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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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o que nós queremos é amassos e retórica

por Vieira do Mar, em 16.02.09

 

 Outra coisa, rapazes. Muitas das perguntas que nós, mulheres, vos fazemos, são apenas retóricas e exigem essencialmente a mesma resposta: “ sim, adoro-te, e isso agora não interessa nada”. É claro que esta resposta tem como pressuposto o facto de a primeira afirmação ser verdadeira, ainda que eventualmente despropositada - se não, não vale (homens que não nos adoram, é favor seguirem a fila na direcção daquela parede branca em frente do pelotão de fuzilamento). Um exemplo conhecido. Quando vos perguntamos se nos acham mais gordas, na realidade não queremos uma resposta directa à pergunta, deus nos livre. Estamos marrecas de saber da existência maléfica daquele mícron de gordura que se nos alojou no glúteo esquerdo; vemo-lo até de noite e às escuras, obrigada. Mas também não queremos que mintam descaradamente e que digam que não: quem sabe em relação a que mais poderão ser capazes de mentir assim tão bem? Então, o que queremos? Simples. Perante a constatação desse súbito handicap físico, precisamos de um boost imediato na nossa auto-estima subitamente abalada, de preferência sob a forma de um shot de devoção amorosa servido pelo homem que tivermos então à mão: “sim, adoro-te, e esse mícron de gordura agora não interessa nada”. Sempre que possível, a resposta deve ser acompanhada da expressão física correspondente, como umas beijocas e uns  amassos, para que atinja o objectivo máximo que é a nossa distracção. Esta solução, com algumas cambiantes, é passível de ser usada nas perguntas de resposta simples, tipo, Querido, porque é que não pagaste a prestação da casa?, mas também nas outras, como, Querido, em que medida é o pensamento inicial de Wittgenstein se afastou do de Schopenhauer? E a razão é esta, nós mulheres somos o animal mais multitask que existe à face da terra: focadas em dúzias de coisas ao mesmo tempo num malabarismo diário demoníaco, nunca estamos efectivamente concentradas em nenhuma em particular, pelo que somos facilmente dispersáveis - ao menos temporariamente. Aliás, connosco, tudo é temporariamente, rapazes, pelo que não se fiem muito no ronronar satisfeito das gatas perante a resposta perfeita, mesmo que seguida de uns amassos mais-que-perfeitos. Nada, connosco, é assim tão fácil como parece, temos pena.

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