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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

...

por Vieira do Mar, em 12.08.06
amor de irmãos


Tarde na praia, jogar ao stop (ou aos países, conforme a versão):


- Joãozinho, é a tua vez, diz lá o nome de um animal começado por .

- Deixa cá ver... Já sei! Diogo troglodita.

...

por Vieira do Mar, em 12.08.06
Porque me sobra em ócio o que me falta em complacência e porque está demasiado calor para correr, mas preciso de gastar a bola de Berlim que neste momento se me instala nas ancas, vou dedicar-me a um dos desportos favoritos da blogoesfera: desancar nos colunistas do Expresso. Desta vez, ainda por cima, o dito merece (juro). A criatura em questão chama-se Vasco Baptista Marques, escreve no suplemento Actual e tem vinte e seis anos (o que dá vontade de estabelecer limites etários mínimos, para a actividade em questão, que se situem perto da idade da reforma... do Sócrates). O texto chama-se "As sedutoras também se abatem" (refinado, o título) e incide na decadência da beleza feminina ( e em Elizabeth Taylor como o seu expoente máximo) ou de como, na verdade e no entender daquele, as cinquentonas deveriam ser abatidas e postas fora de circulação ou, pelo menos, não se cruzarem no seu caminho, por forma a não lhe ferirem a alma sensível.

A coisa começa assim (isto é que é ter tempo livre entre mãos, viva!): "Há já duas semanas que não saio de casa por medo de me cruzar nas escadas do meu prédio com a Dona Elisabete, a cinquentona do segundo esquerdo que (...) sempre que me vê, arranja um pretexto para me arrastar até à sua sala decorada a bibelots da loja dos 300 e a fotografias a preto e branco dos seus "falecidos" (que, se não me engano, ascendem já ao número de sete). (...) acabo por dar por mim a beber um "whisky" na sala da Dona Elizabete, enquanto a própria (despida com um negligésemitransparente a transbordar de celulite) me vai mostrando fotografias da sua juventude ("Diga lá que eu não era uma estampa?") para me convencer de que ainda há uma sedutora escondida por detrás daquele amontoado de rugas. São "workshops" de cegueira feminina que me deprimem e que só terminam quando me decido a balbuciar um par de desculpas desconexas que me permitem escapar aos tentáculos daquela diva decadente, cuja capacidade de auto-análise cristalizou nos anos 60 e que me obriga a recordar uma das mais inveteradas sedutoras da história do cinema: "the one and only Elizabeth Taylor".

Daqui para a frente, presenteia-nos com uma filmografia da diva (ao alcance de qualquer dedo indicador no botão search do google), classificando a adaptação cinematográfica da perturbante peça de Tenessee Williams sobre a perversão humana, "Subitamente, no Verão passado", como um drama familiar/conjugal (sic). Adiante.

Por fim, após ter descrito a ascensão e queda daquela, enquanto actriz e sedutora, e criticado o face lifting a que se submeteu nos anos 70 com o intuito de recuperar o seu sex appeal, culmina com esta pérola de sensibilidade e bom-senso: "(...) a actriz deverá ter percebido que já não era possível reconstituir a fronteira entre o ficcional e o real e tomou a única decisão que podia tomar: foi envelhecer para a televisão, essa praia do cinema que as sedutoras baleias de outrora só atingem para preservar a memória do que foram. Ninguém lhe tinha dito que as sedutoras também se abatem, Dona Elizabete?". Para além da elegante metáfora que mete baleias e praias, e da inteligente, fina e subtil interrogação final (que, só por si, atestam do calibre básico da criatura), o que mais repugna é a tese subjacente ao dislate: a de que as cinquentonas a transbordar de celulite são seres patéticos de que urge fugir a sete pés, e que o inevitável espectáculo da sua decadência deve ficar escondido entre portas, antes que lhes dê para devorar as tenras e incautas carnes jovens que lhes surjam à frente.

