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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

...

por Vieira do Mar, em 30.08.06
abaixo as férias! chega de ócio!



Ligo a SIC e ouço o Fernando Seara dizer "artigo quadragésimo oitavo". Para não variar, a ignorância pretensiosa dos autóctones dá-se ares no prime time. É que até eu, veraneante fútil papa-vips, sei que, quando falamos de reis, séculos, papas e... artigos legais, a praxis universalmente aceite nos diz que, ordinal, só até ao nono. A partir daí, e por uma questão de comodidade (não dá jeito, dizer Papa vigésimo quarto nem artigo tricentésimo décimo oitavo), convencionou-se dizer "dez", "onze" e por aí adiante, ou seja, usar-se o número cardinal. Como é que poderemos interessar-nos por aquilo que um gajo que não sabe uma regra básica destas, tenha eventualmente para nos dizer? Não poderemos. Portanto, uma fungadela de desprezo traduzida num zapping violento e já está. O pior é que aterro numa reportagem em que o arquitecto sénior responsável pele representação portuguesa na bienal de Veneza, uma "instalação" financiada pelo Estado em cerca de quatrocentos mil euros (?!), a define como uma "barraca", perante as risadinhas sabujas dos arquitectozinhos juniores que o rodeiam. Acrescenta que não sabe como aquilo vai ficar (risos), tal como não o deve saber, o arquitecto júnior que com ele compartilha a criação da coisa (mais risos). Naúsea minha. Eu, portuguesa/trabalhadora/contribuinte/gajadebom-gosto, estou a ser comida/roubada por uma dupla intergeracional espertalhaça (e ainda falam em generation gap...). Na movida cultural deste país, isto de O rei vai nu está a tornar-se uma realidade banal.

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por Vieira do Mar, em 30.08.06
abaixo as férias! chega de ócio!



Ligo a SIC e ouço o Fernando Seara dizer "artigo quadragésimo oitavo". Para não variar, a ignorância pretensiosa dos autóctones dá-se ares no prime time. É que até eu, veraneante fútil papa-vips, sei que, quando falamos de reis, séculos, papas e... artigos legais, a praxis universalmente aceite nos diz que, ordinal, só até ao nono. A partir daí, e por uma questão de comodidade (não dá jeito, dizer Papa vigésimo quarto nem artigo tricentésimo décimo oitavo), convencionou-se dizer "dez", "onze" e por aí adiante, ou seja, usar-se o número cardinal. Como é que poderemos interessar-nos por aquilo que um gajo que não sabe uma regra básica destas, tenha eventualmente para nos dizer? Não poderemos. Portanto, uma fungadela de desprezo traduzida num zapping violento e já está. O pior é que aterro numa reportagem em que o arquitecto sénior responsável pele representação portuguesa na bienal de Veneza, uma "instalação" financiada pelo Estado em cerca de quatrocentos mil euros (?!), a define como uma "barraca", perante as risadinhas sabujas dos arquitectozinhos juniores que o rodeiam. Acrescenta que não sabe como aquilo vai ficar (risos), tal como não o deve saber, o arquitecto júnior que com ele compartilha a criação da coisa (mais risos). Naúsea minha. Eu, portuguesa/trabalhadora/contribuinte/gajadebom-gosto, estou a ser comida/roubada por uma dupla intergeracional espertalhaça (e ainda falam em generation gap...). Na movida cultural deste país, isto de O rei vai nu está a tornar-se uma realidade banal.

