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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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subsídio de desemprego

por Vieira do Mar, em 15.12.08

Ouço no Telejornal que uma das medidas com que o Governo pretende combater o desemprego é através do prolongamento do subsídio de desemprego por mais seis meses, o que me parece extraordinário. Ao dar mais cerca de, em média, digamos, 400 ou 500 euros por mês aos desempregados, que estão por definição sem fazer nenhum, o governo visa, portanto, incentivá-los a que se levantem das suas caminhas de manhã e que vão dar o litro para a rua à procura de um emprego onde irão ser mais ou menos explorados para ganharem… o mesmo. Em parte por causa disto, as secções de emprego dos jornais estão cheias de procura de mão-de-obra não qualificada, em que ninguém pega. As pessoas não querem um emprego qualquer, ora essa. Há uns meses fiquei sem empregada doméstica, pessoa que até então tinha tido a tempo inteiro e a quem pagava um ordenado mensal com tudo aquilo a que tinha direito. Depois disso, desisti de voltar a contratar outra, porque parece que as senhoras agora ganham à hora. E pedem oito euros por hora, em média. Oito euros. Se digo que não posso pagar tanto porque teria de abdicar do meu ordenado para pagar o delas, boa noite e um queijo, ala que se faz tarde, não há descontos para ninguém. Preferem nada ganhar, a ganhar menos. Quem tem terrenos no campo, sabe do impossível que é arranjar alguém para aquelas tarefas sazonais como lavrar, podar ou mondar, ou arranjar quem cuide de uma horta; quem tem um apartamento, uma casa ou uma vivenda, sabe do drama que é arranjar um canalizador, um estucador, um pedreiro ou um marceneiro que façam ou consertem qualquer coisa, sem ser por especial favor e mesmo quando nos oferecemos para que fiquem com toda a nossa fortuna, por favor,  que fazemos questão. Por outro lado,  jovens inúteis (e outros não tão jovens assim, mas igualmente inúteis) continuam a esfregar-se o dia inteiro pelos balcões dos cafés por este país fora, a discutirem a avaria no piston da famel e o jogo da terceira divisão com o carrascaleira de baixo. O subsidio de desemprego é uma mama que se limita a induzir a acomodação e a preguiça, quando não vai para quem efectivamente o merece. E merecem-no, por exemplo, aqueles trabalhadores fabris dispensados ao fim de uma vida de trabalho na linha de montagem, sem idade nem saúde para se irem amanhar para as obras. Agora, os outros - que são, aliás, a maioria - não o merecem. No fundo, é uma medida que,  porque distribui injustamente a riqueza (seja porque não está a ser correctamente aplicada,  seja porque os pressupostos de aplicação estão pura e simplesmente errados), cria mais descontentamento social do que aquele que pretende aplacar, pois provoca rancor na larga maioria dos que trabalham a sério e que pagam os impostos que servirão para a financiar.

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