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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

2008

por Vieira do Mar, em 28.12.08

Este ano foi, em muitos aspectos, bem melhor do que os anteriores. Apesar de ter trabalhado de mais e escrito de menos; apesar de ter viajado pouco, quase não ter ido ao cinema, ter lido poucos livros e ainda menos blogues. Mas redescobri o núcleo do amor, sendo que andava há muito a rondá-lo, apenas, às voltas na periferia, a achar que chegava. Porque, ao contrário do que diz Bernardo Soares n`O Livro do Desassossego, não são os arredores do amor que vale a pena; os arredores são só uma distracção quando não há mais nada, quando por mil razões nos deixámos infectar pelo cinismo e pela amargura, ou quando a estrada acaba já ali porque não nos apetece seguir para lado nenhum. Reaprendi a beleza que há em fazer planos para o futuro, grandes e pequenos, em querer que as coisas sejam assim e ter a certeza de que vão ser, e livrei-me de vez da sombra de uma ou duas criaturas, que se me colava às canelas e me puxava para baixo, como as correntes dos condenados. Andar de mão dada, segredar parvoíces, rir muito e à toa de uma piada má mas só nossa e, nesse momento, não lembrar de mais ninguém; achar que se tem de repente vinte anos; guardar os amigos que o são, gozar o sucesso dos amigos, a família com saúde, miúdos lindos, brincar com os cães e com os gatos, plantar couves e courgettes, ler mais depressa o Borda d´Àgua do que os colunistas de sempre nos semanários do costume, olhar para o céu mais vezes, interpretando-o. Levei na cabeça, é a vida,  estou mais tolerante, acho tudo bem desde que não me chateiem (bom, isso sempre achei), o que me devolve um paradoxo só aparente: cada vez aturo menos gente medíocre, invejosa, gente que não me interessa e que nada traz de novo à minha vida: ponho-os a correr, logo. Apesar disso, vejo-me mais cordata e não perco tempo a amuar com estranhos; aliás, acho que a frontalidade está sobrevalorizada e que é, frequentemente, apenas uma boa desculpa para a má-criação, e que por vezes mais vale simplesmente virar as costas e ignorar. Continuo a gostar de desempenhar papéis vários, a escrever em muitos tons, no entanto, a detestar a aldrabice, o embuste, o fingir-se aquilo que não se é quando se afirma perante os outros um eu que se pretende verdadeiro. Daí, talvez, ter perdido a paciência para muitos blogues, que são fraudes pegadas, além de pretensiosos e chatos. Em contrapartida, e como nos anos anteriores, fiz um ou dois bons amigos à conta dos blogues. Conto-os pelos dedos das mãos, aos amigos dos blogues (ou por causa deles) mas são bons, muito bons. Perdi, igualmente, as pretensões literárias, e assumi a preguiça e a falta de disciplina, o que não foi necessariamente mau. O confronto não me atrai como antes, quero é sopas e descanso, e não perco tempo com o que para mim não presta, que a segunda parte da minha vida está aqui e está a passar a correr. Foi, assim, um ano de triagem, um ano espremido do qual guardei o sumo,  um ano bem melhor do que os anteriores.

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