...

por Vieira do Mar, em 29.08.06
58ª entrega dos Emmy em directo, ontem no AXN, circa três da amanhã. Boring, tanta cinquentona recauchutada de olhar empalhado, sorriso agrafado às orelhas e maçãs do rosto a querer furar o que outrora, num dia muito muito distante, terá sido pele, ou seja, organismo vivo. Muitas Betty Grafstein, embora mais altas, com melhor penteado e maridos eventualmente não regurgitáveis. Do que vi, alcançaram o cume do constrangimento a Candice Bergen, com a boca de lado, num esgar plástico assustador (algo deve ter corrido mal na mesa de operações) e a Farrah Fawcett...ah, meu deus, nem sei que vos diga sobre esta última, uma amálgama de olhos, boca e nariz em tons de moka. Credo. Algumas até estão bem operadas, verdade se diga, e melhor do quando tinham vinte anos e um look "love boat". Edie Falco (a mulher do Tony Soprano) está óptima e a Helen Mirren, simplesmente fabulosa. Se é uma questão de cirurgião, porque não vão todas ao mesmo, ou seja, ao bom? Não percebo. Jon Stewart e Stephen Colbert (engradaçadissima, a frustração deste por ter perdido para Barry Manilow) como sempre, espertos, com piada, superiores - whats new?. Eva Longoria com um penteado de rolinhos à banda e um vestido cai-cai totalmente inadequados à sua idade e ao seu metro e cinquenta. Felicity Huffman estava óptima, num belíssimo vestido (talvez o melhor conjunto mulher/tom de pele/penteado/vestido). A rapariga dos ficheiros secretos melhorou decididamente desde que se deixou daquelas parvoíces dos ovnis e a Calista tem ar de velha, e é feia e irritante: continua, portanto, igual a quando era nova e fazia de anoréctica saltitante em Ally Mc Beal. Por outro lado, dizer que a Mariska do Law and Order foi melhor do que a Frances Conroy de Sete Palmos de Terra (a matriarca) só pode ser brincadeira. Tyra Banks e Heidi Klum, deusas. Quanto às séries de comédia, confesso, adoro Will and Grace e tenho um predilecção por Debra Messing (e por todo o elenco, em geral, excelente). Mas ganhou a Julia Louis-Dreyfus (do Seinfeld, lembram-se?), também consideravellmente recauchutada e com horas insanas de pilates, RPM e pump em cima. Horray! para o Kieffer Sutherland, por quem tenho, não é um fraquinho, é um fracão, embora não goste especialmente da série 24: enerva-me, o stress em contra-relógio e a frequente inverosimilhança dos enredos. The Office como melhor série de comédia? Só para quem nunca viu o original com Ricky Gervais. Por outro lado, pode sempre dizer-se que The Office é tão bom, mas tão bom, que mesmo com a canastrice norte-americana e sem a subtileza selvagem da versão britânica, contunua a ser melhor que todos os outros. Porque é (apenas) a melhor série de comédia de sempre. E o House? Onde ficou o insuperável Dr. House, da fantástica série com o mesmo nome, que se limitou a dar um ar da sua graça num francês impecável? Alguém sabe?

