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Controversa Maresia

um blogue de Sofia Vieira

Controversa Maresia

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dá-lhe o "S 26 HA" com o biberão Dior e pronto, querida

por Vieira do Mar, em 23.09.08

AS PIRADAS DA MAMA.

 

A propósito, aqui vai breve diálogo pós-parto com puérpera e enfermeira de hospital particular (este aspecto é importante), sendo que aquela acabava de ter um terceiro filho com o módico peso  de quatro quilos e meio e uns maneirinhos cinquenta e três centímetros de comprimento, pelo simpático método de cesariana (à santa epidural, ajoelhai e rezai).

 

Enfermeira (de ora em diante designada por "parva") - Mãe, já lhe trago o seu bebé para começarmos a dar de mamar....

 

(note-se o uso carinhoso-impositivo da primeira pessoa do plural e a despersonalização obtida com o uso da palavra mãe)

 

Puérpera - Ai não traz não, que eu não me consigo mexer para me virar de lado, nem sequer para me chegar para cima; aliás, quase nem consigo respirar e  só a perspectiva de poder ter vontade de tossir me dá arrepios... isto dói imenso... dê-lhe suplemento, está bem?

 

("suplemento" é um eufemismo para "biberão de leite artificial" que contém ínsito um juízo de censura desmotivante:  como o nome indica, serve  para complementar a mama em caso de necessidade e não  primeiro e exclusivo alimento do bebé, nem pensar)

 

Parva - Nã nã nã nã... Oh mãe, como é que pode pensar em fazer uma coisa dessas ao seu filho?! Das outras vezes não amamentou?

 

Puérpera - Sim, mas...

 

Parva - E o leite não era bom?

 

Puérpera - Era, mas...

 

Parva - Então, deixe-se de coisas e faça lá esse sacrificiozinho pelo seu filho! Ele merece, não acha?!

 

(....)

 

Poupo-vos à resposta que se seguiu. Só vos digo que uma gaja que acabou de parir e que, já sem o efeito da santa epidural,  se contorce com dores por ter as entranhas repuxadas e acabadas de coser, não se encontra especialmente receptiva as juízos moralistas vindos de  "profissionais de saúde" parolas e fundamentalistas, que ainda por cima resolvem teimar e não percebem à primeira. Aquilo foi uma devastação que ficou nos anais do dito hospital.

 

Ah, e já agora: o puto  não-alimentado-a-leite-materno manteve-se sempre nos percentis máximos, aprendeu a ler e a escrever sozinho aos cinco anos,  é o melhor aluno da escola dele e joga futebol que se farta. Só por acaso, mas é um facto.

 

adenda: a propósito, recebi dois ou três mails de mães-cesarianas que se questionavam sobre as tantas dores que eu alegadamente sentia. O tom, comum a todas, é mais ou menos este:  Vieira, eu não sou fundamentalista e dei de mamar porque quis mas… as dores eram assim tantas que a impedissem de se virar de lado e amamentar o seu filho?!

Ora, como devem imaginar, não vou responder a tal questão, e muito menos escarrapachar a intimidades das minhas entranhas doridas perante desconhecidos - em especial perante quem, não sendo fundamentalista, põe em causa a bondade das minhas excruciantes dores na altura.  Até porque as razões médicas das mesmas são perfeitamente secundárias ao tema sendo que não, não foram desculpa para não amamentar, como parece ser insinuado aqui e ali. Aliás, não tivesse eu dores e se calhar teria optado por não amamentar de todo, e só porque talvez me tivesse apetecido assim. Como disse o meu obstetra, um homem com muitos anos daquilo e um imenso bom-senso, deixe lá a mama que o miúdo já nasceu criado.   Dar mama pode ser bom, mau ou nem tanto, e não dar, idem. Cada um sabe de si.
 
Embora (confesso) me arrepie um bocadinho ler essas taradas que andam aí pela NET a escrever posts com putos de dois anos agarrados aos mamilos a descreverem esses momentos de intimidade a dois como autênticos encontros eróticos. Safa.

 

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