar. Não sei o que terá acontecido, mas imagino que um binómio mãe/filha tenha sido liminarmente expulso. Fiquei estarrecida. A mãe, uma criatura sem dúvida desequilibrada, estava em estado de choque, catatónico mesmo, e as lágrimas corriam-lhe pela cara enquanto a levavam em braços da casa para fora e a enfiavam à força numa limusina. A miúda estava positivamente em pânico por ver a mãe naquele estado e chamava incessantemente por ela, muito chorosa e assustadíssima com o que estava a presenciar. O meu pensamento imediato foi, estes cabrões, arrancam as pessoas às suas vidinhas de merda, dão-lhes todos os luxos, criam-lhes necessidades novas, sonhos e esperanças; fazem-nas sentir-se importantes, serem alguém e, de repente, tiram-lhes tudo e atiram-nas outra vez para as suas vidinhas e os seus T2 na linha de Sintra. Alguns, emocionalmente mais frágeis (para não dizer malucos) ou pura e simplesmente menos inteligentes (para não dizer burros), passam-se, claro. O espectáculo confrangedor continuou com uma Bárbara Guimarães sem o menor jeito para gerir situações de crise (volta Júlia Pinheiro, que estás perdoada) e uma data de gente estranhamente abraçada e a chorar, como se estivesse num velório. Tudo menos um programa de entretenimento, como seria suposto. Mas do que tive pena, mesmo, foi da miúda. Voltar a casa com aquela mãe catatónica e uma mão cheia de sonhos desfeitos, não se faz. Aquilo é uma pornografia de emoções. Parte delas, infantis, ainda por cima. Francamente, sou tendencialmente não-repressiva, porque penso que as coisas tendem a auto-regular-se e que isso é algo de bom, mas acho que as Comissões de Protecção de Menores deveriam andar em cima destes programas. Aquela mãe é uma mulher com muitos problemas. Aquela filha, obviamente, também. E é muito ténue, a linha entre a suposta benfeitoria e o abuso.

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por Vieira do Mar, em 13.11.07
Para mim, a televisão resume-se às séries da Fox e aos programas sobre animais/natureza, em qualquer canal. Hoje, num desprevenido momento de zapping, fiquei paralisada na SIC. Pelo que percebi, há um concurso chamado “Família Superstar”, em que pais/tios/avós/sobrinhos/filhos/netos estão numa casa tipo big brother e têm que cantar/dançar para ganhar. Não sei o que terá acontecido, mas imagino que um binómio mãe/filha tenha sido liminarmente expulso. Fiquei estarrecida. A mãe, uma criatura sem dúvida desequilibrada, estava em estado de choque, catatónico mesmo, e as lágrimas corriam-lhe pela cara enquanto a levavam em braços da casa para fora e a enfiavam à força numa limusina. A miúda estava positivamente em pânico por ver a mãe naquele estado e chamava incessantemente por ela, muito chorosa e assustadíssima com o que estava a presenciar. O meu pensamento imediato foi, estes cabrões, arrancam as pessoas às suas vidinhas de merda, dão-lhes todos os luxos, criam-lhes necessidades novas, sonhos e esperanças; fazem-nas sentir-se importantes, serem alguém e, de repente, tiram-lhes tudo e atiram-nas outra vez para as suas vidinhas e os seus T2 na linha de Sintra. Alguns, emocionalmente mais frágeis (para não dizer malucos) ou pura e simplesmente menos inteligentes (para não dizer burros), passam-se, claro. O espectáculo confrangedor continuou com uma Bárbara Guimarães sem o menor jeito para gerir situações de crise (volta Júlia Pinheiro, que estás perdoada) e uma data de gente estranhamente abraçada e a chorar, como se estivesse num velório. Tudo menos um programa de entretenimento, como seria suposto. Mas do que tive pena, mesmo, foi da miúda. Voltar a casa com aquela mãe catatónica e uma mão cheia de sonhos desfeitos, não se faz. Aquilo é uma pornografia de emoções. Parte delas, infantis, ainda por cima. Francamente, sou tendencialmente não-repressiva, porque penso que as coisas tendem a auto-regular-se e que isso é algo de bom, mas acho que as Comissões de Protecção de Menores deveriam andar em cima destes programas. Aquela mãe é uma mulher com muitos problemas. Aquela filha, obviamente, também. E é muito ténue, a linha entre a suposta benfeitoria e o abuso.

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por Vieira do Mar, em 13.11.07
a pedido de várias famílias


Sim, eu sou a Grande Puta, a Cabra-Mor, a Meretriz; sou Salomé, Jezebel e Madalena por arrepender. Não sou é lá muito saudável; detesto sushi e, especialmente, detesto correr: as maminhas saltam muito.

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por Vieira do Mar, em 13.11.07
a pedido de várias famílias


Sim, eu sou a Grande Puta, a Cabra-Mor, a Meretriz; sou Salomé, Jezebel e Madalena por arrepender. Não sou é lá muito saudável; detesto sushi e, especialmente, detesto correr: as maminhas saltam muito.

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por Vieira do Mar, em 12.11.07
I Would Like To Buy A Hamburguer


Por juntar Ana Carolina (ajoelhar e rezar) e um dos meus filmes favoritos de sempre, num só post, declaro oficialmente a Monica como a minha puta saudável favorita.

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por Vieira do Mar, em 12.11.07
I Would Like To Buy A Hamburguer


Por juntar Ana Carolina (ajoelhar e rezar) e um dos meus filmes favoritos de sempre, num só post, declaro oficialmente a Monica como a minha puta saudável favorita.

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por Vieira do Mar, em 12.11.07
por que no te callas?


É como os que insistem em manter conversações com terroristas, em democratizar fundamentalistas, em amaciar déspotas ou em converter ditadores. Há aqui uma nítida confusão de planos, que desemboca em coisa nenhuma. Para além da questão óbvia da privação dos sentidos, como se fosse uma doença incurável: para quê perder tempo a explicar e a tentar entender o que é irracional? Para quê dialogar com quem está cego e surdo? Que se calem, que é menos um mal que provocam.

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