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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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israel

por Vieira do Mar, em 29.12.08

Quando viajamos todos juntos, somos muitos, pelo menos um quarto duplo e outro, triplo. Por isso, procuro sempre hotéis baratos, minimamente decentes mas suportados pelo orçamento, que arranjo pela net em sites de confiança. Quando vou a Londres, a coisa é dramática, porque a oferta hoteleira, em especial nas épocas altas - como é a do Natal - é má e estupidamente cara. Desta vez, escolhi um hotel em Bayswater, numa zona suficientemente próxima de Hide Park e de Marble Arch, que sabia ser residencial, a ver se conseguíamos dormir qualquer coisa sem sirenes nem ambulâncias a noite toda. Para castigo, eu que sou, no geral, anti-muçulmana ( tenho um péssimo feitio, não aprecio religiões que tratam as mulheres abaixo de cão), calhou-me um hotel gerido por muçulmanos. É que, não sei se estão a ver: o pequeno almoço era nojento, sem bacon, salsichas ou derivados, só com uma espécie de queijo e de pão e, na gaveta da mesa de cabeceira, se calhar para me embalar o soninho, um exemplar do Corão, em inglês. E eu li. A sério, todas as noites folheava aquilo e lia um e outro capítulo; atravessado, mas lia. Aquilo é mau. A “palavra do profeta” estende-se aos mais ínfimos aspectos das relações pessoais e sociais, e nada à deixado ao livre arbítrio ou à liberdade de escolha. O incitamento ao ódio por aqueles que professam diferentes religiões, são de outras raças ou que, pura e simplesmente, se regem por outras regras, é uma constante, bem como o é a ameaça de castigos terríveis que se abatem sobre quem prevaricar. Há capítulos inteiros que regem minuciosamente as relações entre os muçulmanos e, por exemplo, os judeus (os descrentes) ou os cristãos; e entre o homem e as suas mulheres. Aquilo é assustador, juro. E sempre a omnipresente ideia de vingança, de castigo, de dor, de pena, de ira. E não me venham com conversas de que aquilo é metafórico, como a Bíblia, que não deve ser entendido literalmente, mas adaptado aos dias de hoje. Uma ova. O que li era prático, pragmático e concreto, como por exemplo a parte dedicada à forma de o homem gerir os seus bens - entre os quais se contam as  mulheres - ou de se relacionar com os outros homens. Às tantas, um dos capítulos intitula-se qualquer coisa como “Da salvaguarda dos direitos das mulheres”. Fiquei curiosa - será?! “Direitos da mulheres”?! Afinal, não me desiludiu: era apenas um conjunto de regras que dizia quando é que o homem se pode legitimamente “livrar” de uma das suas mulheres, ou seja, pô-la a correr - se, por exemplo, estivesse grávida, teria que esperar até que o filho nascesse, depois, andor. Resumindo e concluindo, detestei: detestei a filosofia subjacente, o apelo ao ódio e ao repúdio a tudo que é diferente, a abjecção do prazer,  a minúcia regulamentar dos gestos e das acções. Deve dar, sem dúvida, umas belas de umas lavagens cerebrais lá nas madraças... Brrr. E, agora ,esta história do hamas, a par com as manifestações que se multiplicam pela Europa fora - manifestações de gente piedosa, culta e informada, que se senta descansada no Starbucks da esquina, a ler o seu jornal da manhã, sem qualquer receio de que um rocket lhe caia em cima enquanto engole o seu cafe latte. Gente  boa e bem intencionada, mas que vive sem medo, que não sabe o que é o medo, que não repara quando um carro estaciona em frente ao restaurante onde está a jantar, que entra à vontade no autocarro sem atentar no vizinho, que nunca olha para o céu a ver o que de lá pode vir e que, por isso, menospreza o medo dos outros e a necessidade imperiosa que estes têm de fazer qualquer coisa. Escusado será dizer que estou, como sempre, com Israel. E não me venham falar nas criancinhas inocentes - crianças inocentes, vítimas, há-as de ambos os lados: mas só um desses lados, ao esconder os seus arsenais bélicos em casas de família, as usa como escudos humanos.

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