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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

...

por Vieira do Mar, em 31.07.06
Pois a mim, irrita-me, a choradeira de Maria João Pires. Recebeu dinheiro que se fartou dos nossos impostos para recuperar uma herdade giríssima no meio do alto Alentejo, coitada, e agora é chutada para a Baía, essa terra feia e horrorosa, de clima, paisagem e gentes impossíveis de se aturar. Diz que a culpa é da burocracia e da ingratidão do país - de um país que não a reconhece. Vai de beicinho, amuada. Acho que faz bem e já vai tarde, que não se aguenta tanto queixume. Por uma questão de coerência, e uma vez que reclama de um projecto falhado pelos entraves que o Estado lhe colocou, que devolva tudo o que o Estado lhe deu. Pois: o Inferno são (sempre) os outros.

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por Vieira do Mar, em 31.07.06
Pois a mim, irrita-me, a choradeira de Maria João Pires. Recebeu dinheiro que se fartou dos nossos impostos para recuperar uma herdade giríssima no meio do alto Alentejo, coitada, e agora é chutada para a Baía, essa terra feia e horrorosa, de clima, paisagem e gentes impossíveis de se aturar. Diz que a culpa é da burocracia e da ingratidão do país - de um país que não a reconhece. Vai de beicinho, amuada. Acho que faz bem e já vai tarde, que não se aguenta tanto queixume. Por uma questão de coerência, e uma vez que reclama de um projecto falhado pelos entraves que o Estado lhe colocou, que devolva tudo o que o Estado lhe deu. Pois: o Inferno são (sempre) os outros.

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por Vieira do Mar, em 28.07.06
Não. Lindo. Ide ler, ide.



"Que arda no Inferno a besta humana ou cibernética que ofereceu ao Pacheco Pereira a sua última glória: o martírio."

RAP, in Gato Fedorento.

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por Vieira do Mar, em 28.07.06
Não. Lindo. Ide ler, ide.



"Que arda no Inferno a besta humana ou cibernética que ofereceu ao Pacheco Pereira a sua última glória: o martírio."

RAP, in Gato Fedorento.

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por Vieira do Mar, em 27.07.06
EU! EU!

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por Vieira do Mar, em 27.07.06
EU! EU!

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por Vieira do Mar, em 25.07.06
o rei do karaoke



É herdeiro de uma das maiores fortunas da cidade, mas o seu sonho é ser o rei do karaoke. Com uma voz desafinada e a figura de um buldogue choroso, rabiscada à pressa por um deus sem paciência, todo ele cresce em sentimento quando canta, de olhos fechados, New York New York, iluminado por um talento que não tem. Agarrado ao microfone que gasta pilhas LR, sente-se um verdadeiro Sinatra, um Roberto Carlos ou, melhor ainda, um Tony Carreira, coliseu ao rubro, ninguém arreda pé que queremos mais. Tomado de uma inexplicável paixão pelo gorgolejo romântico sob as luzes infecciosas da ribalta, indagou nas melhores lojas da especialidade (e que ficam na margem sul, essa terra de bandas de garagem e de gente que não tem vergonha de gostar de música), onde gastou vários milhares de euros numa caixa profissional, do mais evoluído que pode haver e muitos furos acima das que se vêem naqueles bares de ingleses à beira-rio. Foi à net e comprou cedês, caixas inteiras deles, cd1, cd2 ... cd345; Madonna, Beatles, Rute Marlene, Quim Barreiros, Spice Girls, Elton John, Rui Veloso, Emanuel, música 06, 25, 34. Comprou uma pickup japonesa de vidros fumados, ao estilo velocidade furiosa, só para transportar toda a parafernália sonora, incluindo duas colunas de 400 watts, microfones e dezenas de pilhas LR, que numa noite vão-se às dúzias (desliguem os micros quando acabarem de cantar, por favor!). Quando não assiste os amigos nas festas, fecha-se na garagem da vivenda de três andares, que reflecte nos ajulejos a falta de gosto e o excesso de liquidez, e arrisca trinados e escalas impossíveis, pondo o Tejo e o Mondego a ganir em fuga para o andar de cima. E tudo porque, dentro do construtor civil dos quisestes e fizestezio, mora uma alma sensível à música, a toda a música, que sonha com o aconchego do estrelato internacional por entre as distribuições de lucros do ano anterior. O ar compenetrado e a disponibilidade fácil com que atende os pedidos (por ordem de chegada), escritos com risinhos de nervoseira em posts its próprios que traz consigo para o efeito (nada é deixado ao acaso), contrasta com a displicente chanata havaiana, o calção-corsário que mais parece do filho, a t-shirt rasgada à hard rock e o boné na cabeça ao contrário, à brasileiro do samba e do pagode. O vocabulário reduzido de quem está mais habituado a separar tipos de tijolos e de pavimentos do que sílabas e orações, não lhe impede a eloquência melancólica, quando encarna um Domenico Modugno e se lamenta que não é digno dela. Por detrás da postura grosseira enfeitada a pólos D&G e rolexes de ouro, esconde-se no fundo um espírito inconformado que descobriu um dia que o dinheiro serve para mais alguma coisa do que para gerar mais dinheiro, designadamente, para comprar-lhe o gozo de contornar as barreiras da ignorância e da falta de mundo.