É claro que o facto de esse "amontoado de rugas" que é a Dona Elizabete (personagem provavelmente fictícia, dado o nome e a descrição pobre e estereotipada) chorar sete mortos, transbordar solidão a par com a celulite e querer apenas alguém que a olhe e a ouça e que com ela relembre tempos melhores e mais felizes, nada diz ao nosso cronista. É claro que a excepcionalidade de uma mulher como Liz Taylor, que, do alto da sua magnifica soberba feminina, enfeita a decadência física com quilos de jóias e maquiagem e vestidos excêntricos feitos de propósito para as suas largas medidas, que continua a coleccionar e despachar maridos como pevides e a viver a vida como muito bem entende, que expõe publicamente, sem vergonha nem pudor, carburada a uma impressionante força interior, os vícios e as papadas, passou completamente ao lado do nosso jovem cronista, repugnado com peles caídas e dimensões avantajadas.

Reduzir a solidão e/ou a decadência da beleza física, aquela que insiste em se exibir e em não se esconder, a trejeitos sedutores que constrangem o olhar, é de uma pobreza espiritual tão grande, mas tão grande, que não deveria nunca ser paga para passar a papel e ser inadvertidamente lida por terceiros enquanto trincam prazenteiramente bolas de Berlim na esplanada, num sábado de férias.

Alguém deveria dizer à criatura (olha, digo eu!) que escrever sobre os outros quando não se lhes chega nem um bocadinho à alma, só vale a pena se se tiver muita graça. De facto, o rapazinho até poderia ter escrito que uma cinquentona de negligé só serve para comida de peixes, se o tivesse feito com o devido sentido de humor: uma boa gargalhada desculpa muitas das futilidades cretinas e maldadezinhas que nos impingem. Não é o caso: a repugnância séria que aquele devota à decadência do corpo feminino e a forma como lhe retira toda e qualquer humanidade é, essa sim, seriamente repugnante.

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por Vieira do Mar, em 12.08.06
Porque me sobra em ócio o que me falta em complacência e porque está demasiado calor para correr, mas preciso de gastar a bola de Berlim que neste momento se me instala nas ancas, vou dedicar-me a um dos desportos favoritos da blogoesfera: desancar nos colunistas do Expresso. Desta vez, ainda por cima, o dito merece (juro). A criatura em questão chama-se Vasco Baptista Marques, escreve no suplemento Actual e tem vinte e seis anos (o que dá vontade de estabelecer limites etários mínimos, para a actividade em questão, que se situem perto da idade da reforma... do Sócrates). O texto chama-se "As sedutoras também se abatem" (refinado, o título) e incide na decadência da beleza feminina ( e em Elizabeth Taylor como o seu expoente máximo) ou de como, na verdade e no entender daquele, as cinquentonas deveriam ser abatidas e postas fora de circulação ou, pelo menos, não se cruzarem no seu caminho, por forma a não lhe ferirem a alma sensível.

A coisa começa assim (isto é que é ter tempo livre entre mãos, viva!): "Há já duas semanas que não saio de casa por medo de me cruzar nas escadas do meu prédio com a Dona Elisabete, a cinquentona do segundo esquerdo que (...) sempre que me vê, arranja um pretexto para me arrastar até à sua sala decorada a bibelots da loja dos 300 e a fotografias a preto e branco dos seus "falecidos" (que, se não me engano, ascendem já ao número de sete). (...) acabo por dar por mim a beber um "whisky" na sala da Dona Elizabete, enquanto a própria (despida com um negligésemitransparente a transbordar de celulite) me vai mostrando fotografias da sua juventude ("Diga lá que eu não era uma estampa?") para me convencer de que ainda há uma sedutora escondida por detrás daquele amontoado de rugas. São "workshops" de cegueira feminina que me deprimem e que só terminam quando me decido a balbuciar um par de desculpas desconexas que me permitem escapar aos tentáculos daquela diva decadente, cuja capacidade de auto-análise cristalizou nos anos 60 e que me obriga a recordar uma das mais inveteradas sedutoras da história do cinema: "the one and only Elizabeth Taylor".

Daqui para a frente, presenteia-nos com uma filmografia da diva (ao alcance de qualquer dedo indicador no botão search do google), classificando a adaptação cinematográfica da perturbante peça de Tenessee Williams sobre a perversão humana, "Subitamente, no Verão passado", como um drama familiar/conjugal (sic). Adiante.