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por Vieira do Mar, em 29.08.06
58ª entrega dos Emmy em directo, ontem no AXN, circa três da amanhã. Boring, tanta cinquentona recauchutada de olhar empalhado, sorriso agrafado às orelhas e maçãs do rosto a querer furar o que outrora, num dia muito muito distante, terá sido pele, ou seja, organismo vivo. Muitas Betty Grafstein, embora mais altas, com melhor penteado e maridos eventualmente não regurgitáveis. Do que vi, alcançaram o cume do constrangimento a Candice Bergen, com a boca de lado, num esgar plástico assustador (algo deve ter corrido mal na mesa de operações) e a Farrah Fawcett...ah, meu deus, nem sei que vos diga sobre esta última, uma amálgama de olhos, boca e nariz em tons de moka. Credo. Algumas até estão bem operadas, verdade se diga, e melhor do quando tinham vinte anos e um look "love boat". Edie Falco (a mulher do Tony Soprano) está óptima e a Helen Mirren, simplesmente fabulosa. Se é uma questão de cirurgião, porque não vão todas ao mesmo, ou seja, ao bom? Não percebo. Jon Stewart e Stephen Colbert (engradaçadissima, a frustração deste por ter perdido para Barry Manilow) como sempre, espertos, com piada, superiores - whats new?. Eva Longoria com um penteado de rolinhos à banda e um vestido cai-cai totalmente inadequados à sua idade e ao seu metro e cinquenta. Felicity Huffman estava óptima, num belíssimo vestido (talvez o melhor conjunto mulher/tom de pele/penteado/vestido). A rapariga dos ficheiros secretos melhorou decididamente desde que se deixou daquelas parvoíces dos ovnis e a Calista tem ar de velha, e é feia e irritante: continua, portanto, igual a quando era nova e fazia de anoréctica saltitante em Ally Mc Beal. Por outro lado, dizer que a Mariska do Law and Order foi melhor do que a Frances Conroy de Sete Palmos de Terra (a matriarca) só pode ser brincadeira. Tyra Banks e Heidi Klum, deusas. Quanto às séries de comédia, confesso, adoro Will and Grace e tenho um predilecção por Debra Messing (e por todo o elenco, em geral, excelente). Mas ganhou a Julia Louis-Dreyfus (do Seinfeld, lembram-se?), também consideravellmente recauchutada e com horas insanas de pilates, RPM e pump em cima. Horray! para o Kieffer Sutherland, por quem tenho, não é um fraquinho, é um fracão, embora não goste especialmente da série 24: enerva-me, o stress em contra-relógio e a frequente inverosimilhança dos enredos. The Office como melhor série de comédia? Só para quem nunca viu o original com Ricky Gervais. Por outro lado, pode sempre dizer-se que The Office é tão bom, mas tão bom, que mesmo com a canastrice norte-americana e sem a subtileza selvagem da versão britânica, contunua a ser melhor que todos os outros. Porque é (apenas) a melhor série de comédia de sempre. E o House? Onde ficou o insuperável Dr. House, da fantástica série com o mesmo nome, que se limitou a dar um ar da sua graça num francês impecável? Alguém sabe?

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por Vieira do Mar, em 24.08.06
a amiga elsa



Olá. O meu nome é Vieira e, nestas férias, estou viciada na miséria espiritual das celebridades em geral e na da Elsa Raposo, em especial. Eu sei que há muita coisa edificante para ler, para absorver; tantos prémios Pulitzer, Nobel, Pessoa.... Nada. Quando chega a hora do galão com a bola ou da sandocha na praia, só me interessa saber o que anda a aprontar a amiga Elsa. Aquilo que dantes era um passatempo semanal de cabeleireiro, tornou-se, desgraçadamente, uma obrigação quase diária. Até já sei que a VIP sai à segunda, a Lux à terça e a Caras à quarta; corro para a papelaria à procura dela por entre as automotores, as pais e filhos, as melhores dietas, as como deixá-lo louco na cama e os lavores croché. Para quem não está dentro do fascinante drama pessoal da "apresentadora e empresária" (alguém???), um breve resumo: a Elsa, uma rapariga gira muito dada aos homens, aos pós e à bebida, mãe de três filhos pequenos (cuja custódia está entregue ao pai e que têm um ar triste de partir o coração, quando com ela aparecem em funções sociais), ganha dinheiro por aparecer: nas revistas, na televisão, nas festas, nas inaugurações. Durante 15 meses (não brinquem, olhem-me a tristeza do detalhe cronológico), e após a participação numa quinta das celebridades em que aparecia permanentemente desapossada das suas faculdades mentais e de voz entaramelada, a amiga Elsa namorou com o Gonçalo Diniz, um presunto actor, também ele concorrente no lixo televisivo em questão. Acabado o tempo de antena, apressaram-se a exibir a paixão, os carros e os novos projectos empresariais por tudo quanto era revista; ela, com ar de cama requentada e ele, de corno manso (já então). Até aqui, tudo bem, seriam apenas mais um casal patético, a braços com uma associação de conveniência a tresandar a falso, daquelas que dão a cacha em troca do cachê. A coisa só começa a raiar o refluxo gástrico, quando a amiga Elsa vem bolsar para as revistas que gostava de ter mais filhos. Não sei se estão a ver: num país em que a palavra mãe continua a ser a mais linda que o mundo tem, um juiz atribui a custódia ao pai. Ao pai. Mas a rapariga, que aparece quase sempre sem os miúdos e atracada a vários homens por ano, quer ter mais filhos. Sem comentários.

