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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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os grunhos do home video

por Vieira do Mar, em 05.12.08

 Isto é por revoadas, agora voltou a moda bimba dos apanhados e dos vídeos caseiros.  Na SIC, há um programa especialmente iníquo, apresentado por uma rapariga um bocado vesga armada em boa e um rapaz que tem uma cadeia de restaurantes com um nome parvo que, pelos vistos, não deve estar a dar. O discurso de ambos é monossilábico e especialmente dirigido ao grunho que habita em cada um de nós. Volta e meia dou com aquilo, porque passa à hora do jantar quando estamos à volta da mesa e não nos apetece ir buscar o comando para mudar de canal. O programa apresenta imagens (grande parte sacadas do youtube, num vampirismo descarado) que insiste em afirmar de “chocantes” e que repete à exaustão. Na maioria, imagens de gente a magoar-se à séria, tipo, a ser atirada contra o chão, espezinhada por cascos de cavalo, mordida por leões e rasgada ao meio por ursos. Eu compreendo, há quem goste, afinal, é da natureza humana, sermos atraídos pela violência que é exercida sobre os outros e pelo grotesco em geral. Mas também é verdade que o grunho dentro de nós pode estar mais ou menos adormecido, graças a deus, obrigada. Agora, há uma coisa que eu não compreendo de todo: os vídeos com crianças pequenas que se aleijam, como as que caem de escorregas, de cadeiras, de baloiços e de carrinhos. Aquilo é aflitivo, são desastres à espera de acontecer, e o que me enoja profundamente é como os adultos que estão a filmar deixam que aconteçam sem fazerem nada, sem atirarem de imediato a câmara para o chão e correrem a tentar apanhar as crianças… Porque, por muito que a grunhice palpite em certos seres, digamos, humanos, há uma outra característica animal que deveria sobrepor-se e que se chama instinto de protecção das crias - mas que, pelos vistos, aquela gente não tem. Acresce a isto um outro facto arrepiante: o de a canalha anónima que filma os rebentos em aflição para mais tarde recordar, bem como uma série de produtores, realizadores e apresentadores, acharem que uma criança de dois anos a cair desamparada de cara no meio do chão é um “espectáculo” divertido que deve ser partilhado com o resto do mundo, para gáudio das audiências do prime time.

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