Por fim, após ter descrito a ascensão e queda daquela, enquanto actriz e sedutora, e criticado o face lifting a que se submeteu nos anos 70 com o intuito de recuperar o seu sex appeal, culmina com esta pérola de sensibilidade e bom-senso: "(...) a actriz deverá ter percebido que já não era possível reconstituir a fronteira entre o ficcional e o real e tomou a única decisão que podia tomar: foi envelhecer para a televisão, essa praia do cinema que as sedutoras baleias de outrora só atingem para preservar a memória do que foram. Ninguém lhe tinha dito que as sedutoras também se abatem, Dona Elizabete?". Para além da elegante metáfora que mete baleias e praias, e da inteligente, fina e subtil interrogação final (que, só por si, atestam do calibre básico da criatura), o que mais repugna é a tese subjacente ao dislate: a de que as cinquentonas a transbordar de celulite são seres patéticos de que urge fugir a sete pés, e que o inevitável espectáculo da sua decadência deve ficar escondido entre portas, antes que lhes dê para devorar as tenras e incautas carnes jovens que lhes surjam à frente.

É claro que o facto de esse "amontoado de rugas" que é a Dona Elizabete (personagem provavelmente fictícia, dado o nome e a descrição pobre e estereotipada) chorar sete mortos, transbordar solidão a par com a celulite e querer apenas alguém que a olhe e a ouça e que com ela relembre tempos melhores e mais felizes, nada diz ao nosso cronista. É claro que a excepcionalidade de uma mulher como Liz Taylor, que, do alto da sua magnifica soberba feminina, enfeita a decadência física com quilos de jóias e maquiagem e vestidos excêntricos feitos de propósito para as suas largas medidas, que continua a coleccionar e despachar maridos como pevides e a viver a vida como muito bem entende, que expõe publicamente, sem vergonha nem pudor, carburada a uma impressionante força interior, os vícios e as papadas, passou completamente ao lado do nosso jovem cronista, repugnado com peles caídas e dimensões avantajadas.

Reduzir a solidão e/ou a decadência da beleza física, aquela que insiste em se exibir e em não se esconder, a trejeitos sedutores que constrangem o olhar, é de uma pobreza espiritual tão grande, mas tão grande, que não deveria nunca ser paga para passar a papel e ser inadvertidamente lida por terceiros enquanto trincam prazenteiramente bolas de Berlim na esplanada, num sábado de férias.

Alguém deveria dizer à criatura (olha, digo eu!) que escrever sobre os outros quando não se lhes chega nem um bocadinho à alma, só vale a pena se se tiver muita graça. De facto, o rapazinho até poderia ter escrito que uma cinquentona de negligé só serve para comida de peixes, se o tivesse feito com o devido sentido de humor: uma boa gargalhada desculpa muitas das futilidades cretinas e maldadezinhas que nos impingem. Não é o caso: a repugnância séria que aquele devota à decadência do corpo feminino e a forma como lhe retira toda e qualquer humanidade é, essa sim, seriamente repugnante.

...

por Vieira do Mar, em 11.08.06
Mais do que o betão pronto dos patos bravos e do que os manguitos generalizados ao domínio público marítimo e às reservas ecológicas, a verdadeira praga assassina da costa portuguesa, são os parques de campismo.

Durante a infância, tive a imensa sorte de ter tido pais aventureiros que me levaram a conhecer a Europa de tenda às costas e, mais tarde, de roulotte (como então se dizia e usava) Faziam-no por gosto, pela óbvia minimização do stress na procura da pernoita, pela sensação de liberdade que dava o rumo ao desconhecido e, claro, porque saía mais em conta. Durante esses périplos, designadamente pelo norte, lembro-me de parques de campismo que eram um verdadeiro luxo, com instalações sanitárias dignas de um spa e uma vizinhança silenciosa e civilizada, tudo animado de um contacto mais próximo, respeitador e autêntico com a natureza.