Bom, mas parece que a apresentadora e empresária acabou mesmo por engravidar, supostamente do actor e empresário, mas abortaria espontaneamente logo de seguida. É claro que a dor compungente do casal e o consolo mútuo que se devotaram, foram de imediato capa de muitas revistas (de todas, aliás). Após este desaire comercial (sem bebé, quantas capas de revista se perderam...), o casalinho inscreveu-se numas aulas de surf em Carcavelos e a nossa Elsa, farta de lamúrias mútuas, entusiasmou-se com os bíceps do instrutor, cuja boca resolveu devorar numa esplanada pública. Ora beijava o Çalinho no areal, ora lambiscava o badocha no restaurante por cima do areal, onde por acaso é relações públicas (ser relações públicas é a actual profissão dos invertebrados com um palminho de cara, mamas ou rabo). Pois parece que o pobre Çalinho descobriu a traição quando a viu escarrapachada numa das revistas que já tanto lhe dera de comer e foi para a varanda chorar as mágoas, local onde uma outra dessas revistas (ou seria a mesma?) lhe captou as lágrimas para a posteridade (pelos menos, para as 24 horas seguintes). Seguramente desconhecendo que os fotógrafos estariam à coca (quem diria?), a amiga Elsa apareceu na mesma varanda pouco tempo depois (ou antes, sei lá) com sangue na camisola, um ar desgrenhado e os pulsos enfaixados de uma tentativa de sucídio (digam lá se a minha obsessão não é justificada.)

A improbabilidade da história é tal, de tão deprimente, cretina e patética, que já atingiu contornos de mito urbano, correndo pelo país, em especial pelo submundo das cabeleireiras e esteticistas, várias versões alternativas. Certo é que a amiga Elsa apressou-se a prestar umas declarações exclusivas: que o çalinho era um mauzão que a agrediae que o badocha do surf, esse sim, era um homem a sério, embora o beijo na boca tivesse sido uma cena de amigos, algo muito comum no Brasil e estranho a este nosso Portugal antiquado (e sem poder de encaixe para as Elsas deste mundo, selvagens e livres, com o sexo à flor da pele). O pai do Çalinho, entretanto, veio lançar mais uma acha para a fogueira, afirmando publicamente que o filho, coitado, ia em retiro para o Brasil e que a Elsa se tinha agredido a si própria para o incriminar, a malvadona. Poucos dias passados, e a relação entre Elsa ("visivelmente debilitada") e o badocha dos bíceps "consolida-se cada vez mais", ao ponto de , na VIP desta segunda-feira, aparecerem os dois (ai, que até me custa escrevê-lo...) sentados e abraçados na escadaria do santuário de Fátima, onde foram rezar pelo seu amor. Juro. Rezar pelo seu amor perante Nossa Senhora. Francamente, isto é quase mais ofensivo para os católicos do que dizer que Jesus teve um rancho de putos ranhosos da Maria Madalena... Portanto, socorro! Ajudem-me. Eu bem sei que, ao comprar e ler este lixo, estou a alimentar a descompensada da Elsa, o cornudo do Çalinho , o Badocha emergente e todos os afins que babujam na miséria espiritual, alheados de qualquer verdade, moralidade ou integridade, mas é superior a mim, esta atracção pelo horrível. Eu dantes não era assim, a sério, isto é das férias, só pode ser das férias. Preciso de trabalho, de responsabilidades muito importantes, de prazos para ontem, da chefa a dar-me na cabeça porque da minha competência profissional depende o futuro da humanidade. É que já nem eu mesma me aguento, de tão silly nesta season.


