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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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o mal-educado

por Vieira do Mar, em 12.11.08

Já aqui o disseantes: os meus selectos neurónios não estão devidamente afinados para as questões económicas, daí que não tenha percebido ainda muito bem os contornos da questão do BPN. Parece-me, no entanto, que se há uma entidade que é suposto supervisionar a actividade dos bancos, quando um destes mergulha num afundanço tal que o Estado tem de lhe injectar vários milhões para que o pequeno cliente não perca o dinheiro que lá depositou, algo falhou na supervisão. Se é motivo para o responsável máximo do orgão supervisor se demitir, não sei. Assim à primeira vista, quatrocentos milhões parecem-me um excelente motivo; os vários milhares que Constâncio ganha por mês e que justificariam que fizesse um excelente trabalho, também. Mas é como digo: não sei exactamente onde este terá falhado e porquê, e não li nada sobre as eventuais explicações que terá dado na AR. Mas uma coisa, confesso, deixou-me muito má impressão sobre a criatura: há um ou dois dias,  instado pelos jornalistas à entrada para qualquer coisa, sobre a questão do BPN, ignorou-os completamente, não os olhou nem lhes respondeu. Nem um “agora não vou responder, fá-lo-ei mais tarde” ou “agora não, desculpem, obrigado”, qualquer coisa. Nada. E isto é muito mau.  Porque há uma pessoa que é paga principescamente por todos NÓS para vigiar o sistema bancário e garantir que o nosso dinheirinho fica ali exactamente onde a gente o pôs para quando precisarmos dele,  mas que não se digna a olhar para quem nos está a tentar informar, ou seja, nem se preocupa em dar-NOS (contribuintes, clientes dos bancos, espectadores do telejornal em questão) uma palavrinha de atenção sequer. Ora eu detesto gente assim, detesto. Como aquelas pessoas que, interpeladas pelas miúdas romenas que vendem pensos, pelos pedintes ou pelos arrumadores, não os olham na cara nem dizem que não querem, não compram ou não dão, obrigado - como se não fossem pessoas, seres humanos, que ali estivessem à espera de uma resposta qualquer para poderem seguir com as suas vidas. Infelizmente, gente  como Constâncio pertence à maioria dos portugueses: tanto nos transeuntes anónimos como nos políticos conhecidos, raros são os que param, olham nos olhos a quem se lhes dirige e se dão ao trabalho de educadamente responder, nem que seja para descartar o interlocutor. A única coisa que distingue o Constâncio mal-educado daquele casalinho de funcionários públicos que ontem, à minha frente no restaurante, dava as mãozinhas e se olhava imbecilmente com ar apaixonado enquanto um indiano supostamente invisível lhes perguntava insistentemente se queriam uma rosa, é o montante do ordenado que pagamos a um e aos outros. O mau carácter é o mesmo. E as pessoas de mau carácter não são de confiança - o que me parece um ponto de partida suficiente para quem, como eu, pouco percebe dos meandros do sistema bancário.

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