Aqui, em Portugal, e durante muitos anos, os parques de campismo foram o reduto de veraneio do pessoal das barracas e do T2 da Rinchoa, o território possível de lazer daquela franja mais desgraçada da sociedade: a que nem sequer almeja aos quinze dias na Quarteira ou Monte Gordo. Paradoxalmente, e porque eram edificados em cima de praias ainda desertas nas franjas das localidades costeiras, acabaram nas zonas mais paradisíacas do país, com os melhores acessos ao areal e as mais bonitas frentes de mar.

Intra muros, no entanto, são uma espécie de visão dos infernos: o reino da chanata e do avental, onde impera o sempiterno cheiro a sardinha e a couratos e se aglomeram as tendas de três quartos com avançado, complementadas com os inefáveis estendal de roupa, televisão e frigorífico (e/ou arca), encimado pelo naperon feito no intervalo da novela. São o exemplo acabado da transumância da periferia mais pobre, com tudo o que esta tem de pior, desde a falta de gosto à falta de qualidade de vida, para a beira-mar.

O campista português típico não quer o contacto com a natureza, quer mas é esquecer que, durante um mês, tem de estar obrigatoriamente perto dela. Porque está de férias em Agosto, tem trinta dias para gastar e éassim que faz desde sempre; porque o iodo faz bem ao reumático, os miúdos gostam de umas boas amonas e a Maria tem de molhar as varizes a ver se desincham, ruma à beira-mar com o gato, o cão, o periquito e a sogra, mas agarra no T2 e transpõe-o para debaixo de um oleado colorido, que ele, sem o conforto a que está habituado e as suas coisinhas, não passa. É por estas e por outras que um parque de campismo português, para além de ser um espaço feio e grosseiro é, também, altamente claustrofóbico: nos cerca de oito metros quadrados de chão que cabe a cada família, amontoam-se mobília, electrodomésticos e bibelots, numa demonstração de vaidade acumulada, temperada com laivos de competitividade inter-vizinhança.

O camping não é um espaço para o português melhor conviver com a natureza e, muito menos, para a apreciar: continua a haver futebol e novela, a Maria debruçada sobre o fogão e os tanques de roupa, as cervejas, os tremoços, as pevides e as aguardentes no café; continua a haver o cuspir para o chão e as transferências do Simão, embaladas num ressonar colectivo.


É claro que as praias propriamente ditas e disputadas por todos, os campistas e os outros, são prontamente invadidas por esta horda tonitruante e poluidora (já que limpinho, rebrilhante e a tresandar a lixívia, só mesmo os nossos oito metros quadrados...) que, por estar mais perto e ali mesmo à porta, chega sempre primeiro e abanca nos melhores spots com os seus panelões de caldeirada, as geleiras, os pára-ventos, os guarda-sóis, os transistóres e as bolas sempre (mas sempre) desviadas da sua trajectória natural. E não há como exterminá-los: por uma diária baratinha, sem gastos extra de gasolina nem problemas de estacionamento, é certo e sabido que, no dia seguinte, à mesma hora, lá estarão outra vez.

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por Vieira do Mar, em 11.08.06
Mais do que o betão pronto dos patos bravos e do que os manguitos generalizados ao domínio público marítimo e às reservas ecológicas, a verdadeira praga assassina da costa portuguesa, são os parques de campismo.

Durante a infância, tive a imensa sorte de ter tido pais aventureiros que me levaram a conhecer a Europa de tenda às costas e, mais tarde, de roulotte (como então se dizia e usava) Faziam-no por gosto, pela óbvia minimização do stress na procura da pernoita, pela sensação de liberdade que dava o rumo ao desconhecido e, claro, porque saía mais em conta. Durante esses périplos, designadamente pelo norte, lembro-me de parques de campismo que eram um verdadeiro luxo, com instalações sanitárias dignas de um spa e uma vizinhança silenciosa e civilizada, tudo animado de um contacto mais próximo, respeitador e autêntico com a natureza.

Aqui, em Portugal, e durante muitos anos, os parques de campismo foram o reduto de veraneio do pessoal das barracas e do T2 da Rinchoa, o território possível de lazer daquela franja mais desgraçada da sociedade: a que nem sequer almeja aos quinze dias na Quarteira ou Monte Gordo. Paradoxalmente, e porque eram edificados em cima de praias ainda desertas nas franjas das localidades costeiras, acabaram nas zonas mais paradisíacas do país, com os melhores acessos ao areal e as mais bonitas frentes de mar.