Adenda: quando parece que não é possível descer-se mais baixo, eis que a Elsa consegue surpreender-nos: hoje, a TVMais apresenta-a, "em exclusivo", a ser operada com o fim de retirar a tatuagem com o nome "gonçalo" que terá feito no braço. Aparece na capa com ar de vítima, o braço atrapado e sentada numa cama de hospital. Resisti e não comprei. Embora não pareça, tenho os meus limtes.

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por Vieira do Mar, em 24.08.06
a amiga elsa



Olá. O meu nome é Vieira e, nestas férias, estou viciada na miséria espiritual das celebridades em geral e na da Elsa Raposo, em especial. Eu sei que há muita coisa edificante para ler, para absorver; tantos prémios Pulitzer, Nobel, Pessoa.... Nada. Quando chega a hora do galão com a bola ou da sandocha na praia, só me interessa saber o que anda a aprontar a amiga Elsa. Aquilo que dantes era um passatempo semanal de cabeleireiro, tornou-se, desgraçadamente, uma obrigação quase diária. Até já sei que a VIP sai à segunda, a Lux à terça e a Caras à quarta; corro para a papelaria à procura dela por entre as automotores, as pais e filhos, as melhores dietas, as como deixá-lo louco na cama e os lavores croché. Para quem não está dentro do fascinante drama pessoal da "apresentadora e empresária" (alguém???), um breve resumo: a Elsa, uma rapariga gira muito dada aos homens, aos pós e à bebida, mãe de três filhos pequenos (cuja custódia está entregue ao pai e que têm um ar triste de partir o coração, quando com ela aparecem em funções sociais), ganha dinheiro por aparecer: nas revistas, na televisão, nas festas, nas inaugurações. Durante 15 meses (não brinquem, olhem-me a tristeza do detalhe cronológico), e após a participação numa quinta das celebridades em que aparecia permanentemente desapossada das suas faculdades mentais e de voz entaramelada, a amiga Elsa namorou com o Gonçalo Diniz, um presunto actor, também ele concorrente no lixo televisivo em questão. Acabado o tempo de antena, apressaram-se a exibir a paixão, os carros e os novos projectos empresariais por tudo quanto era revista; ela, com ar de cama requentada e ele, de corno manso (já então). Até aqui, tudo bem, seriam apenas mais um casal patético, a braços com uma associação de conveniência a tresandar a falso, daquelas que dão a cacha em troca do cachê. A coisa só começa a raiar o refluxo gástrico, quando a amiga Elsa vem bolsar para as revistas que gostava de ter mais filhos. Não sei se estão a ver: num país em que a palavra mãe continua a ser a mais linda que o mundo tem, um juiz atribui a custódia ao pai. Ao pai. Mas a rapariga, que aparece quase sempre sem os miúdos e atracada a vários homens por ano, quer ter mais filhos. Sem comentários.

Bom, mas parece que a apresentadora e empresária acabou mesmo por engravidar, supostamente do actor e empresário, mas abortaria espontaneamente logo de seguida. É claro que a dor compungente do casal e o consolo mútuo que se devotaram, foram de imediato capa de muitas revistas (de todas, aliás). Após este desaire comercial (sem bebé, quantas capas de revista se perderam...), o casalinho inscreveu-se numas aulas de surf em Carcavelos e a nossa Elsa, farta de lamúrias mútuas, entusiasmou-se com os bíceps do instrutor, cuja boca resolveu devorar numa esplanada pública. Ora beijava o Çalinho no areal, ora lambiscava o badocha no restaurante por cima do areal, onde por acaso é relações públicas (ser relações públicas é a actual profissão dos invertebrados com um palminho de cara, mamas ou rabo). Pois parece que o pobre Çalinho descobriu a traição quando a viu escarrapachada numa das revistas que já tanto lhe dera de comer e foi para a varanda chorar as mágoas, local onde uma outra dessas revistas (ou seria a mesma?) lhe captou as lágrimas para a posteridade (pelos menos, para as 24 horas seguintes). Seguramente desconhecendo que os fotógrafos estariam à coca (quem diria?), a amiga Elsa apareceu na mesma varanda pouco tempo depois (ou antes, sei lá) com sangue na camisola, um ar desgrenhado e os pulsos enfaixados de uma tentativa de sucídio (digam lá se a minha obsessão não é justificada.)