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por Vieira do Mar, em 25.07.06
o rei do karaoke



É herdeiro de uma das maiores fortunas da cidade, mas o seu sonho é ser o rei do karaoke. Com uma voz desafinada e a figura de um buldogue choroso, rabiscada à pressa por um deus sem paciência, todo ele cresce em sentimento quando canta, de olhos fechados, New York New York, iluminado por um talento que não tem. Agarrado ao microfone que gasta pilhas LR, sente-se um verdadeiro Sinatra, um Roberto Carlos ou, melhor ainda, um Tony Carreira, coliseu ao rubro, ninguém arreda pé que queremos mais. Tomado de uma inexplicável paixão pelo gorgolejo romântico sob as luzes infecciosas da ribalta, indagou nas melhores lojas da especialidade (e que ficam na margem sul, essa terra de bandas de garagem e de gente que não tem vergonha de gostar de música), onde gastou vários milhares de euros numa caixa profissional, do mais evoluído que pode haver e muitos furos acima das que se vêem naqueles bares de ingleses à beira-rio. Foi à net e comprou cedês, caixas inteiras deles, cd1, cd2 ... cd345; Madonna, Beatles, Rute Marlene, Quim Barreiros, Spice Girls, Elton John, Rui Veloso, Emanuel, música 06, 25, 34. Comprou uma pickup japonesa de vidros fumados, ao estilo velocidade furiosa, só para transportar toda a parafernália sonora, incluindo duas colunas de 400 watts, microfones e dezenas de pilhas LR, que numa noite vão-se às dúzias (desliguem os micros quando acabarem de cantar, por favor!). Quando não assiste os amigos nas festas, fecha-se na garagem da vivenda de três andares, que reflecte nos ajulejos a falta de gosto e o excesso de liquidez, e arrisca trinados e escalas impossíveis, pondo o Tejo e o Mondego a ganir em fuga para o andar de cima. E tudo porque, dentro do construtor civil dos quisestes e fizestezio, mora uma alma sensível à música, a toda a música, que sonha com o aconchego do estrelato internacional por entre as distribuições de lucros do ano anterior. O ar compenetrado e a disponibilidade fácil com que atende os pedidos (por ordem de chegada), escritos com risinhos de nervoseira em posts its próprios que traz consigo para o efeito (nada é deixado ao acaso), contrasta com a displicente chanata havaiana, o calção-corsário que mais parece do filho, a t-shirt rasgada à hard rock e o boné na cabeça ao contrário, à brasileiro do samba e do pagode. O vocabulário reduzido de quem está mais habituado a separar tipos de tijolos e de pavimentos do que sílabas e orações, não lhe impede a eloquência melancólica, quando encarna um Domenico Modugno e se lamenta que não é digno dela. Por detrás da postura grosseira enfeitada a pólos D&G e rolexes de ouro, esconde-se no fundo um espírito inconformado que descobriu um dia que o dinheiro serve para mais alguma coisa do que para gerar mais dinheiro, designadamente, para comprar-lhe o gozo de contornar as barreiras da ignorância e da falta de mundo.

...

por Vieira do Mar, em 23.07.06
É um facto: as pessoas que vivem coisas boas que vale a pena preservar, são infinitamente mais vulneráveis que as outras. Não é preciso ser-se feliz (um estado de alma relativo e cada vez mais vazio de significado, dada a miríade de pequenos problemas que nos infernizam o dia-a-dia e nos impedem de termos uma perspectiva global de nós mesmos e de irmos mais além no nosso próprio contentamento); basta prezar-se algo e ter-se medo de o perder. Quem receia magoar os de quem gosta, perdê-los, decepcioná-los; quem faz questão de trazer a sua existência nas palminhas, a tratos de polé - quem se acha, afinal, com uma sorte danada, apesar de tudo -, acaba por ser um alvo fácil. Ter amigos e família, ir a festas, fazer festas, fazer mais amigos, ter paixões e marido (ou mulher), ter paixão pelo marido (ou pela mulher), pelos amigos, pelos filhos e pela casa (pelo sofá branco da casa), pelo cão; ter a felicidade de ter pai e mãe vivos e disponíveis, e ter irmãos e primos; não ter medo nem vergonha de se mostrar como é, nem o que quer ou do que gosta, muito menos aquilo a que aspira e o que mais a incomoda. Tudo isso lhe confere uma fragilidade imensa, de sopro de vela. Amarmos outros, e amarmos a presença dos outros na nossa vida, é como ficarmos com o organismo a modos que indefeso, imunodeficiente e mais sujeito a dores, a incómodos, a doenças. Porque ficamos à mercê das investidas virulentas de quem nada receia porque nada tem a perder.

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por Vieira do Mar, em 23.07.06
É um facto: as pessoas que vivem coisas boas que vale a pena preservar, são infinitamente mais vulneráveis que as outras. Não é preciso ser-se feliz (um estado de alma relativo e cada vez mais vazio de significado, dada a miríade de pequenos problemas que nos infernizam o dia-a-dia e nos impedem de termos uma perspectiva global de nós mesmos e de irmos mais além no nosso próprio contentamento); basta prezar-se algo e ter-se medo de o perder. Quem receia magoar os de quem gosta, perdê-los, decepcioná-los; quem faz questão de trazer a sua existência nas palminhas, a tratos de polé - quem se acha, afinal, com uma sorte danada, apesar de tudo -, acaba por ser um alvo fácil. Ter amigos e família, ir a festas, fazer festas, fazer mais amigos, ter paixões e marido (ou mulher), ter paixão pelo marido (ou pela mulher), pelos amigos, pelos filhos e pela casa (pelo sofá branco da casa), pelo cão; ter a felicidade de ter pai e mãe vivos e disponíveis, e ter irmãos e primos; não ter medo nem vergonha de se mostrar como é, nem o que quer ou do que gosta, muito menos aquilo a que aspira e o que mais a incomoda. Tudo isso lhe confere uma fragilidade imensa, de sopro de vela. Amarmos outros, e amarmos a presença dos outros na nossa vida, é como ficarmos com o organismo a modos que indefeso, imunodeficiente e mais sujeito a dores, a incómodos, a doenças. Porque ficamos à mercê das investidas virulentas de quem nada receia porque nada tem a perder.

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