Intra muros, no entanto, são uma espécie de visão dos infernos: o reino da chanata e do avental, onde impera o sempiterno cheiro a sardinha e a couratos e se aglomeram as tendas de três quartos com avançado, complementadas com os inefáveis estendal de roupa, televisão e frigorífico (e/ou arca), encimado pelo naperon feito no intervalo da novela. São o exemplo acabado da transumância da periferia mais pobre, com tudo o que esta tem de pior, desde a falta de gosto à falta de qualidade de vida, para a beira-mar.

O campista português típico não quer o contacto com a natureza, quer mas é esquecer que, durante um mês, tem de estar obrigatoriamente perto dela. Porque está de férias em Agosto, tem trinta dias para gastar e éassim que faz desde sempre; porque o iodo faz bem ao reumático, os miúdos gostam de umas boas amonas e a Maria tem de molhar as varizes a ver se desincham, ruma à beira-mar com o gato, o cão, o periquito e a sogra, mas agarra no T2 e transpõe-o para debaixo de um oleado colorido, que ele, sem o conforto a que está habituado e as suas coisinhas, não passa. É por estas e por outras que um parque de campismo português, para além de ser um espaço feio e grosseiro é, também, altamente claustrofóbico: nos cerca de oito metros quadrados de chão que cabe a cada família, amontoam-se mobília, electrodomésticos e bibelots, numa demonstração de vaidade acumulada, temperada com laivos de competitividade inter-vizinhança.

O camping não é um espaço para o português melhor conviver com a natureza e, muito menos, para a apreciar: continua a haver futebol e novela, a Maria debruçada sobre o fogão e os tanques de roupa, as cervejas, os tremoços, as pevides e as aguardentes no café; continua a haver o cuspir para o chão e as transferências do Simão, embaladas num ressonar colectivo.


É claro que as praias propriamente ditas e disputadas por todos, os campistas e os outros, são prontamente invadidas por esta horda tonitruante e poluidora (já que limpinho, rebrilhante e a tresandar a lixívia, só mesmo os nossos oito metros quadrados...) que, por estar mais perto e ali mesmo à porta, chega sempre primeiro e abanca nos melhores spots com os seus panelões de caldeirada, as geleiras, os pára-ventos, os guarda-sóis, os transistóres e as bolas sempre (mas sempre) desviadas da sua trajectória natural. E não há como exterminá-los: por uma diária baratinha, sem gastos extra de gasolina nem problemas de estacionamento, é certo e sabido que, no dia seguinte, à mesma hora, lá estarão outra vez.

...

por Vieira do Mar, em 06.08.06
Abrir as memórias, espanejar as portadas, arejar as sombras dos dias úteis.



Aqui, me devolvo as proporções devidas e se me finda o ano civil e a impaciência.



Aqui, esqueço o meu nome de guerra.



Sei que, para lá da linha do oceano, em breve,



estará gasta, do uso, a ilusão de que poderíamos viver sempre assim,



a embalo dos caprichos de um gerador fraquinho,



à mercê da boa vontade dos bombeiros e locomovendo-nos a iogurtes, sandes e sal.



Aqui, onde o silêncio não constrange nem empecilha os amores maiores,



porque nenhum ruído de fundo contamina os seus puros propósitos.


...

por Vieira do Mar, em 06.08.06
Abrir as memórias, espanejar as portadas, arejar as sombras dos dias úteis.



Aqui, me devolvo as proporções devidas e se me finda o ano civil e a impaciência.



Aqui, esqueço o meu nome de guerra.



Sei que, para lá da linha do oceano, em breve,



estará gasta, do uso, a ilusão de que poderíamos viver sempre assim,



a embalo dos caprichos de um gerador fraquinho,



à mercê da boa vontade dos bombeiros e locomovendo-nos a iogurtes, sandes e sal.



Aqui, onde o silêncio não constrange nem empecilha os amores maiores,



porque nenhum ruído de fundo contamina os seus puros propósitos.


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