A improbabilidade da história é tal, de tão deprimente, cretina e patética, que já atingiu contornos de mito urbano, correndo pelo país, em especial pelo submundo das cabeleireiras e esteticistas, várias versões alternativas. Certo é que a amiga Elsa apressou-se a prestar umas declarações exclusivas: que o çalinho era um mauzão que a agrediae que o badocha do surf, esse sim, era um homem a sério, embora o beijo na boca tivesse sido uma cena de amigos, algo muito comum no Brasil e estranho a este nosso Portugal antiquado (e sem poder de encaixe para as Elsas deste mundo, selvagens e livres, com o sexo à flor da pele). O pai do Çalinho, entretanto, veio lançar mais uma acha para a fogueira, afirmando publicamente que o filho, coitado, ia em retiro para o Brasil e que a Elsa se tinha agredido a si própria para o incriminar, a malvadona. Poucos dias passados, e a relação entre Elsa ("visivelmente debilitada") e o badocha dos bíceps "consolida-se cada vez mais", ao ponto de , na VIP desta segunda-feira, aparecerem os dois (ai, que até me custa escrevê-lo...) sentados e abraçados na escadaria do santuário de Fátima, onde foram rezar pelo seu amor. Juro. Rezar pelo seu amor perante Nossa Senhora. Francamente, isto é quase mais ofensivo para os católicos do que dizer que Jesus teve um rancho de putos ranhosos da Maria Madalena... Portanto, socorro! Ajudem-me. Eu bem sei que, ao comprar e ler este lixo, estou a alimentar a descompensada da Elsa, o cornudo do Çalinho , o Badocha emergente e todos os afins que babujam na miséria espiritual, alheados de qualquer verdade, moralidade ou integridade, mas é superior a mim, esta atracção pelo horrível. Eu dantes não era assim, a sério, isto é das férias, só pode ser das férias. Preciso de trabalho, de responsabilidades muito importantes, de prazos para ontem, da chefa a dar-me na cabeça porque da minha competência profissional depende o futuro da humanidade. É que já nem eu mesma me aguento, de tão silly nesta season.


Adenda: quando parece que não é possível descer-se mais baixo, eis que a Elsa consegue surpreender-nos: hoje, a TVMais apresenta-a, "em exclusivo", a ser operada com o fim de retirar a tatuagem com o nome "gonçalo" que terá feito no braço. Aparece na capa com ar de vítima, o braço atrapado e sentada numa cama de hospital. Resisti e não comprei. Embora não pareça, tenho os meus limtes.

...

por Vieira do Mar, em 19.08.06
E pronto, lá voltam os caçadores (cansaço...). Agora foi a vez das rolas, coitadas, que andavam tão contentes na sua vidinha de rola, ora debica a minhoca aqui, ora poisa na seara acolá. Ontem e hoje, foi um ver se te avias de abrigos improvisados pelos campos fora, a esconderem matulões camuflados, como se estivessem na guerra do Golfo à coca de obuzes. Não sei se apanharam rolas ou não, mas, cerca de vinte e quatro horas depois, continuavam praticamente na mesma posição (juro!), a perscrutar os céus de caçadeira em riste e aparentando a actividade cerebral que habitualmente devem ter, ou seja, à beira da flatline. No entanto, algures durante a vigília, eles ter-se-ão mexido, pois os terrenos acabaram pejados de latas de cerveja e cartuchos vazios, tal qual se vê na imagem. Como (quase) sempre, a verdade veio da boca das crianças - que comentaram, à triste visão de um deles acocorado entre o caniçal:

Criança n.º 1 (à ida): ca ganda cromo.

