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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

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o doutor do grupo pestana

por Vieira do Mar, em 03.10.08

Há uns tempos, recebi um telefonema (era sábado de manhã) de um doutor qualquer coisa que vinha da parte do Grupo Pestana. Parece que alguém com a mesma profissão que eu (embora eu nem conhecesse tal pessoa) me havia recomendado para fazer parte de um exclusivíssimo clube que dá inúmeras vantagens aos frequentadores dos hotéis e pousadas do Grupo Pestana. Apesar do timbre saloio de vendedor de aspiradores ao domicílio, resolvi ouvir o que o doutor tinha para me oferecer, dado que sempre fui  adepta das escapadinhas de fim-de-semana nas antigas pousadas da Enatur (what else?, com três filhos nunca se pode fugir por muito tempo nem para muito longe). Depois de alguma conversa fiada em que me introduziu aos fabulosos descontos e vantagens de que poderia usufruir a troco de uma anuidade de 150 euros (?!), pediu-me os meus dados pessoais. Comecei por lhe dizer o básico, nada que não pudesse encontrar na lista telefónica ou numa dessas bases de dados que ilegalmente passam de empresa para empresa, até que ele me pede os dados do cartão de crédito para debitar a anuidade. Assim mesmo. Pergunto-lhe se está a falar a sério, se acha que  vou dar os dados do meu cartão pelo telefone a alguém que não imagino quem seja, que terei de comprovar primeiro que ele é quem diz, etc. . Depois de muita lamúria pseudo-indignada (que já me começava seriamente a chatear), lá concordou em enviar-me por mail um formulário que eu preencheria e devolveria, depois de confirmar a morada. Passaram-se dois ou três dias, e foi então que o assédio começou. Como o doutor me ligara do Funchal, foi-me fácil saber, pelo indicativo, quando era ele (ou alguém a mando dele) que me ligava. E ele ligava. Ligava de manhã, à tarde, ao almoço, ao jantar, várias vezes por dia (cheguei a contar oito vezes num dia). Nas primeiras vezes ainda atendi, explicando que não tivera tempo de analisar nem de preencher aquilo, que tinha de pensar melhor, falar com o meu marido, afinal ainda eram 150 euros que teria de largar por ano. De nada valeu. Interrompia-me reuniões, jantares, acordava-me aos sábados às nove da manhã. Um dia, por fim, atendi e disse-lhe que, devido à forma agressiva e inconveniente da abordagem,  já não estava interessada. Pediu muitas desculpas mas mesmo assim insistiu, afirmando que as coisas seriam diferentes, que a culpa era da secretária e o camandro. Tive que penar para conseguir desligar, pensando que nem nos gloriosos tempos das vendas   em time-share  fora alguma vez  assim atacada.

 
Hoje de manhã, meses depois, eu pronta para sair de casa e recebo  nova chamada (de número desconhecido):
 
- Doutora Sofia Alves?
- Sou Sofia  mas não sou Alves, esse é o nome do meu marido.
- Ah, então já não é Alves, vou riscar aqui...
-  Não: nunca fui Alves, eu não tenho o nome do meu marido.
- Ah, então foi alguém que…
- Importa-se de dizer o que deseja? Tenho que sair para ir trabalhar.
- Daqui fala Diogo Moura, do Grupo Pestana e…
- Obrigada mas não estou interessada. Hás uns meses, um seu colega…
- Mas eu não sou o meu colega! Eu sou Diogo Moura e é a primeira vez que contacto com a doutora!
 - Sim, mês eu já sei o que querem. Há uns meses, como eu dizia, fui  assediada por um seu colega de forma muito insistente e desagradável, a quem acabei por dizer que não por causa de…
- Mas isso é que não! Com assédio também não concordo! O meu colega fez mal, mas se a doutora me deixar explicar...
- Não, obrigada, já sei o que me querem vender e eu não quero comprar.
- Mas  aposto que não sabe…
- Sei, é o cartão das Pousadas, não estou interessada.
- Se calhar não é bem isso, doutora Sofia, se me der só uns minut…
 
Click.
 
 
Sempre que puder – juro – ficarei em hotéis de charme, pensões, estalagens, farei  turismo de habitação e turismo rural, dormirei numa tenda e ao relento, mas tão depressa ninguém me apanha numa baiuca do Grupo Pestana, disso podem ter a certeza. Então agora, com a ideia peregrina da pousada no Forte de Peniche, ainda menos.  Tenho a ideia de que são, basicamente, uns parolos venais que comercializam alojamento  como quem vende panelas.  

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