Criança n.º 2 (à vinda): ca ganda otário.

Criança n.º 3 (no dia seguinte, novamente à ida): ca ganda pacóvio.*



* Querido G., é claro que nada disto se te aplica: aposto que dispensarias o camuflado e preferirias uma bela camisa quadriculada de griffe (puro algodão), umas calças de ganga surradas e umas botas caneleiras bem ensebadas, e que pedirias educadamente às rolas que morressem por ti (o que elas, ao te verem assim de giro e de louro, certamente fariam de bom grado). ;)

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por Vieira do Mar, em 19.08.06
E pronto, lá voltam os caçadores (cansaço...). Agora foi a vez das rolas, coitadas, que andavam tão contentes na sua vidinha de rola, ora debica a minhoca aqui, ora poisa na seara acolá. Ontem e hoje, foi um ver se te avias de abrigos improvisados pelos campos fora, a esconderem matulões camuflados, como se estivessem na guerra do Golfo à coca de obuzes. Não sei se apanharam rolas ou não, mas, cerca de vinte e quatro horas depois, continuavam praticamente na mesma posição (juro!), a perscrutar os céus de caçadeira em riste e aparentando a actividade cerebral que habitualmente devem ter, ou seja, à beira da flatline. No entanto, algures durante a vigília, eles ter-se-ão mexido, pois os terrenos acabaram pejados de latas de cerveja e cartuchos vazios, tal qual se vê na imagem. Como (quase) sempre, a verdade veio da boca das crianças - que comentaram, à triste visão de um deles acocorado entre o caniçal:

Criança n.º 1 (à ida): ca ganda cromo.

Criança n.º 2 (à vinda): ca ganda otário.

Criança n.º 3 (no dia seguinte, novamente à ida): ca ganda pacóvio.*



* Querido G., é claro que nada disto se te aplica: aposto que dispensarias o camuflado e preferirias uma bela camisa quadriculada de griffe (puro algodão), umas calças de ganga surradas e umas botas caneleiras bem ensebadas, e que pedirias educadamente às rolas que morressem por ti (o que elas, ao te verem assim de giro e de louro, certamente fariam de bom grado). ;)

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por Vieira do Mar, em 17.08.06
Parque de gente jurássica



"Nesta terra de costas viradas para o mar onde gasto os verões, tropeço volta e meia em pedacinhos fossilizados de dinossauro que guardo ciosa, ciente da maravilha que é cada pequena descoberta (um dente, um ovo, uma garra...). Aqui, onde em tempos terá ocorrido uma espécie de woodstock triássico que culminou num cataclismo natural (ou, quem sabe?, numa orgia que correu mal), um passeante incauto tropeçou um dia numa gigantesca coluna vertebral enterrada à beirinha da praia. Passou a palavra e logo chegaram, de todo o mundo, especialistas no escarafuncho da crosta terrestre, é um herbívoro e dos grandes, deitaram-se a adivinhar. O poder local, ocupado na recolha das derramas devidas pelas maisons edificadas nas dunas, ignorou olimpicamente a ocorrência e virou a cara ao empenho de uma dúzia de carolas que, durante meses (anos), à chuva e ao sol, desenterraram ossadas a canivete e a colheres de chá. Quando, finalmente, a última vértebra ficou a descoberto, procedeu-se a uma complexa operação de remoção, para que não se desmembrasse aquela coluna vertebral miraculosamente intacta por debaixo da terra encarnada. O esqueleto seguiu, então, para um pequeno museu na cidade mais próxima, mantido por particulares e vigiado apenas por um "funcionário" (e também um dos estudantes de biologia que ajudara a desenterrá-lo), e cuja fachada descascada pelo salitre escondia pequenos quartos onde dormiam esqueletos mais raros do que os do Museu de História Natural de Londres ou os da Galerie de l´Evolution, em Paris.

Não obstante a incrível valia interior, o merchandising do museu resumia-se à venda, num quiosque de rua, de sacos com "dinossauros" de plástico made in china e de algumas publicações indistintas sobre " a alimentação dos dinossauros" ou o "período ítriássico". Quanto à história e à vida presumidas deste magnífico herbívoro, que terá morrido sabe-se lá porquê mas quase de certeza a olhar o mar e ao qual foi dado o nome da terra ingrata onde foi achado, nada. Não obstante, e no fito do engodo turístico, à falta de melhor atracção, a cidade chama-se a si própria, pomposamente, de "a capital dos dinossauros". Um enorme cartaz, à entrada, promete diversão de parque temático no desvendar de mundos perdidos enquanto, mesmo ao lado, o esgoto a céu aberto corre por um ribeiro que transporta até ao mar as imundícies não tratadas de uma povoação inteira, colectivamente privada dos sentidos da oportunidade e do olfacto. Como é perdulária, a ignorância do nosso povo."


Agosto de 2005

...

por Vieira do Mar, em 17.08.06
Parque de gente jurássica



"Nesta terra de costas viradas para o mar onde gasto os verões, tropeço volta e meia em pedacinhos fossilizados de dinossauro que guardo ciosa, ciente da maravilha que é cada pequena descoberta (um dente, um ovo, uma garra...). Aqui, onde em tempos terá ocorrido uma espécie de woodstock triássico que culminou num cataclismo natural (ou, quem sabe?, numa orgia que correu mal), um passeante incauto tropeçou um dia numa gigantesca coluna vertebral enterrada à beirinha da praia. Passou a palavra e logo chegaram, de todo o mundo, especialistas no escarafuncho da crosta terrestre, é um herbívoro e dos grandes, deitaram-se a adivinhar. O poder local, ocupado na recolha das derramas devidas pelas maisons edificadas nas dunas, ignorou olimpicamente a ocorrência e virou a cara ao empenho de uma dúzia de carolas que, durante meses (anos), à chuva e ao sol, desenterraram ossadas a canivete e a colheres de chá. Quando, finalmente, a última vértebra ficou a descoberto, procedeu-se a uma complexa operação de remoção, para que não se desmembrasse aquela coluna vertebral miraculosamente intacta por debaixo da terra encarnada. O esqueleto seguiu, então, para um pequeno museu na cidade mais próxima, mantido por particulares e vigiado apenas por um "funcionário" (e também um dos estudantes de biologia que ajudara a desenterrá-lo), e cuja fachada descascada pelo salitre escondia pequenos quartos onde dormiam esqueletos mais raros do que os do Museu de História Natural de Londres ou os da Galerie de l´Evolution, em Paris.

Não obstante a incrível valia interior, o merchandising do museu resumia-se à venda, num quiosque de rua, de sacos com "dinossauros" de plástico made in china e de algumas publicações indistintas sobre " a alimentação dos dinossauros" ou o "período ítriássico". Quanto à história e à vida presumidas deste magnífico herbívoro, que terá morrido sabe-se lá porquê mas quase de certeza a olhar o mar e ao qual foi dado o nome da terra ingrata onde foi achado, nada. Não obstante, e no fito do engodo turístico, à falta de melhor atracção, a cidade chama-se a si própria, pomposamente, de "a capital dos dinossauros". Um enorme cartaz, à entrada, promete diversão de parque temático no desvendar de mundos perdidos enquanto, mesmo ao lado, o esgoto a céu aberto corre por um ribeiro que transporta até ao mar as imundícies não tratadas de uma povoação inteira, colectivamente privada dos sentidos da oportunidade e do olfacto. Como é perdulária, a ignorância do nosso povo."


Agosto de 2005

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